Mais que barcos: São Paulo Boat Show 2026 apresenta equipamentos e acessórios náuticos

Marcas trazem soluções para diversas áreas do universo náutico, com itens para manutenção até óculos de sol

29/09/2026
São Paulo Boat Show 2026. Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Além de apresentar grandes e inéditas embarcações, o São Paulo Boat Show 2026 é palco de soluções náuticas, que incluem equipamentos, acessórios e manutenção.

Durante os dias 24 e 29 de outubro, marcas como HR Náutica, Global Power Systems, SFA Sanitrit, JRG Corp, Akzo Nobel, Magic Medic, JF Sun, Infláveis Remar, Pierplas / NTC Float⁠, Axxius e PK Boat expuseram no salão produtos que fazem a diferença no dia a dia de quem vive o universo náutico.

HR Náutica

Com atuação voltada especialmente para hélices de barcos, peças e acessórios para motores de popa, a empresa possui um portfólio de mais de 1.800 itens, incluindo produtos de fabricação própria e importados.

 

Durante o São Paulo Boat Show 2026, a HR Náutica destacou as hélices de aço inox, para aqueles que buscam maior resistência, durabilidade e desempenho.

Espaço da HR Náutica. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Global Power Systems

A marca atua com soluções e equipamentos voltados à geração e gerenciamento de energia a bordo. Entre os destaques estão geradores marítimos alemães da Fischer Panda e os equipamentos da Victron Energy, como inversores, carregadores de baterias e outros sistemas de energia.

Espaço da Global Power Systems. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

SFA Sanitrit

O grupo francês SFA Sanitrit apresenta soluções de bombeamentos e trituração sanitária. Com uma linha específica para o setor náutica, a Sanimarin, a marca trouxe ao São Paulo Boat Show 2026 dois vasos sanitários náuticos: o Sanimarin Medium, que possui maiores dimensões e formato semelhante com opções residenciais, e o Sanimarin 31, apontado pela empresa como o modelo mais vendido.

Espaço da SFA Sanitrit. Foto: Kaio Silva / Revista Náutica

JRG Corp

A holding reúne tecnologia, proteção de componentes, monitoramento e iluminação subaquática. Entre as marcas e empresas ligadas ao grupo estão Propspeed, Marine Telematics, Safeboat e Ultra LEDs. No salão, um dos destaques foi a linha Propspeed, com revestimentos foul-release para hélice, eixo, leme e demais componentes metálicos abaixo da linha d’água.

Espaço da JRG Corp. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Akzo Nobel

Com tintas e revestimentos para embarcações, a Akzo Nobel tem soluções de proteção anticorrosiva, controle de incrustações e acabamentos.

 

Durante o São Paulo Boat Show 2026, a empresa chamou o público para conferir as marcas International e Awlgrip, apostando na realidade virtual. A tecnologia permite que os visitantes simulem as aplicações das tintas.

Espaço da Akzo Nobel. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Magic Medic

Na parte de acessórios, a Magic Medic trouxe para o evento almofadas térmicas. Elas esquentam e esfriam sozinhas, ajudando a eliminar a dor e previnir reações inflamatórias.

Espaço da Magic Medic. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

JF Sun

Especializada em óculos de sol próprios para o universo náutico, a JF Sun apresentou no evento opções de armações para todos os gostos, desde acessórios para práticas esportivas até versões que cobrem lentes de grau, da linha Fit Over.

Espaço da JF Sun. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Infláveis Remar

A marca aposta em botes infláveis e semirrígidos, com modelos destinados a apoio de embarcações maiores, lazer e trabalho. Para o São Paulo Boat Show 2026, o principal destaque foi o RM 4,60F Premium, embarcação de 4,60 metros com comando à distância, apresentada como parte da estratégia da empresa de ampliar sua atuação para botes maiores e mais sofisticados.

 

A Remar também destacou a amplitude da linha Premium com comando à distância. Entre os modelos está o RM 2,80F Premium, que a fabricante apresenta como o menor bote de apoio.

Espaço da Infláveis Remar. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Pierplas / NTC Float⁠

A empresa levou para o salão seu sistema de plataformas modulares, destacando como diferenciais a tecnologia brasileira, versatilidade, resistência e durabilidade. Segundo a fabricante, as estruturas acompanham as variações do nível da água e podem ser configuradas de acordo com a necessidade do cliente.

Espaço da Pierplas / NTC Float⁠. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Axxius

A Axxius é uma linha de tratamento de combustíveis desenvolvida pela Power Clean. No São Paulo Boat Show 2026, a empresa apresentou a solução ao mercado náutico, propondo o uso dos produtos em embarcações movidas a gasolina ou diesel.

Espaço da Axxius. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

PK Boat

A marca trabalha com embarcações voltadas ao lazer e à convivência a bordo. Durante o evento, a PK Boat apresentou o PK Classic 26, pontoon com capacidade para até 17 pessoas.

 

A unidade exposta conta com três flutuadores independentes, direção hidráulica, motor Mercury de 150 hp e tanque de combustível de 120 litros. A embarcação ainda oferece banheiro retrátil e área gourmet.

Espaço da PK Boat. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

São Paulo Boat Show 2026

O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, passando por botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.


Anote aí!

SÃO PAULO BOAT SHOW 2026

Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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