Barco histórico restaurado pode servir de espaço para memória da navegação Amazônica

Por: Redação -
11/05/2022

O histórico barco a vapor Benjamin, cuja última viagem foi em 1995 pelas águas do Rio Negro, pode ser transformado em um importante espaço de memória da navegação na Amazônia, caso haja interesse do poder público ou da iniciativa privada em investir na sua recuperação. Pelo menos essa é a expectativa de seu proprietário, Dahilton Cabral. Ele diz que está aberto a parcerias e que um Memorial da História da Navegação na Amazônia, tendo Benjamin como símbolo, seria um atrativo turístico a mais, além do valor histórico. As informações são do portal da revista local Cenarium.

“O Benjamin está sendo recuperado na parte das chapas, que foram trocadas. Inclusive, ele flutua. A ideia é que ele volte a funcionar. Estamos abertos a projetos de turismo para nossa região. Se tivermos algum tipo de apoio financeiro, poderíamos acabar a reforma desse importante navio histórico, um marco para a navegação a vapor na Amazônia. O investimento no turismo é a longo prazo. Eu estou sempre aberto para parcerias para nossa terra”, diz Cabral, que também é proprietário do primeiro barco a vapor do Amazonas, o Justo Chemont.

Com 55 metros da proa à popa e nove metros de altura, Benjamin começa a ser recuperado após quase três décadas repousando em meio a um capinzal e muito lixo, na orla da Avenida Lourenço da Silva Braga, conhecida como Manaus Moderna. Foi muito importante para o transporte de passageiros e de produtos do extrativismo entre o Acre e o Amazonas.

Lançado nas águas em 1905, fez a primeira viagem em 1912, “batizado”, inicialmente, de Baturité. Movido a lenha, foi construído nos Estados Unidos, por encomenda da empresa de navegação Nicolaus & Cia.

O tradicional vapor tem uma forte história ligada ao Estado do Acre, pois, no período áureo da borracha, entre o século 19 e o século 20, fez centenas de viagens levando mantimentos e famílias entre o trajeto Belém – Rio Branco – Belém, sempre passando por Manaus. Apesar de não ter mais capacidade de fazer grandes viagens, como antigamente, pode servir à sociedade novamente como um atrativo, símbolo da época áurea da borracha na Amazônia, de quando navegava pelos três Estados.

Cabral também é proprietário do Justo Chermon, um barco de 48m², construído em 1895 na Inglaterra. “No passado, levamos turistas e mercadorias de extrativismo até o seringal, no Rio Negro”, conta. Para ele, ambos os barcos são parte de sua própria história. “O passado é um legado da história de que vivi. E eu tenho um amor pela preservação da história. Vi os bondes sendo levados como sucata para o sul do País. Vi também pedaços dos bondes jogados na beira do rio. Um passado que jogamos fora. Os navios são uma joia rara”.

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