Classe C30 é atração na Semana de Vela de Ilhabela e no Brasileiro
Com dois dos principais títulos da temporada em disputa, a Classe C30 correrá a 48ª Semana de Vela de Ilhabela e a segunda e decisiva etapa do Campeonato Brasileiro, iniciado em janeiro, em Florianópolis. As regatas válidas por ambas as competições serão realizadas de 25 a 31 de julho, com sede no Yacht Club Ilhabela.
Inscreva-se no canal de NÁUTICA no YouTube e ATIVE as notificações
A Semana de Vela sofreu um hiato em 2020 devido à pandemia. No ano anterior, 2019, o Caballo Loco, de Ubatuba, conquistou o título inédito na competição, enquanto o Kaikias Via Itália, de Ilhabela, venceu pela primeira vez o Campeonato Brasileiro. Em 2020, após a etapa de Florianópolis no início do ano, o Brasileiro foi decidido em Ilhabela, porém, ao final da temporada, na última etapa da Copa Suzuki, com o Caballo Loco chegando à sua primeira conquista nacional.
Neste ano, o Brasileiro segue totalmente aberto com os cinco primeiros colocados separados por apenas dois pontos perdidos: Caballo Loco (12), Corta Vento (12), Katana Portobello (13), Zeus Team (13) e Kaikias Via Itália (14). A novidade da Classe C30 neste ano será o Kairós (ex-Mais Realizado), de Ilhabela, com a nova tripulação correndo a Semana de Vela pela primeira vez na C30. Corta Vento, Katana e Zeus são de Florianópolis.
Leia também
» Dúvidas sobre os itens de salvatagem da Refeno? Confira aqui a lista de obrigatoriedades
» Equipe brasileira de vela chega ao Japão para a disputa dos Jogos Olímpicos
» 48ª Semana de Vela de Ilhabela estreia sistema ORC customizado para cada tipo de regata
Natural de Ilhabela, Beto de Jesus, timoneiro do Kaikias, exalta o retorno da Semana de Vela. “Estamos ansiosos e felizes pela volta do campeonato de oceano mais importante da América Latina, além disso, teremos também o Campeonato Brasileiro. A ideia é de treinarmos o máximo possível até sábado, a fim de testarmos e ajustarmos velas e equipamentos”.
O experiente velejador lembra que houve mudanças recentes na tripulação do Kaikias Via Itália. “Também precisamos treinar manobras e evoluirmos no geral. O campeonato é longo, o que exige entrosamento da equipe. As regatas da Classe C30 são intensas e faremos de tudo para vencer. Sabemos que virá pedreira pela frente, mas se Deus quiser vai dar tudo certo”, espera Beto de Jesus.
A competição será aberta no domingo (25) com a tradicional Regata Alcatrazes por Boreste em homenagem à Marinha do Brasil. Para a Classe C30, a Semana de Vela começará com a Regata Ilha de Toque-Toque e seguirá até sábado (31). O Campeonato Brasileiro terminará na sexta-feira (30). São esperados mais de cem barcos das Classes C30, HPE 25, ORC, BRA-RGS, Clássicos, Bico de Proa, Multicascos e Mini Transat.
Circuito Ilha de Santa Catarina (1ª etapa do Brasileiro)
1 – Caballo Loco (Mauro Dottori): 1+6+1+4 = 12 pontos perdidos
2 – Corta Vento (Daniel de Matos): 4+2+4+2 = 12 pp
3 – Katana Portobelo (Cesar Gomes Neto): 2+3+DNF(7)+1 = 13 pp
4 – Zeus Team (Inácio Vandresen): 3+4+3+3 = 13 pp
5 – Kaikias Via Itália (Eduardo Mangabeira): 5+1+2+6 = 14 pp
6 – Iron Lady (Marcelo Bernd): 6+5+5+5 = 21 pp
Os Campeões Brasileiros da Classe C30
2012 – Loyal – 06 (Marcelo Massa) – Grêmio de Vela Ilhabela (GVI)
2013 – Loyal – 06 (Marcelo Massa) – GVI
2014 – Loyal – 06 (Marcelo Massa) – GVI
2015 – Loyal – 06 (Marcelo Massa) – GVI
2016 – Zeus Team – 08 (Inácio Vandresen) – Iate Clube S. Catarina (ICSC)
2017 – Katana Portobello – 07 (Cesar Gomes Neto) – ICSC
2018 – Caiçara UV.Line – 09 (Pablo Lynn) – Pindá Iate Clube (Ilhabela – PIC)
2019 – Kaikias Via Itália – 03 (Eduardo Mangabeira) – Yacht Club Ilhabela
2020 – Caballo Loco – 01 (Mauro Dottori) Ubatuba Iate Clube (UIC)
Não perca nada! Clique aqui para receber notícias do mundo náutico no seu WhatsApp.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades
Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina




