Medalhista olímpica e pentacampeão mundial confirmam participação na 70ª Santos-Rio

Por: Redação -
14/10/2020
Foto: Sailing Energy

Siga nosso TWITTER e veja a série Dicas Náuticas diariamente.

Mais dois grandes nomes confirmaram participação para a disputa da histórica 70ª edição da Regata Santos-Rio, que tem largada marcada para o dia 23 de outubro, na Baía de Santos. Isabel Swan, bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim, na China, em 2008 – ao lado de Fernanda Oliveira, primeiras mulheres brasileiras medalhistas olímpica na vela -, vai integrar o barco Boto IV, de André Sobral, de São Paulo, e disputará sua segunda edição da Santos-Rio.

“Estou muito feliz de poder participar dessa regata que é tão tradicional, emblemática na história da vela brasileira. Regata de muitos desafios. Cada edição ela tem ventos fortes, ventos fracos”, disse Isabel que esteve em 2007 no barco Capim Canela, de Marcos Soares, vencendo na categoria 40.7 em uma tripulação toda feminina. “É uma regata muito tática que testa todas as qualidades do velejador desde a parte de projeto para a regata até a estratégias durante a regata se vai mais próximo à costa ou afastado, o estudo do trajeto, leitura na água e tomadas de decisão”.

“Lembro de minha participação que foi em um time feminino, foi muito especial. Nem muitas meninas têm a oportunidade de participar de uma regata tão desafiadora como essa. Esse time as meninas que foram velejavam de monotipo principalmente, sem experiência de longa distância. Uma parte enjoou, outra parte se manteve bem na regata, fizemos um peeling, mudança de vela à noite. Foi bem legal a experiência. Teve um gostinho bem especial ter vencido a regata. Experiência de vida que leva”.

Além de Isabel, Maurício Santa Cruz, o Santinha, com participações Olímpicas em Atenas 2004 e Sydney 2000, pentacampeão Mundial nas classes Snipe e J-24, bicampeão Pan-Americano na Rio-2007 e Guadalajara 2011, é outra fera confirmada. Ele vai disputar a 70ª Santos-Rio no barco Mini-Transat em dupla mista com Adriana Kostiw como primeiro treinamento visando a campanha Olímpica para Paris-2024. Pela primeira vez nos próximos jogos, a vela de oceano entrará no programa olímpico com barcos de 30 pés em dupla mista que serão disputados na região de Marselha, ao sul da França.

“Essa regata será o lançamento da minha campanha Olímpica para Paris-2024 onde correrei com a Adriana. Este ano será diferente pois estarei correndo pela primeira vez numa regata oceânica em dupla. Será para mim uma regata de aprendizado pois algumas manobras serão mais lentas , terá a questão do sono/cansaço e testar algumas formas de  organizar o barco para ficar o mais prático possível”, disse o experiente velejador que chegou a ter recorde da Santos-Rio em duas oportunidades em 1995 e 2006.

“Tenho boas memórias em dois recordes da regata que eu estive no barco. Polibrasil e Sorsa”, lembrou. “Essa regata sempre contou com os melhores velejadores brasileiros participando, sempre foi bem disputada. A regata de oceano é uma outra experiência que uma regata tradicional, por isto que fica um desafio maior em fazer a Santos-Rio”.

Leia também

» Regata Santos-Rio terá duelo entre medalhistas da família Grael

» Atual campeã olímpica, Martine Grael confirma participação na 70ª edição da Regata Santos-Rio

» 70ª edição da Regata Santos-Rio tem data confirmada e contará com grandes nomes da vela

“Ele tem muita experiência em regatas e regulagem de barco. Depois das Olimpíadas de Londres me dediquei a grandes travessais oceânicas. Acho que contamos com uma boa experiência juntos para a nova categoria Offshore na Olimpíada. Nossa união formará um ótimo time”, seguiu Adriana.

Santinha e Isabel são mais dois grandes velejadores na disputa que promete com presenças confirmadas de Torben Grael, bicampeão olímpico, Lars Grael, duas vezes medalhista de Bronze, Kiko Pelicano, medalhista de Bronze, Martine Grael, atual campeã Olímpica na Rio-2016, além de outros fortes nomes como Samuel Gonçalves, campeão Mundial de Star e oriundo do Projeto Grael, Samuel Albrecht, velejador Olímpico da Nacra-17, Marco Soffiatti Grael, velejador Olímpico da Rio-2016 e Ouro no Pan de Lima 2019, Henry Boening, o Maguila, proeiro de Robert Scheidt e campeão da Star Sailors League, Pedro Trouche, campeão da Star Sailors League. Terá também jovens valores no barco comandado por Torben Grael como Nicholas Grael, filho de Lars, Giovanna Prada, filha do duas vezes medalhista de prata Olímpico, Bruno Prada (uma Prata e um Bronze).

Já são mais de 70 barcos confirmados dos estados de Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Santa Catarina e Bahia, o que praticamente dobra a estimativa inicial que era de 40. A organização é do Iate Clube de Santos e do Iate Clube do Rio de Janeiro com apoio da ABVO (Associação Brasileira de Veleiros de Oceano), da Prefeitura de Santos e da CBVela.

As disputas serão nas classes ORC, IRC, BRA-RGS e BRA-RGS Clássicos, Bico de Proa e Mini 6.50 e Multicascos com inscrições abertas. Mais detalhes pelo Aviso de Regata.

Acompanhamento online da 70ª Santos-Rio

A 70ª Santos-Rio poderá ser acompanhada online em tempo real pelo sistema SPOT Brasil, subsidiária da empresa americana Globalstar Inc, que fará o rastreamento dos veleiros. Após a disputa da 70ª Santos-Rio, será realizada a 51ª edição do Circuito Rio, entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, com organização do Iate Clube do Rio de Janeiro. O Circuito Rio valerá como o Campeonato Brasileiro da classe ORC.

Gostou desse artigo? Clique aqui para assinar o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e receba mais conteúdos.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Iate Custom Line Saetta, de 128 pés, é lançado na Itália

    Embarcação de luxo com casco planante foi construída pelo Grupo Ferretti e lançada ao mar em Ancona

    Conesul e Vale do Ivinhema: o novo horizonte do turismo náutico brasileiro

    Com planejamento e cooperação regional, rios do Mato Grosso do Sul abrem caminho para novos destinos náuticos e oportunidades de desenvolvimento sustentável

    Contagem regressiva! Salvador Boat Show chega à 3ª edição

    Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!