Náutica Trip: de Itajaí à Ilha do Arvoredo

A bordo da nova Focker 355 GTS Explorer, o repórter Pedro Dias percorreu um dos trechos mais bonitos do litoral catarinense, em uma experiência que uniu navegação, mergulho e paisagens inesquecíveis

Por: Redação -
25/10/2026
Focker 355. Foto: Revista Náutica

Há viagens que começam no destino. Outras, no barco. Esta começou no mistério. E isso antes mesmo de o sol nascer por completo sobre a Marina Itajaí. Às 6h50 da manhã, o repórter Pedro Dias — o Pedrinho — chegou ao píer sem saber qual embarcação iria testar, muito menos para onde navegaria. A única certeza era que a equipe da Fibrafort havia preparado uma surpresa. O roteiro só começou a tomar forma quando Pedrinho avistou, ainda do cais, o casco verde da nova Focker 355 GTS Explorer, lançamento do estaleiro no São Paulo Boat Show 2025. Até então, ele conhecia o modelo apenas “em seco”, exposto no salão náutico paulistano. Agora, finalmente, teria o primeiro contato com a lancha em seu habitat natural.

Sobre a mesa da praça de popa, uma carta de boas-vindas, alguns presentes, café da manhã e as coordenadas do primeiro trecho da rota. O recado terminava com um convite da diretora de negócios da Fibrafort, Bárbara Martendal: ela aguardaria o embarque na Marina Atlântida, em Porto Belo, para seguir viagem em direção a uma nova surpresa.

Focker 355. Foto: Revista Náutica

Assista ao vídeo!

 

Primeiras milhas, primeiras impressões

O trajeto inicial entre Itajaí e Porto Belo tem cerca de 15 milhas náuticas — distância suficiente para um primeiro diagnóstico do comportamento da nova Explorer. E as impressões vieram rápido. Navegando entre 26 e 27 nós, com os motores girando na faixa de 4 100 a 4 200 rpm, a 355 GTS mostrou uma tocada esportiva, mas extremamente confortável. Em cruzeiro mais econômico, por volta de 3 800 rpm, manteve velocidades entre 23 e 24 nós, ainda em ritmo bastante agradável para um barco desse porte. Mas o que mais chamou atenção foi o casco. Segundo Pedrinho, a lancha corta as marolas “como uma faca”, graças ao “V” pronunciado na ponta da proa. Em vez de bater seco nas ondulações mais curtas e pontudas, a embarcação atravessa o mar com suavidade, transmitindo sensação de segurança e controle mesmo em velocidades mais elevadas.

Focker 355. Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Outro destaque ficou por conta do chine profundo do casco — elemento técnico fundamental no comportamento dinâmico da embarcação. Em náutica, chine é a quina formada na transição entre o fundo e as laterais do casco. Nas lanchas rápidas, essa linha influencia diretamente estabilidade, sustentação e até a forma como a água é desviada durante a navegação.

 

Na prática, o hard chine da Focker 355 atua como estabilizador em curvas, ajuda a manter o barco “preso” na água e ainda reduz respingos sobre o costado. Em velocidades maiores, também favorece o planeio, aumentando a sustentação hidrodinâmica do casco. “O barco continua muito na mão, muito firme”, observou Pedrinho durante o percurso. “Você joga para um lado, joga para o outro, e ele permanece estável, sem escapar.”

Focker 355. Foto: Revista Náutica

Mesmo com o mar relativamente calmo naquele início de manhã, algumas ondulações mais fortes apareceram entre Balneário Camboriú e Porto Belo — cenário suficiente para mostrar que o casco havia sido pensado justamente para aventuras mais longas em mar aberto.

O litoral catarinense no melhor estilo

Descrever o trecho entre Itajaí e Florianópolis sem cair em clichês é quase impossível. São enseadas protegidas, praias de águas transparentes, costões cobertos de Mata Atlântica e alguns dos melhores destinos náuticos do país. Navegar por ali é cruzar um corredor natural privilegiado, onde praticamente cada milha reserva um novo cenário digno de postcard. Passando por Balneário Camboriú, Porto Belo, Bombas e Bombinhas, o percurso até a Ilha do Arvoredo soma aproximadamente 28 milhas náuticas — cerca de 51 quilômetros em navegação costeira praticamente direta.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Bombinhas, aliás, tornou-se um dos destinos brasileiros mais procurados por turistas estrangeiros, segundo o Ministério do Turismo. Não por acaso. A região é conhecida como a Capital Nacional do Mergulho Ecológico e abriga cerca de 60% do território cercado pela Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, a única reserva marinha do Sul do país. Foi justamente para lá que a expedição seguiu após a parada na Marina Atlântida.

Destino revelado

Com Bárbara Martendal já a bordo, veio a revelação do destino final: a paradisíaca Ilha do Arvoredo. A partir dali, o mar ficou mais aberto, com mais vento e ondulação. Ainda assim, a Explorer manteve cruzeiro confortável na faixa dos 24 a 25 nós, reforçando a proposta do modelo: unir esportividade, conforto e autonomia para passeios mais longos. A aproximação da ilha impressiona. O arquipélago surge cercado por águas em tons de azul e verde-esmeralda, em uma paisagem praticamente intocada. Como a ilha faz parte de uma reserva biológica protegida, o desembarque em terra é proibido para visitantes comuns. A grande atração está justamente sob a superfície. Segundo Bárbara, a região concentra intensa vida marinha, incluindo tartarugas, golfinhos, corais e enorme diversidade de peixes — razão pela qual mergulhadores de todo o país consideram o Arvoredo um dos melhores pontos de mergulho do Brasil.

Foto: Revista Náutica

Sala de aula em pleno mar

A bordo da própria Focker 355 GTS Explorer, a praça de popa virou sala de instrução. Com apoio da equipe da High Brasil, Pedrinho participou de um “batismo” de mergulho autônomo. Antes da descida, recebeu explicações sobre os equipamentos, funcionamento do cilindro de ar pressurizado, procedimentos de segurança e comunicação subaquática. Entre nadadeiras, máscara, roupa de neoprene e sinais manuais, a aula mostrou como a Explorer consegue se transformar rapidamente em plataforma de lazer, mergulho ou convivência — exatamente a proposta do conceito Explorer. Pouco depois, veio a descida. O mergulho alcançou quase oito metros de profundidade e revelou um cenário repleto de peixes, corais e até lagostas. Mesmo sendo a primeira experiência de nosso repórter no mergulho autônomo, a adaptação foi rápida. “Foi espetacular”, ele resumiu ao voltar à superfície. “Achei que fosse me afobar mais, mas foi muito tranquilo.”

Pedro mergulhando. Foto: Revista Náutica
Pedro mergulhando. Foto: Revista Náutica
Pedro mergulhando. Foto: Revista Náutica

Churrasco, Starlink e clima de casa no mar

Se o mergulho foi o ponto alto da aventura, o pós-mergulho mostrou outra faceta da 355 GTS Explorer. Com ducha de água doce, espaço gourmet completo, churrasqueira, pia, geleiras e amplas áreas de convivência, a lancha assumiu clima típico de uma verdadeira varanda sobre o mar. O espaço gourmet chamou atenção pelas dimensões. A churrasqueira grande, os apoios laterais, a lixeira integrada e a distribuição dos módulos foram projetados para facilitar a vida a bordo sem comprometer circulação ou conforto dos convidados. “Parece espaço gourmet de barco de 50 pés”, comentou Pedrinho. A sensação de amplitude aparece em praticamente todos os ambientes da Explorer. O cockpit integrado privilegia a convivência, com sofás posicionados de forma a incentivar conversas e interação entre os passageiros. O barco acomoda até 14 pessoas durante o dia e quatro em pernoite.

Churrasco na Focker 355. Foto: Revista Náutica
Passeio na Focker 355. Foto: Revista Náutica

Outro diferencial importante apareceu justamente onde normalmente o celular perde sinal: no meio da reserva marinha. A Explorer já sai de fábrica equipada com sistema Starlink, permitindo acesso à internet mesmo em áreas afastadas da costa. Na prática, Bárbara continuava enviando orçamentos e trabalhando normalmente enquanto o barco permanecia fundeado na Ilha do Arvoredo.

Uma nova linguagem da Fibrafort

Ao longo do passeio, Bárbara explicou que a Focker 355 GTS Explorer inaugura uma nova fase de design da Fibrafort. O casco com linhas mais verticais na proa — próximo dos 90 graus — segue referências internacionais e amplia significativamente o espaço interno da cabine. A geometria também melhora a navegação, favorecendo estabilidade e suavidade nas passagens sobre marolas.

Foto: Revista Náutica

A embarcação testada utilizava dois motores centro-rabeta de 300 hp, embora o projeto aceite motorização entre 250 e 350 hp. Segundo o estaleiro, uma futura versão com motores de popa também já está confirmada, acompanhando a crescente demanda internacional por esse tipo de configuração.

 

Outro destaque é o hard-top robusto, que oferece sensação de proteção típica de uma lancha HT, mas mantendo ventilação semelhante à de modelos abertos. O para-brisa fechado opcional ajuda a proteger do vento e da chuva sem eliminar o fluxo natural de ar proporcionado pelas amplas passagens laterais.


O retorno com gosto de quero mais

No fim da tarde, após churrasco, mergulho e algumas horas fundeados diante da ilha, chegou a hora de voltar. O mar, já mais mexido na volta, serviu para um último teste da Explorer em condições menos dóceis. E, mais uma vez, o casco respondeu bem. “Pegamos aquele mar batido, chato, que costuma incomodar”, comentou Pedrinho. “E o barco se comportou super bem.” Talvez esse tenha sido justamente o grande mérito da viagem: mostrar que a proposta Explorer vai muito além do nome estampado no casco.

 

A experiência reuniu navegação esportiva, turismo náutico, mergulho, convivência e conforto em um dos trechos mais bonitos do litoral brasileiro — exatamente como deve ser um verdadeiro NÁUTICA Trip.

Focker 355. Foto: Revista Náutica
Focker 355. Foto: Revista Náutica
Focker 355. Foto: Revista Náutica
Focker 355. Foto: Revista Náutica
Focker 355. Foto: Revista Náutica
Focker 355. Foto: Revista Náutica
Focker 355. Foto: Revista Náutica
Focker 355. Foto: Revista Náutica

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