Ilhabela Sailing Week

Por: Redação -
11/07/2015

O Campeonato Brasileiro da classe C30, incluído neste ano na programação da Ilhabela Sailing Week, acabou nesta sexta-feira (10) com vitória do Loyal CA Technologies. Comandado por Marcelo Massa, o veleiro de Ilhabela obteve três vitórias em dez regatas e somou 18 pontos perdidos, contra 20 do vice Caballo Loco, de Mauro Dottori, que apesar de quatro primeiros lugares não foi tão regular. As medalhas de bronze ficaram com a tripulação catarinense do Zeus Team, de Inacio Vandresen.

As três regatas disputadas ao norte de Ilhabela tiveram rajadas de leste com até 16 nós (30 km/h), o que ajudou o Loyal a chegar ao quarto título em quatro campeonatos nacionais da C30 disputados até hoje. São quatro placas com o nome do Loyal afixadas na base da Taça de Prata de posse transitória. “Esse é o mais importante dos quatro títulos porque eu estava há quase um ano sem velejar. Foi sem dúvida a conquista mais valiosa, a volta por cima”, festejou Marcelo Massa.

Com a ausência do comandante e timoneiro nas últimas competições, o Loyal não estava cotado como o favorito. “Chegamos a ser considerados como carta fora do baralho, mas provamos que regata se ganha na água. Estou muito feliz”, desabafou Massa, emocionado. “Este era apenas o primeiro objetivo. A Ilhabela Sailing Week está aberta. Hoje vamos para decidir”, afirmou o comandante.

O atual campeão da C30 na Ilhabela Sailing Week é o Zeus, que ocupa a terceira colocação com 13 pontos perdidos. O Caballo Loco é o segundo, com dez, apenas dois pontos a mais do que o líder Loyal.

Na classificação geral, a RGS Cruiser está extremamente equilibrada. Os dois primeiros colocados, Boccalupo e Hélios II somam 14 pontos perdidos. BL3 e Petit Prince vêm a seguir com 19 cada. “Fizemos nossa melhor largada dos últimos cinco anos. Foi incrível. Chegamos na linha um segundo após o tiro de partida e passamos a alguns centímetros da CR. Um risco mortal”, relatou o tático e trimmer (regulador de velas), Campos Maia.

A partida do Hélios II foi tão eficiente que o Atrevida, muito maior, só conseguiu ultrapassá-los após a primeira boia. “Atribuo a vitória de hoje, no tempo corrigido, à harmonia da tripulação, principalmente ao Luiz Bolina” dedicou Maia. A outra regata do dia para a RGS Cruiser teve vitória do Boccalupo.

Na ORC, as vitórias ficaram por conta de Magia Energisa e Seu Tatá, no tempo corrigido. O novo líder da classe é o Itajaí Sailing Team com 12 pontos perdidos. O Seu Tatá, do Rio de Janeiro soma 12,5 enquanto o uruguaio Cristabella está com 13 pontos. “Estávamos atrás até hoje, mas o descarte nos favoreceu. Assumimos a ponta e agora tudo será decidido neste sábado”, considerou o tático e trimmer da equipe catarinense, Alexandre Back, após dois terceiros lugares.

O vice-líder Seu Tatá teve de se recuperar para vencer a segunda regata. A diferença de apenas um ponto entre os três primeiros colocados é garantia de emoção nas disputas finais. “Na primeira largada ficamos atrás e tivemos de arriscar no lado errado da raia. Quem estava na frente tinha preferência. Corrigimos os erros na segunda prova e vencemos. Quem errar menos neste sábado leva o campeonato”, analisou o Daniel Winter. “Vamos tentar velejar limpo, sem nos envolver com os rivais”, espera o trimmer do Seu Tatá.

Várias ações desenvolvidas neste ano pela parceria entre o Yacht Club de Ilhabela (YCI) e a Prefeitura Municipal contribuem para aproximar o público da principal competição de oceano do país.

A passagem da flotilha próxima ao píer da Vila será narrada por locutor que levará ao público local e aos turistas as informações sobre a competição, barcos e tripulações. Quem estiver em terra poderá acompanhar e entender a movimentação dos veleiros no Canal de São Sebastião. O desfile de competidores é tradição em cidades do mundo todo que tenham vocação náutica, conforme a Capital Nacional da Vela.

Líderes de cada classe até esta sexta-feira

ORC Geral – Itajaí Sailing (Marcelo Gusmão)
ORC A – Seu Tatá (Paulo Cesar Haddad.)
ORC B – Lucky V (Ralph de Vasconcellos Rosa)
ORC C To Nessa (Renato Faria)
IRC – Cristabella l(Martin Meerhoff)
C30 – Loyal/CA Technologies (Marcelo Massa)
Brasileiro de C30 – Campeão: Loyal/CA Technologies (Marcelo Massa)
HPE 30 – Thaiti Nui (Juninho de Jesus)
HPE 25 – Suzuki/Bond Girl (Rique Wanderley)
Clássico – Cangrejo (Ricardo Carvalho)
Mini – Jacaré (Pedro Fukui)
RGS A – Kalymera V (Antonio Carlos Paes Leme)
RGS B Asbar 2 (Sérgio Klepacz)
RGS C Rainha/Empresta Capital (Leonardo Pacheco)
RGS Cruiser Boccalupo (Claudio Melaragno)
Bico de Proa A – H2Orça (Hilpert Zamith)
Bico de Proa B Cocoon (Luiz Caggiano)
Star – Marcelo Bellotti/Pedro Bolder

Fotos Felipe Castellari e Marcos Méndez/SailStation

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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