São Paulo Boat Show 2026 expõe marcas para quem busca adrenalina e diversão em água e terra

Maior salão náutico da América Latina reuniu fabricantes de jets, pranchas elétricas e veículos off roads. Conheça!

Por: Nicole Leslie -
29/09/2026
Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A 29ª edição do São Paulo Boat Show reuniu dezenas de expositores e, entre eles, muitas marcas para quem é fã de adrenalina e diversão — em água e em terra firme. Entre as marcas expostas no evento, os visitantes puderam conhecer fabricates de jets, pranchas elétricas e até veículos off roads para diferentes perfis.

Entre as marcas, Edy Jet’s, Kawasaki, Sea-Doo e Usina do Jet ofereceram produtos para quem curte motos aquáticas. Já CF Moto e Super Buggy representaram os fãs da adrenalina em terra firme. Aos que procuravam pranchas elétricas, JetSurf, Rise Efoil e SKULD ofereceram variedades e, por fim, o SeaCar uniu a adrenalina à estética marcante na água.

Adrenalina e diversão em água e terra no São Paulo Boat Show 2026

CF Moto

Já tradicional no São Paulo Boat Show, a CF Moto apostou em uma estratégia ousada para essa edição do vento: a apresentação antecipada de três veículos da linha 2027, mesmo sem data para lançamento e sem valor final. Apesar disso, o Head de Marketing Renato Ferri contou que o público tem se mostrado receptivo às novidades pelo histórico da marca de ofertar preços competitivos.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Segundo Ferri, a linha 2027 da CF Moto traz uma geração totalmente nova de off roads com novos motores, novo câmbio, novo design e direção elétrica, além de outras evoluções e ainda mais potência. No evento, a marca trabalhou com quatro revendas e tem tido um bom resultado, que promete “superar todas as metas de outros anos”.

Edy Jet’s

A Edy Jet’s escolheu marcar sua estreia no São Paulo Boat Show com o lançamento do Raptor Jet 300, seu primeiro jet do portifólio. O produto promete se diferenciar por oferecer o conforto de uma lancha mesmo com a propulsão de um jet (hidrojato).

Raptor Jet 300. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Para Camilla Duarte, sócia da marca, o Raptor Jet 300 tem 20,5 pés de comprimento e pode receber até nove pessoas. A embarcação conta com itens de série como tanque de água doce de 80L, dois tanques de combustível de 70L cada, churrasqueira, pia, geleira, âncora elétrica, toldo, deck estendido e iluminação em LED.

Camilla Duarte. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Além do lançamento, a Edy Jet’s exibiu também três modelos de seus tradicionais cascos expansores para jet. O produto promete se adaptar à maioria dos jets do mercado os transformando em embarcações maiores. No estande, os visitantes puderam ver de perto o Raptor 16, o Raptor 23 e o River Boat.

JetSurf

Com a proposta de unir surf, automobilismo e aventura, a JetSurf participou do São Paulo Boat Show para divulgar suas pranchas elétricas. No salão, a novidade foi a Flitescooter, uma prancha com fibra de carbono e foil. O produto conta com guidão removível e uma prancha inflável que oferece mais estabilidade.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Kawasaki

A Kawasaki reforçou sua presença no mercado brasileiro com cinco jet skis. A marca, que havia interrompido a venda de seus produtos no país, descreveu o salão náutico como “sensacional”, com uma boa receptividade do público às motos aquáticas.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Rise Efoil

Em seu terceiro ano no São Paulo Boat Show, a Rise Efoil considerou este o melhor evento de todos, com “muito movimento desde o primeiro dia”, conforme João Cavalheiro, sócio-diretor da marca.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

A Rise fabrica pranchas com foil elétrico e exibiu dois modelos no evento: o Rise One, mais procurado por famílias, e o Rise Speed, para quem busca ainda mais adrenalina e velocidade. No salão náutico, a marca também lançou uma nova bateria para o sistema, que é mais leve e duradoura, prometendo mais leveza a bordo da prancha.

Sea-Doo

A principal promessa da Sea-Doo para este São Paulo Boat Show foi o jet inspirado em Ayrton Senna. Posicionado ao centro do estande, o barco se tornou o centro das atenções do espaço e tem chamado bastante atenção no salão, segundo Cristiano Azevedo, proprietário de uma revenda da marca.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Segundo Azevedo, é a primeira aparição pública do produto após o lançamento pelas redes sociais. Além da aparência marcante, o jet inspirado em Ayrton Senna se destaca pelo motor, que “faz de zero a 100 km/h em 3,1 segundos” — o que tem deixado o público “alucinado” no evento.

SeaCar

A terceira participação da SeaCar no São Paulo Boat Show tem sido “fantástica”, segundo o diretor James Góes. O executivo conta que o estande recebeu muitas visitas para conferir o lançamento SeaCar Velocity.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Os barcos da marca chamam atenção pelo design completamente disruptivo e inspirado no automobilismo. Não à toa, as embarcações parecem verdadeiros automóveis na água. Os diferenciais do modelo exibido no salão náutico estão no motor, na economia e no custo-benefício do produto, de acordo com Góes.

SKULD

A SKULD estreou no São Paulo Boat Show com suas pranchas elétricas que, segundo o representante Rodrigo Matos, “não poluem o meio ambiente e são totalmente sustentáveis”.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

No estande, a marca exibe pranchas elétricas de fibra de vidro nas cores branco e preto e oferece explicações sobre o produto. Para Matos, a presença da SKULD no evento tem sido uma grande oportunidade de ampliar sua visibilidade no mercado náutico.

Super Buggy

Em sua estreia no São Paulo Boat Show, a Super Buggy exibiu dois veículos off road de alto padrão: o Street TSE e o Cross TSE. Entre eles, o destaque é o Street TSE, que permite personalizar a cor dos bancos e incluir uma série de acessórios que o tornam ainda mais luxuoso, enquanto o Cross TSE é o modelo de entrada da marca.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Usina do Jet

A Usina do Jet marcou presença no São Paulo Boat Show com a oferta de expedições náuticas de jet e off roads no Brasil e no exterior. A empresa promove o o estilo de vida de quem aproveita a adrenalina sobre as águas e também fora dela.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Em seu espaço no salão náutico, a Usina do Jet oferece explicações sobre os passeios e travessias, que, segundo o diretor Gabriel Macedo, “é uma experiência única”.

São Paulo Boat Show 2026

O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, incluindo botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.


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SÃO PAULO BOAT SHOW 2026

Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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