Náutica 372
Em dezembro, NÁUTICA comemorará 33 anos, período em que se consolidou como referência do setor. Mas comecei antes disso, na verdade. Precisamente em novembro de 1981, com o lançamento da revista MAR, que, depois, incorporou a Vela e Motor, gerando assim a Mar, Vela e Motor, que, por sua vez, deu lugar à atual NÁUTICA. É um longo caminho, que me deixa ainda mais orgulhoso ao olhar para trás e confirmar que a revista ajudou a construir e fortalecer o mercado náutico nacional.
Durante todo esse tempo, NÁUTICA nunca deixou de circular regularmente. Mas, neste 2020 de tantos contratempos e desafios, provocados pela pandemia de Covid-19, não teve jeito. Como você deve ter percebido, NÁUTICA ficou ausente das bancas durante alguns meses. Aliás, que bancas? Porque essas também saíram da rotina, permanecendo fechadas durante a quarentena.
Mas isso não significa que ficamos distantes de nossos leitores, fãs e seguidores. Longe disso. No período sem revista, entramos na era das transmissões ao vivo, promovendo uma série de lives, com milhares de acessos simultâneos, no YouTube e no Facebook. Foram mais de 40 entrevistas, conectando donos de barcos com os principais atores do setor náutico do país: prefeitos, secretários de turismo, presidentes de estaleiros, proprietários de marinas e outros prestadores de serviços náuticos.
Ao mesmo tempo, nossas plataformas digitais foram turbinadas. Com a publicação de reportagens exclusivas, artigos técnicos e testes inéditos de barcos (em texto e vídeos), nosso www.nautica.com.br, que está completando 20 anos, sempre com notícias atualizadas diariamente, ultrapassou 1 milhão de visitantes, marca significativa para um portal segmentado. Também, nesse período, mantivemos contato diário com nossos leitores por meio do WhatsApp, com o envio de boletins náuticos, desenvolvemos uma série especial no Instagram, com depoimentos (em vídeo) de donos de barcos, relatando suas experiências náuticas durante o período de isolamento, e ainda iniciamos uma série especial no Twitter, com preciosas dicas sobre navegação, para marinheiros iniciantes e de muitas viagens.
O sucesso de NÁUTICA depende, antes de tudo, de ser relevante aos seus leitores. Seja com conteúdo digital ou impresso. Para isso, reunimos uma equipe de jornalistas que se empenha em apresentar um grande leque de informações de credibilidade. Na revista, o sucesso depende também de inúmeras outras pessoas envolvidas na sua impressão, comercialização, distribuição e entrega. E das agências de publicidade e anunciantes, que reconhecem a importância da revista e tanto contribuem para viabilizá-la com seus belos e informativos anúncios.
A versão impressa de NÁUTICA, essa grande joia, continua sendo parte importantíssima dos nossos planos, como você pode conferir abaixo, cheias de reportagens deliciosas, resultado de um grande empenho para valer a sua preferência.
Boa navegação!
Conheça os principais destaques da edição 372 de Náutica:


Frank Gehry
Os fabulosos prédios-esculturas inspirados em velas de barcos.


Island Garden
Uma das mais badaladas marinas de superiates dos Estados Unidos.


Jun Sakamoto
Navegamos e cozinhamos com o sushiman número 1 do Brasil.


Lamborghini
A entrada da desejada marca italiana no mundo náutico.


Phantom 400
A nova versão da desejada lancha do estaleiro Schaefer Yachts.


Marambaia
O que há no trecho mais inacessível do litoral entre São Paulo e Rio.


Roberto Justus
O apresentador revela o prazer de navegar em sua Azimut 30 Metri.


Sessa F5X
O estaleiro Sessa Marine revela novas imagens de sua nova lancha.


Seven Marine
Testamos, em Miami, os novos motores de popa da Volvo Penta.


Teste Evolve 360
Uma lancha moderna e com pernoite para até seis pessoas.


Teste Intermarine 62
A embarcação tem tudo o que é necessário para longos (e gostosos) períodos no mar.


Ventura V195
Uma lancha com banheiro e que custa pouco mais de R$ 100 mil.


Donas do mar
Seis velejadoras contam como trocaram a casa por um barco.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!




