Jet em Minas


O paulistano Valdir Brito Júnior e o paraguaio Anselmo Cuello dominaram sete categorias no 29º Campeonato Brasileiro de Moto Aquática, disputado de quinta-feira, 26, a domingo, 29, na Represa de Furnas, em Boa Esperança. Pelo 19º ano consecutivo a cidade do Sul de Minas Gerais recebeu o evento, que contou com 55 pilotos inscritos. Mais uma vez milhares de pessoas de toda região compareceu para prestigiar os competidores dos Estados de São Paulo, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Distrito Federal, além de convidados do Uruguai e Paraguai.
O campeão e vice de cada categoria também estão pré-qualificados para disputar o Campeonato Mundial, programado para o período de 1º a 9 de outubro, em Laka Havasu, no Arizona (EUA). O 29º Campeonato Brasileiro de Moto Aquática foi marcado pelo retorno e estreia de vários pilotos.
As disputas acirradas do 29º Campeonato Brasileiro de Moto Aquática aconteceram sob muito sol e calor. Foram 22 categorias e uma maratona de baterias, que exigiram bastante dos pilotos. Valdir Brito Júnior, que já havia sido campeão em 2015 na Runabout Pro Turbo GP chegou a Boa Esperança como sério candidato ao título e acabou confirmando esse favoritismo, vencendo as quatro baterias disputadas. Na segunda colocação ficou seu irmão Umberto, outro destaque do evento. O terceiro colocado foi Lauro Dessmesell, do Paraguai.
Júnior também garantiu o título na Runabout Pro Turbo Limited terminando a disputa com 26 pontos, mesma pontuação de Umberto, que ficou em segundo pelo critério de desempate. O terceiro colocado foi o paranaense, radicado no Paraguai, Magno Scremin. O paulistano ganhou ainda a Super Course Pro Turbo Limited, seguido por Bruno Reis, do Distrito Federal e Heraldo Estrella, de Porto Alegre (RS).
“O saldo foi bastante positivo nesse campeonato, pois conquistei três títulos e meu irmão outros dois, além de fazermos dobradinhas em duas categorias. Estreamos os equipamentos, que corresponderam plenamente”, ressaltou Valdir Brito Júnior.
Já Anselmo Cuello, não poderia ter feito melhor estreia no 29º Campeonato Brasileiro de Moto Aquática, levando quatro títulos para casa, nas categorias Runabout Pro Aspirado Limited, Runabout Pro Aspirado GP, Super Course Pro Aspirado Limited e Super Course Pro Aspirado GP.
Umberto Brito foi outro destaque na disputa em Boa Esperança, garantindo os títulos na Super Course Pro Turbo GP, que teve como segundo colocado o baiano Luan Silveira Trindade, de Salvador e o paulista Gildo Teixeira, de Campinas. O paulistano ainda garantiu o título na Super Course Pro Turbo Stock.
Os representantes de Boa Esperança dominaram as categorias do Freestyle (manobras livres). Bruno Lima foi campeão entre os amadores, enquanto Miller Tiso Marques levou a melhor na Pro, seguido pelo conterrâneo Geraldo Savanhani e o paulista Arthur Pacini.
Os campeões do 29º Campeonato Brasileiro de Moto Aquática são: categoria Ski Vintage GP – Alessandro Silva – Rio de Janeiro (RJ); Sport Vintage GP – Jamel Mahamed Auada – São Paulo (SP); Ski Aspirado Stock – Luís Marquez Filho – Araraquara (SP); Ski Aspirado GP – Davi Prado – Goiânia (GO); Runabout Estreante e Novatos Aspirado Stock – Agnaldo Fagundes – São Paulo (SP); Runabout Estreante e Novatos Turbo Stock – Edgar Martinez; Runabout Pro Aspirado Stock – Erik Teixeira – Campinas (SP); Runabout Pro Aspirado Limited – Anselmo Cuello – Paraguai; Runabout Pro Aspirado GP – Anselmo Cuello – Paraguai; Runabout Pro Turbo Stock – Jeferson Gomes – São Paulo (SP); Runabout Pro Turbo Limited – Valdir Brito Júnior – São Paulo (SP); Runabout Pro Turbo GP – Valdir Brito Júnior – São Paulo (SP); Super Course Estreantes e Novatos Aspirado Stock – Agnaldo Fagundes – São Paulo (SP); Super Course Estreantes e Novatos Turbo Stock – Marcos Oliveira – São Paulo (SP); Super Course Pro Aspirado Stock – Erik Teixeira – Campinas (SP); Super Course Pro Aspirado Limited – Anselmo Cuello – Paraguai; Super Course Pro Aspirado GP – Anselmo Cuello – Paraguai; Super Course Pro Turbo Stock – Umberto Brito – São Paulo (SP); Super Course Pro Turbo Limited – Valdir Brito Júnior – São Paulo (SP); Super Course Pro Turbo GP – Umberto Brito – São Paulo (SP); Freestyle Amador – Bruno Lima – Boa Esperança (MG); Freestyle Pro – Miller Tiso Marques – Boa Esperança (MG).
Foto: Denny Cesare
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.



