Santa Catarina: setor náutico cresce, mas sofre com falta de profissionais capacitados
VI Fórum de Capacitação Técnica da ACATMAR discutiu novos projetos que ampliam a necessidade de formação profissional qualificada


Na última terça-feira (20), ocorreu em Florianópolis o VI Fórum de Capacitação Técnica da Acatmar (Associação Náutica Brasileira / Associação Náutica Catarinense para o Brasil), que reuniu especialistas para discutir o crescimento do setor náutico em Santa Catarina e os principais desafios que impedem isso, como a falta de profissionais qualificados no mercado.
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De acordo com o presidente da Acatmar, Leandro “Mané” Ferrari, a qualificação profissional é uma das principais necessidades para sustentar o desenvolvimento da atividade náutica. Durante a abertura do evento, ele destacou que a escassez de mão de obra atinge diferentes segmentos, desde a indústria até o turismo náutico.
A gente sabe da falta de mão de obra que está no setor, e isso é em todas as instâncias, desde a indústria até o turismo náutico. Capacitar sempre foi um dos grandes lemas da Acatmar. Quando começamos esse Fórum, em 2014, foi justamente para isso – afirmou Ferrari
Um dos exemplos desse cenário é o Parque Marina Beira-Mar Norte, em implantação na capital catarinense. Segundo o secretário municipal de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação de Florianópolis, Juliano Richter Pires, o empreendimento deverá movimentar cerca de 600 embarcações, criando demanda por diferentes serviços especializados.


Formação de profissionais para o setor náutico
Outra iniciativa que ganhou destaque durante o encontro foi o projeto da Marina Escola do IFSC, desenvolvido em parceria com a Acatmar desde 2025. A proposta é criar, em Florianópolis, uma estrutura voltada à formação profissional e ao desenvolvimento de atividades ligadas à economia do mar.
Segundo Vinícius de Luca, diretor-geral do IFSC Câmpus Florianópolis-Continente, a Marina Escola está sendo planejada para uma área com quase 300 metros de orla, junto à instituição, e tem a proposta de se tornar a primeira da América Latina.
Estaleiros enfrentam escassez de mão de obra
A dificuldade para encontrar profissionais preparados também é percebida diretamente pela indústria. Amanda Remor, da área de marketing do Grupo Okean, patrocinador do Fórum, chamou a atenção para o crescimento dos estaleiros e o aumento do tamanho das embarcações, que exigem conhecimentos técnicos cada vez mais específicos.
O grupo, que mantém estaleiro em Itajaí, entregou recentemente sua centésima embarcação. Segundo a profissional, a média de tamanho dos barcos produzidos chegou a 61 pés, enquanto, há quatro ou cinco anos, ficava pouco acima dos 50 pés.
Cada vez que avançamos para embarcações maiores, precisamos de mais tecnologia e de mão de obra especializada. A indústria náutica é extremamente artesanal e depende muito das pessoas – contou Amanda


Tecnologia brasileira e sustentabilidade
A profissionalização do mercado náutico brasileiro também foi um dos temas tratados durante o evento. Januario Gagliardi, da JRG Trading, distribuidora oficial da Propspeed para a América Latina, participou do Fórum com a palestra “Menos craca, menos carbono”.
Com atuação no segmento desde 2011, ele avalia que a indústria brasileira alcançou um nível importante de desenvolvimento técnico e tecnológico.
Hoje temos empresas brasileiras exportando tecnologia, design e serviços. O mercado se profissionalizou muito nos últimos anos, mas ainda existem desafios. Compartilhar conhecimento é essencial, principalmente para estudantes e pessoas que nunca imaginaram que poderiam trabalhar nesse segmento – destacou Gagliardi
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