Espaço dos Desejos reúne helicóptero, carros de luxo e soluções de mobilidade no São Paulo Boat Show 2026

Espaço apresenta marcas que dialogam com o lifestyle náutico, de aeronaves e automóveis a mobilidade elétrica e empreendimentos imobiliários

29/09/2026
Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O São Paulo Boat Show 2026 amplia a experiência para além das embarcações com o Espaço dos Desejos, área que reúne marcas associadas ao luxo, à mobilidade e ao estilo de vida do público náutico. Nesta edição, o espaço apresenta helicópteros, carros esportivos, veículos elétricos, soluções de mobilidade aérea, serviços ópticos e projetos imobiliários. A proposta acompanha o perfil de consumidores que, além dos barcos, buscam produtos e experiências para diferentes momentos da vida.

HBR Aviação

A HBR Aviação leva ao evento o Robinson R88, em sua segunda aparição no Brasil, segundo a empresa. O helicóptero é um dos destaques da fabricante Robinson, que apresenta o modelo como uma aeronave de nova geração, com capacidade para até oito passageiros.

Foto: Alexandre Battibugli/ Revista Náutica

 

Para Uri Araújo, diretor comercial da HBR Aviação, a presença no Boat Show aproxima a empresa de um público que tem forte conexão com a aviação. “Existem clientes que têm barco e helicóptero, mas dificilmente há um cliente que tem helicóptero e não tem barco”, afirma.

Ford

A Ford apresenta dois modelos no espaço: um Mustang e a picape F-150. Enquanto o esportivo dialoga com o interesse por performance, a picape tem uma relação mais direta com o universo náutico por sua capacidade de reboque.

Foto: Alexandre Battibugli/ Revista Náutica

A F-150 conta com o sistema Pro Trailer, assistente que facilita manobras de alinhamento e estacionamento do veículo com o reboque — recurso que a própria Ford destaca entre as tecnologias da picape. “A F-150 também tem um lado prático para quem tem embarcação”, resume Wilson de Bos Oliveira, instrutor técnico da marca.

Aston Martin

A Aston Martin São Paulo expõe o DB12 S, primeiro exemplar do modelo recebido no Brasil, além do McLaren Artura Spider 2026. O DB12 S, apresentado pela marca como uma versão de maior desempenho do grand tourer, tem motor V8 biturbo de 4 litros, com 700 cv e 800 Nm; no Brasil, o preço da versão Coupé parte de R$ 3,5 milhões.

Foto: Alexandre Battibugli/ Revista Náutica

A participação da marca no Boat Show busca alcançar consumidores de grandes embarcações. Segundo Alexandre Luiz Medeiros Silva, executivo de vendas da Aston Martin São Paulo, o perfil do público náutico se aproxima do consumidor de automóveis de alto desempenho e luxo.

Revo

A mobilidade aérea também ganha espaço com a Revo, que apresenta sua operação atual de helicópteros e o projeto de entrada dos eVTOLs da Eve Air Mobility. A empresa tem acordo para adquirir até 50 aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, destinadas às operações de mobilidade aérea urbana.

Foto: Alexandre Battibugli/ Revista Náutica

Enquanto a nova tecnologia não entra em operação, a Revo atua com helicópteros como os Airbus H155 e H135, oferecendo serviço door to door, com transporte terrestre até o heliponto. Entre os destinos atendidos estão Guarulhos, litoral norte, Ilhabela, Juqueí, Angra dos Reis e a região de Paraty.

Ecoolmove

No segmento de mobilidade elétrica, a Ecoolmove apresenta o Big Cart Sport Premium, carrinho elétrico de golfe desenvolvido para resorts, clubes e condomínios de alto padrão. O modelo está disponível em versões para até quatro ou seis pessoas, de acordo com a fabricante.

Foto: Alexandre Battibugli/ Revista Náutica

A empresa também leva ao evento soluções para uso corporativo, capazes de transportar pessoas e cargas, além de uma moto elétrica autopropelida voltada à mobilidade urbana. Segundo Paulo Roberto Gonçalves Rabibe, gerente de marketing da Ecoolmove, os veículos buscam atender tanto deslocamentos em grandes complexos privados quanto operações logísticas de empresas.

Miguel Giannini

A experiência de luxo chega também aos cuidados com a visão. A Miguel Giannini apresenta soluções ópticas esportivas com grau, incluindo óculos para natação e mergulho. A empresa trabalha com lentes personalizadas para diferentes modalidades esportivas, além de soluções para ciclismo, corrida e outros esportes.

Foto: Alexandre Battibugli/ Revista Náutica

Segundo Daniele Souza, consultora técnica óptica da marca, a confecção de lentes para máscaras de mergulho é um processo artesanal e personalizado.

Hurbana

O mercado imobiliário também está representado no Espaço dos Desejos pela Hurbana, que apresenta o projeto Novo Bocaiúva, em Florianópolis. Segundo a representante da construtora no evento, o empreendimento prevê três prédios — dois residenciais e um comercial —, além de áreas de lazer e uma conexão por passarela com a marina prevista para a região.

Foto: Alexandre Battibugli/ Revista Náutica

O projeto está inserido na transformação urbana da região da Rua Bocaiúva, onde a Hurbana já mantém a Casa Hurbana como espaço de convivência, gastronomia e cultura.

São Paulo Boat Show 2026

O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, passando por botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.


Anote aí!

SÃO PAULO BOAT SHOW 2026

Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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