Com votação direta, CBVela elege nova comissão de atletas
Mais uma demonstração de democracia na Confederação Brasileira de Vela (CBVela). Nesta segunda-feira, dia 14, foi anunciado o resultado da eleição para a nova Comissão de Atletas da entidade. Por meio do voto direto, mais de 250 velejadores escolheram seus representantes na Confederação, que terão mandato até o fim de 2020. Foram eleitos: Bruno Prada (94 votos), Isabel Swan (71), Samuel Albrecht (67), Bruno Bethlem (62) e Bruno Fontes (60). Veja abaixo um perfil de cada um deles.
A eleição da Comissão de Atletas foi realizada de forma online, no período de 7 a 13 de agosto. O voto era facultativo. Tinham direito a participar do pleito os atletas que tivessem mais de 15 anos e registrados nas suas Federações Estaduais. O número total de votantes foi de 280. Cada eleitor podia votar em até cinco dos 21 candidatos inscritos. Houve dois votos em branco.
“É um marco para a história da vela brasileira conseguir que as pessoas se envolvam e participem da administração da Confederação, que foi criada e é feita para os atletas. Gostaria de parabenizar os cinco eleitos. É uma Comissão diversificada, com velejadores dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Tem atletas que estão em campanha olímpica e outros que já não estão mais em campanha, mas têm muita experiência para dividir com a gente. Estamos muito satisfeitos em poder contar com todos eles”, afirmou Daniel Santiago, diretor executivo da CBVela, ao fim da apuração.
Pioneira, a Confederação Brasileira de Vela aprovou em abril mudança no estatuto e tornou-se a primeira entidade do esporte olímpico brasileiro a abrir sua eleição presidencial para o voto direto dos atletas, técnicos, oficiais de regata e medalhistas olímpicos.
“É um momento superimportante para a vela, esse espaço que a Confederação está abrindo para os velejadores participarem das decisões, sobretudo em relação às partes administrativa e técnica”, disse Henrique Haddad, atletas do Brasil na classe 470 nos Jogos Rio 2016, que acompanhou a apuração como representante dos velejadores.


Confira o perfil dos cinco integrantes da Comissão de Atletas:
Bruno Prada
Classe: Star
Estado: São Paulo
Destaques:
- Prata nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 (classe Star)
- Bronze nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 (classe Star)
- Quatro vezes campeão mundial da classe Star (2007, 2011, 2012 e 2016)
Isabel Swan
Classe: Nacra 17
Estado: Rio de Janeiro
Destaques:
- Bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 (classe 470 feminina)
- 10º lugar nos Jogos Rio 2016 (classe Nacra 17)
- Escolhida para integrar a Comissão de Atletas do COB em 2017
Samuel Albrecht
Classe: Nacra 17
Estado: Rio Grande do Sul
Destaques:
- 10º lugar nos Jogos Rio 2016 (classe Nacra 17)
- 17º lugar nos Jogos Pequim 1008 (classe 470 masculina)
Bruno Bethlem
Classe: Snipe
Estado: Rio de Janeiro
Destaques:
- 23º lugar nos Jogos Rio 2016 (classe 470 masculina)
- Duas vezes campeão mundial da classe Snipe (2009 e 2013)
- Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo 2003 (classe Snipe)
Bruno Fontes
Classe: Laser
Estado: Santa Catarina
Destaques:
- 13º lugar nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 (classe Laser)
- 27º lugar nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 (classe Laser)
- Prata na Delta Lloyd Regatta 2011 (classe Laser)
- Prata na Copa do Mundo de Miami 2012 (classe Laser)
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!




