Real 60 Luxury lançada durante o São Paulo Boat Show 2019 vai para a água. Confira


A Real 60, primeiro modelo da linha Luxury do estaleiro carioca Real Power Boats, lançada durante o São Paulo Boat Show 2019, acaba de ir para a água. Com design moderno, esta lancha com flybridge foi projetada para unir sofisticação, funcionalidade e desempenho.
Ao embarcar, a popa impressiona pela sua ampla área. Ali, pode ser criado um ambiente de aproveitamento juntamente ao espaço gourmet, que inclui pia, geleira e churrasqueira, e ocupa praticamente toda a largura da popa da lancha, a não ser pela escada de acesso a bombordo. Logo em seguida, a praça de popa – com 14 m² – vem com um sofá que se une à mesa de jantar – que pode ser dividida em duas mesas ou utilizada como uma mesa grande – com capacidade de 8 a 10 pessoas. Na praça de popa, além de duas geleiras para bebidas, está sendo lançada uma petisqueira e uma champanheira térmicas.
O interior possui cozinha e bar na entrada do salão, sala de estar e jantar com sofás e mesa com tampo de vidro, e comando principal com banco duplo para piloto e copiloto a boreste. A Real 60 Luxury exposta no salão náutico paulista traz acabamentos mais claros e vasto uso de espelho em seus espaços, o que acaba tornando o ambiente mais clean e com a sensação de espaço.
Fotos: Divulgação
O acesso ao convés inferior é tradicional, por uma escada central, e leva aos três camarotes que compõem o layout deste lançamento – um camarote duplo, com camas de solteiro, a boreste; uma suíte de proa com cama de casal e banheiro conversível que atende, também, ao camarote de boreste; e a suíte principal, ocupando toda a boca (largura) da embarcação. Ambos os banheiros contam com box fechado e, em todos os cômodos, o pé-direito é de, no mínimo, 1,90 m. Finalizando com uma espaçosa suíte de marinheiro, procurando trazer conforto a todos a bordo.
Subindo para o fly, que conta com toda a área – com exceção de parte do solário – coberta por um T-top de fibra, proporcionando mais conforto, pode-se encontrar um segundo posto de comando também com banco duplo, amplo solário, sofá em U com mesas com porta-copos e pia. Nesta área, foi aplicado um acabamento de estofado diferenciado, ideal para áreas externas do barco. Na proa, um solário com encostos rebatíveis promete tornar os passeios de barco ainda mais agradáveis.
A navegação conta com a tecnologia de fundo Hydrolift System, que promete tornar a navegação mais suave, macia, econômica, gerando ainda um ganho de performance. “Outro destaque da Real 60 Luxury é a questão da performance e do consumo, porque é um barco que anda na mesma velocidade que a concorrência, até um pouco mais rápido, e consome 40% a menos”, afirmou Paulo Thadeu, presidente do estaleiro. A lancha é equipada com dois motores Cummins de 600 hp de potência e custa a partir de 5 milhões.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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