Governo da Bahia investe US$ 78 milhões na construção de estruturas náuticas na Baía de Todos os Santos


Se já é um privilégio navegar na Bahia, com todas as bênçãos da Baía de Todos-os-Santos, imagina se a maior baía tropical do mundo ganhar uma infraestrutura náutica de primeiro mundo. É o que começa a acontecer a partir de novembro de 2019, quando se inicia a construção da Base Náutica da Penha, a primeira de uma série de intervenções destinadas a fazer da Bahia um dos melhores destinos náuticos do país.
O projeto faz parte do Prodetur, Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo. Com financiamento do BID, estão sendo investidos pelo governo do estado, na gestão de Ruy Costa, nada menos que US$ 78 milhões. São garagens, atracadouros, bases e rampas de acesso ao mar, num total de 14 intervenções, sendo 13 náuticas e uma cultural — a restauração do Museu Wanderley Pinho, que fica em Candeias, um dos municípios do Recôncavo Baiano.
“O turista poderá navegar até Candeias, atracar no píer que será construído no local e visitar o Museu do Pinho, que será totalmente reformado”, conta William Pickett, da Setur Bahia, Secretaria Estadual de Turismo, que está divulgando o projeto durante o São Paulo Boat Show 2019, dentro da exposição Destinos Náuticos. “No total, 18 municípios do Recôncavo serão beneficiados. A Base Náutica da Penha, na Ribeira, e o Atracadouro do Museu de Arte Moderna, já estão licitados, fazendo da navegação e dos atrativos culturais programas complementares. O segundo lote terá os envelopes abertos agora em outubro”, acrescenta Marcos Miranda, da Setur Bahia, também presente na exposição Destinos Náuticos.
Além de Salvador, a Baía de Todos-os-Santos é composta pelos municípios de Cachoeira, Candeias, Itaparica, Jaguaripe, Madre de Deus, Maragojipe, Nazaré, Salinas da Margarida, Santo Amaro, São Félix, Muritiba, São Francisco do Conde, Aratuípe, Muniz Ferreira, Saubara, Vera Cruz e Simões Filho, todos envolvidos no projeto, que — executado pela Setur, do secretário Fausto Franco — deverá estar totalmente concluído num prazo de dois anos.


Para ajudar os visitantes do São Paulo Boat Show 2019 a conhecer alguns dos melhores lugares do Brasil para navegar, o salão náutico paulista apresentará a segunda edição da exposição Destinos Náuticos, um espaço exclusivamente criado para promover localidades com vocação náutica. São lugares com atrativos para todos os gostos.
O maior salão náutico indoor da América Latina chega em sua 22ª edição em 2019, reunindo os principais lançamentos e destaques do setor em um só lugar. São iates, lanchas, veleiros, jets, motores, equipamentos, acessórios e muito mais para o público acompanhar até a próxima terça-feira, 24 de setembro, no São Paulo Expo.
Como já é tradição, o Espaço dos Desejos traz os lançamentos dos produtos mais cobiçados do mercado de luxo, de relógio a helicóptero. No pavilhão Destinos Náuticos, os visitantes poderão conhecer lugares paradisíacos e participar de um bate papo com velejadores sobre suas viagens incríveis. Por mais um ano, o PADI Dive Festival acontecerá simultaneamente ao São Paulo Boat Show, apresentando produtos, serviços, palestras e atrações voltadas para o mergulho. O São Paulo Boat Show traz, ainda, a mostra Tesouros Náuticos, com cerca de 20 barcos clássicos, entre lanchas e veleiros, para o público conhecer e se encantar. O São Paulo Boat Show 2019 tem organização Boat Show Eventos, patrocínio Bradesco Private Bank, co patrocínio Metalu Brasil, e com apoio da Revista Náutica e da Acobar.
São Paulo Boat Show 2019
Data: De 19 a 24 de setembro
Local: São Paulo Expo
Horários: 19/9, das 15h às 22h
Dias de semana, das 13h às 22h
Fim de semana, das 12h às 22h
24/9, das 13h às 21h
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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