NÁUTICA Talks em Itajaí: palestras acontecem em barco de 36 metros; veja a programação
Painéis são celebrados no auditório da embarcação movida a hidrogênio JAQ H1, nos dias 3 e 4 de julho, durante o Boat Show


O Marina Itajaí Boat Show, maior salão náutico do Sul do país, começa nesta quinta-feira (2) e segue até domingo (5). Neste ano, o evento contará com uma atração especial: o NÁUTICA Talks. O circuito de palestras, que passou pelos Boat Shows do Rio e de São Paulo, atraca em Itajaí em grande estilo, com programação dentro do auditório do JAQ H1, embarcação de 36 metros movida a hidrogênio verde.
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Na sexta-feira (3) e no sábado (4), o JAQ H1 será o palco de painéis voltados a temas como as políticas públicas para o setor náutico, os impactos da The Ocean Race para a cidade, os números da Economia do Mar em Santa Catarina e a capacitação profissional para atender às demandas do segmento. Tudo isso dentro de um barco que atua como vitrine tecnológica e educacional para a descarbonização do setor.


Apresentado durante a COP30, em Belém (PA), o JAQ H1 foi projetado para operar com emissão praticamente zero de carbono, uma vez que usa células de combustível para converter hidrogênio em energia elétrica, alimentando seus sistemas de propulsão e operação. O JAQ ainda atua como uma espécie de “barco-escola” voltado à capacitação de profissionais e estudantes em tecnologias limpas, com a proposta de acelerar a transição energética na navegação.
Confira a programação do NÁUTICA Talks em Itajaí
DIA 03/07
15H — PAINEL: ECONOMIA AZUL — INOVAÇÃO, DEFESA E SUSTENTABILIDADE
Um debate sobre os desafios e as oportunidades que estão transformando a Economia do Mar por meio da inovação, da sustentabilidade e da Base Industrial de Defesa.
Painelistas:
- Patricia Mattos — Gestora Estadual do Projeto Economia Azul do Sebrae;
- Jeancarlo Gorges — Procurador do Município de Itajaí;
- Michele Castilho — Coordenadora do Projeto Limpeza dos Mares, Diretora de Turismo e Sustentabilidade da ACATMAR e consultora do Programa Bandeira Azul.
- Mediação: Rodrigo Bonfanti — Secretário de Desenvolvimento Econômico de Itajaí.
17H — CASE: THE OCEAN RACE — ITAJAÍ STOPOVER
Os bastidores de um evento global e os impactos gerados para a economia, o turismo, os negócios e a projeção internacional de Itajaí.
Painelistas:
- Robison Coelho – Prefeito Municipal
- André Sandri – Chefe de Gabinete
- Gabriela Kelm – Secretária Municipal de Turismo e Eventos
- Rodrigo Flamia – Diretor da Secretaria de Turismo
- Mediador: Luiz Lerner – Secretaria de Comunicação de Itajaí
18H — APRESENTAÇÃO: OS NÚMEROS DA ECONOMIA DO MAR DE SANTA CATARINA
Apresentação da Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina — Seplan/Governo do Estado.
- Palestrante: Lucas Amancio — Secretário Adjunto de Estado do Planejamento.
19H — PALESTRA: O Instituto Federal de SC E A CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL PARA O SETOR NÁUTICO
Formação, qualificação e preparação de profissionais para atender às demandas da Economia do Mar.
Palestrantes:
- Prof. Dr. Benjamin Teixeira — Diretor-Geral do Câmpus Itajaí do IFSC;
- Prof. Dr. Vinicius De Luca Filho — Diretor-Geral do Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC e coordenador do Projeto Marina-Escola.
DIA 04/07
15H — PAINEL: O MAR COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO DAS CIDADES
Políticas públicas, infraestrutura e novos caminhos para fortalecer a Economia do Mar.
Painelistas:
- Augusto Heinemann Gassenferth — Secretário de Cultura e Turismo de Joinville;
- Rodrigo Bonfanti Campos, Secretário de Desenvolvimento Econômico de Itajaí
- Rene Meneses — Subsecretário de Turismo de Florianópolis (a confirmar);
- Ernani Paciornik — Presidente do Grupo Náutica.
- Mediação: Mané Ferrari.
16H — PAINEL: UMA AGENDA NACIONAL PARA O SETOR NÁUTICO BRASILEIRO
Políticas públicas e ações estratégicas para o fortalecimento da Economia do Mar.
Painelistas:
- Senador Esperidião Amin — Presidente da Frente Parlamentar da Economia do Mar – Setor Náutico do Senado Federal;
- Eduardo Colunna — Presidente da ACOBAR;
- Ernani Paciornik — Presidente do Grupo Náutica.
- Mediação: Mané Ferrari — Presidente da ACATMAR — Associação Náutica Brasileira.
17H — PAINEL: A CADEIA PRODUTIVA NÁUTICA DE ITAJAÍ
Estaleiros, fornecedores, serviços e as oportunidades para o crescimento do setor na cidade.
- Roberto Paião, Grupo Okean Yachts
- Carlo Alberto Sisto, Azimut Yachts
- Barbara Martendal, Fibrafort
- Mediação: Mané Ferrari, presidente da Acatmar
18H — PALESTRA: JAQ H1 — INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE NA NAVEGAÇÃO
19H — PALESTRA: EXPERIÊNCIAS E DESAFIOS DA NAVEGAÇÃO A VELA
Palestrante: Cláudio Copello.
Marina Itajaí Boat Show 2026
De 2 a 5 de julho, as águas da Baía Afonso Wippel, em Santa Catarina, receberão a 4ª edição do Marina Itajaí Boat Show. O evento reúne embarcações, motores, acessórios e equipamentos náuticos, além de empreendimentos e outras marcas que conversam com quem vive o lifestyle náutico.


Os ingressos para a 4ª edição do maior salão náutico do Sul do país estão à venda e disponíveis pelo Sympla e leitores NÁUTICA têm 30% off do ingresso único (entrada inteira): basta inserir o código promocional NAUTICA30 antes de finalizar a compra.
Anote aí!
Quando: de 2 a 5 de julho de 2026;
Horário: quinta e sexta-feira, das 14h às 21h; sábado e domingo, das 11h às 21h; no último dia (5) o evento se encerra às 20h;
Onde: Marina Itajaí (Av. Carlos Ely Castro, 100 – Centro, Itajaí – SC, 88301-445);
Mais informações: site do evento;
Ingressos: site oficial de vendas.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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