Preparação

Por: Redação -
12/03/2015

As provas mais famosas sempre foram a Vendée Globe e a Volvo Ocean Race. Ambas acontecem de quatro em quatro anos — como a Copa do Mundo e as Olimpíadas —, mas essa é a única semelhança entre elas. A Vendée é disputada por navegadores solitários, que partem da costa da França, contornam a Antártida e voltam para o local da largada sem nenhuma escala no caminho – dura aproximadamente 90 dias. Essa é talvez a prova mais difícil do iatismo, mas a Fórmula 1 dos mares é, sem dúvida, a Volvo Ocean Race. A competição dura oito meses — cruzando os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico —, tem onze escalas ao redor do mundo, os barcos são os mais modernos do planeta e, para bancar essa estrutura toda, as equipes são patrocinadas por grandes empresas — com investimentos que passam a cifra de 20 milhões de dólares por equipe. Além disso, a Volvo (que até 1998 chamava-se Whitbread Round the World Race) é a competição de volta ao mundo mais antiga. A primeira edição rolou em 1973, organizada pela Marinha Real Britânica, que viu a regata como um ótimo desafio para os seus oficiais, até aquele ano, poucos veleiros tinham conseguido cruzar o cabo Horn (ao sul da América do Sul). O cabo continua sendo considerado um grande desafio, graças aos icebergs e às ondas que normalmente podem chegar a mais de 10 metros.

Whitbread deu início as regatas oceânicas. Em uma reunião de experientes velejadores em 1971 surgiu o embrião da regata Whitbread, um competição ao redor do mundo que seria, na época, o maior desafio dos sete mares. Uma corrida para ser comparada com a escalada ao pico do Everest. Nunca foi exigido tanto dos equipamentos e tripulantes em uma regata.

Em 1973, competição que foi viabilizada graças ao apoio financeiro da Whitbread, que deu o nome à prova, e da British Royal Naval Sailing Association, largou de Portsmouth, na Inglaterra, deu a volta no globo, passou pelo Rio de Janeiro e retornou ao porto de origem. Ao total, 19 barcos largaram com média de 11 tripulantes, mas apenas 14 chegaram no fim.

A competição aconteceu de três em três anos até 1998, quando deu lugar à Volvo Ocean Race.

A partir de 2001, a Volvo Personvagnar AB, fabricante sueco de veículos e motores, passou a patrocinar a prova, dando origem ao nome atual da regata.

O percurso da regata tem sofrido alterações ao longo dos anos, mas basicamente consiste numa largada da Europa com destino à África do Sul, daí até a China, depois à Austrália, depois a perna mais longa até o Brasil, depois aos Estados Unidos e de volta à Europa.

As equipes foram no decorrer dos anos se profissionalizando e mudando sua forma de atuar nas regatas.

Antigamente as funções a bordo eram executadas por amadores e se restringiam a tarefas que eram executadas em escalas com grandes períodos de descanso.

Era comum nas paradas da Withbread encontrar tripulantes com a mochila prontos para embarcar, no caso de alguma desistência.

A grande mudança aconteceu em 1985, quando um grupo de velejadores franceses que velejavam de monotipo, organizaram uma tripulação e venceram no tempo corrigido com o barco “O Espírito de Equipe”.

Foi uma mudança de paradigma, pois a partir desta edição, este foi o modelo, velejadores experientes fazendo múltiplas funções, como navegação, planejamento, cozinha, etc.

Hoje não basta ser bom velejador e possuir conhecimentos, é preciso ter experiência e principalmente passar por uma infinidade de provas e treinamentos com o time até ser escolhido. Muitas vezes este processo, tarda mais que a própria regata.

E então? Pronto para embarcar?

Foto: Divulgação/Volvo Ocean Race

 

Nelson Ilha é especialista em regatas e veleiros. Velejador da classe Soling é, também, juiz de regatas da Federação Internacional de Vela

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Náutica Responde: barco parado gasta combustível?

    Entenda quais situações fazem uma embarcação consumir combustível mesmo sem sair do lugar e o que pode ajudar a reduzir esse gasto

    Empresa usa IA para caçar tesouros no fundo do mar e procura “pirata” com salário de até R$ 2,6 milhões

    AE Studio quer contratar especialista em navegação e mergulho para recuperar cargas de naufrágios antigos apontados por inteligência artificial em registros coloniais espanhóis

    Por dentro do novo iate do Neymar: Bruna Biancardi revela interiores do Enejota; veja!

    Esposa do craque santista postou as primeiras filmagens da embarcação e exibiu diversas áreas do barco; confira as fotos

    "Delicioso para beber": especialista dá detalhes de champanhe encontrado em naufrágio de 160 anos

    Pesquisadores acreditam que a bebida teria sido destinada à corte do czar Alexandre II, da Rússia

    Brasileira que viajou mais de 60 vezes no cruzeiro da Disney recebe homenagem em ilha da empresa

    Luciana Misura, especialista em cruzeiros da companhia, ganhou uma placa com seu nome em Castaway Cay após completar 50 viagens com a Disney