Iate Custom Line Saetta, de 128 pés, é lançado na Itália
Embarcação de luxo com casco planante foi construída pelo Grupo Ferretti e lançada ao mar em Ancona


O mercado náutico de luxo acaba de receber mais um iate de alto padrão: o Custom Line Saetta, de 128 pés, construído pelo Grupo Ferretti. A primeira unidade do modelo ganhou forma na Itália e foi lançada ao mar na cidade de Ancona ao final de setembro. Antes disso, porém, já teve três unidades vendidas ainda na fase de projeto.
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Novo iate de 128 pés do Grupo Ferretti
O Custom Line Saetta tem casco planante e é dividido em três conveses que prometem “uma experiência de cruzeiro única a bordo”, segundo o Grupo Ferretti. O luxo era de se esperar, afinal, em 128 pés de comprimento e boca máxima de 25 pés, há bastante espaço disponível. O estaleiro, no entanto, garante que a embarcação se mantém abaixo do limite de 300 GT.


Apesar de tanto espaço, a configuração desse iate de luxo foi desenhada para acomodar até onze convidados no pernoite com o máximo conforto. Para isso, há uma suíte principal à proa, três cabines VIP e uma cabine de hóspedes. Durante o dia, 20 convidados podem aproveitar a embarcação.
Para a tripulação, são quatro cabines que acomodam até seis tripulantes. O capitão, incluso na conta, tem seu espaço reservado à proa do convés inferior.
Potência e responsabilidade ambiental
O Custom Line Saetta é equipado com dois motores MTU de 2.638 hp cada que prometem uma navegação em cruzeiro a 19 nós com máxima de 22 nós. A velocidade econômica ocorre a cerca de 11 nós.


Além do luxo embarcado, o iate reforça o compromisso do Grupo Ferretti com a sustentabilidade ambiental. O Custom Line Saetta pode ser certificado com as normas IMO Tier III por meio da implementação de um sistema de Redução Catalítica Seletiva (SCR), que reduz as emissões de óxidos de nitrogênio em até 70%.
Estética do Custom Line Saetta 128′
O design exterior do iate de 128 pés é assinado pela SY Design e os interiores pela ACPV ARCHITECTS. Os estúdios criaram uma harmonia entre áreas internas e externas, especialmente por focarem no conforto e no bem-estar.


Por fora, a silhueta elegante conversa com amplas janelas com serigrafia que ampliam a vista da paisagem. Já por dentro, as formas suaves e os móveis com bases suspensas, que parecem flutuar, dão continuidade à fluidez do casco.
O conceito da primeira unidade do Custom Line Saetta se chama Perfect Mood (“clima perfeito”, em inglês). O estilo ostenta acabamentos em tons de chocolate e mocha, madeiras variadas, mármores brancos e papel de parede marfim. A estética final cria ambientes acolhedores e sofisticados.


Diferenciais do iate de 128 pés
Não bastassem os atributos expostos até aqui, o Custom Line Saetta tem outros diferenciais que o tornam ainda mais único. Entre eles, um sky lounge de aproximadamente 20 m², que se abre para um terraço de popa de 40 m².


O convés principal desse iate conta com um deck de popa de 33 m² que dá acesso ao salão principal, de 40 m², incorporado à área de jantar.
A suíte principal, à proa, vem com closet e um banheiro com janelas do chão ao teto, que ampliam a luz natural no ambiente. Também à proa fica uma área de convivência com sofás, espreguiçadeiras e banheira de hidromassagem.


O lançamento do Custom Line Saetta 128′ já com três unidades vendidas reforça a atração do mercado por itens náuticos de luxo que equilibram desempenho e navegação consciente.
Imagens do lançamento 1º iate Custom Line Saetta 128′






















Imagens internas do iate de 128 pés














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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!



