Lars Grael e Guilherme Almeida confirmam título Brasileiro de Star 2021

Por: Redação -
13/07/2021

A dupla Lars Grael e Guilherme de Almeida conquistou mais um Brasileiro de Star, neste domingo (11), no Yacht Club de Santo Amaro (YCSA), em São Paulo. O resultado consolida o medalhista olímpico como maior vencedor da classe no país, com 10 títulos. Já o proeiro Guilherme de Almeida, comemorou seu terceiro campeonato na categoria mais vitoriosa em Olimpíada.

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O evento reuniu 13 duplas e foram disputadas cinco regatas desde o feriado. O vice-campeonato ficou para Marcelo Fuchs e Arthur Lopes. A medalha de bronze foi para Robert Rittscher e Marcelo Jordão.

A chave para a vitória de Lars Grael e Guilherme de Almeida foi o desempenho no primeiro dia de campeonato, na sexta-feira (9). Os velejadores não deram chances aos adversários e ganharam todas as três provas na Represa do Guarapiranga.

No sábado (10), os ventos não apareceram e apenas uma regata foi realizada com vitória de Marcelo Fuchs e Arthur Lopes. Os campeões ficaram em quarto lugar. No último dia, no domingo (11), novamente o tempo não colaborou!

Mas a comissão de regatas presidida por Fábio Bochiarelli achou condições para fazer uma prova no fim da tarde. Lars e Guilherme fecharam em terceiro lugar e confirmaram a conquista no YCSA. Com a entrada do descarte, Lars e Guilherme ganharam por cinco pontos de frente para o segundo colocado.

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”Campeonato com organização impecável do 7º Distrito da Classe Star e do YCSA, que é um ótimo anfitrião. Evento que reuniu 13 barcos, mas com nível técnico muito alto, com campeões mundiais e sul-americanos. Foi uma disputa muito boa e a gente teve uma vantagem no primeiro dia de vencer três regatas e administrar nos outros dias”, disse Lars Grael.

Guilherme de Almeida celebrou a conquista em São Paulo e, principalmente, a parceria com Lars Grael. Os dois também devem correr a Semana de Vela de Ilhabela de Monotipos, entre os dias 16 a 18 de julho.

“Só alegria! Foi uma campeonato bacana e disputado. A Represa do Guarapiranga surpreendeu. Conseguimos fazer cinco regatas, bastante parelhas na montagem de boia e difíceis. Décimo brasileiro do Lars e é um orgulho de estar do lado dele nesse nosso bicampeonato junto. Espero que venham outros daqui pra frente”, ressalta Guilherme de Almeida.

”Demos sorte de conseguir as cinco regatas nos três dias. A previsão não era boa, mas fizemos. Foi um campeonato bastante competitivo do segundo ao quinto. A classe mostrou sua força durante uma pandemia colocando 13 barcos na água”, explicou Arthur Lopes, secretário nacional do 7º Distrito de Star.

Além da Semana de Vela de Ilhabela, a classe Star se organiza para a realização do Sul-Americano, que será no fim do ano, também no litoral norte de São Paulo com 30 barcos esperados.

Resultados finais
1º – Lars Grael / Guilherme de Almeida – 6 pontos perdidos
2º – Marcelo Fuchs / Arthur Lopes – 11 pontos perdidos
3º – Robert Rittscher / Marcelo Jordão – 15 pontos perdidos
4º – Juninho de Jesus / Ubiratan Matos – 16 pontos perdidos
5º – Alessandro Pascolato / Henry Boennig – 18 pontos perdidos
6º – Admar Gonzaga / Ronald Seifert –  20 pontos perdidos
7º – Wagner Bojlesen / Bruno Ruthenberg – 26 pontos perdidos
8º – Daniel de LaTorre (ARG) / Eduardo Sampaio – 26 pontos perdidos
9º – Maurício Bueno / Pedro Trouche – 28 pontos perdidos
10º – Alberto Guarischi / Pedro Tinoco – 29 pontos perdidos
11º – Roberto Martins / Marco Lagoa – 43 pontos perdidos
12º – Jorge Bhering / Gustavo Kunze – 44 pontos perdidos
13º – Marco Szili / Kasuo Miyake – 48 pontos perdidos

Lista dos últimos campeões

2021 – Lars Grael / Guilherme de Almeida
2020 – Lars Grael / Guilherme de Almeida
2019 – Lars Grael / Samuel Gonçalves
2018 – Torben Grael / Arthur Lopes
2017 – Lars Grael / Samuel Gonçalves
2016 – Torben Grael / Arthur Lopes
2015 – Lars Grael / Samuel Gonçalves
2014 – Torben Grael / Guilherme de Almeida
2013 – Lars Grael / Samuel Gonçalves
2012 – Lars Grael / Samuel Gonçalves
2011 – Lars Grael / Samuel Gonçalves
2010 – Robert Scheidt / Bruno Prada

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    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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