Semana de Vela de Ilhabela: confira os resultados acumulados do 3º dia
Quarta-feira (23) contou com ventos favoráveis e tarde de premiações aos vencedores de Alcatrazes e Toque-Toque


Dessa vez, o vento não recusou o convite para participar do 3º dia da 52ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval. Com direito a tarde de premiações das regatas Alcatrazes e Toque-Toque — que aconteceram no primeiro dia de regatas –, o evento teve uma tarde cheia de disputas nesta quarta-feira (23).
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O Crioula, de Eduardo Plass, subiu duas vezes ao palco do Yacht Club de Ilhabela, realizador do evento, para receber os troféus das classes ORC Geral e da divisão ORC Performance. A equipe gaúcha também recebeu a honraria Fita Azul, dada ao primeiro velejador a cruzar a linha de chegada.
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Além das premiações, a 52ª Semana de Vela de Ilhabela entrou no 3º dia de disputas — desta vez, com ventos mais favoráveis. Com sol forte e sopros sul-sudoeste com rajadas de até 20 nós (aproximadamente 37km/h), os 120 velejadores largaram dentro do canal de São Sebastião. Confira os resultados acumulados do 3º dia de Semana de Vela de Ilhabela:
ORC
- Crioula 52 (Eduardo Plass) – 68,20 pontos;
- +Bravíssimo (Luciano Secchin) – 57,30 pontos;
- America del Sur (Pablo Maffei) – 56,10;
- Xamã (Sergio Klepacz) – 52,10;
- Phytoervas (Marcelo Augusto Bellotti) – 51,10.
BRA-RGS
- Zeus (Paulo Fernando Moura) – 68 pontos;
- Catuana Kim (Paulo Cocchi) – 68 pontos;
- Kia Kaha II (Fabio Kohler Harkot) – 67 pontos;
- Comanda (Sebastian Menendez) – 59 pontos;
- Cosa Nostra (Luciano Gubert) – 58 pontos.
RGS-Cruiser
- Blue Wind (James Bellini) – 101,30 pontos;
- Invocado (Marco Polo de Mello Lopes) – 92,50 pontos;
- BL3 Urca (Clauberto Andrade) – 88,90 pontos;
- Mandachuva (Mario Sorensen Garcia) – 66,00 pontos;
- Kon-Tiki (Michael Downey) – 63,10 pontos.
Clássicos
- Kameha Meha (Xavier Marie Georges) – 53,80 pontos;
- Vendetta (Marco Nico D’ippolito) – 49,30;
- Chancegger (Fred Paim) – 45,80;
- Fuga III (Fabiana de Souza Leite) – 45,40;
- Pepa XIX (Carlos Frederico Hackerott) – 45,20.
C30
- Kaikias EMS (Daniel Hilsdorf) – 29,30 pontos;
- Relaxa Building (Thomas Funari Negrão) – 24,70 pontos;
- Bravo C30 (Jorge Berdasco) – 24,50 pontos;
- Tonka (Demian Pons) – 23,40 pontos;
- Loyalty 06 (Alexandre Leal) – 16,60 pontos.
Equipes
- 3 Ventos (+Bravíssimos – ORC, Zeus – BRA-RGS, Invocado – Cruiser) – 86 pontos;
- Remax Pindá BL3 (Lucky Alphorria – ORC, Avohai – BRA-RGS, BL3 Mangalô – Cruiser) – 74 pontos;
- Apoena (Saci – ORC, Marlim – BRA-RGS, João das Botas – Cruiser) – 63 pontos;
- Manguaças (Boto V – ORC, Mais Rabugento – BRA-RGS, Mamanguá – Cruiser) – 44 pontos;
- Caiçara (Xamã – ORC, Bora Bora – BRA-RGS, Bossa Nova – Cruiser) 43 pontos.
A principal competição de vela da América Latina volta as águas já nesta quinta-feira (24), às 12h, com regata para todas as classes. Todos os resultados oficiais e atualizados de cada categoria podem ser conferidos aqui.
Agenda da Semana de Vela de Ilhabela 2025
19 de julho (sábado)
- Das 9h às 22h: Credenciamento (todas as classes);
- 13h: Regata Vela do Amanhã (todas as classes);
- 17h: Reunião de Comandantes (todas as classes);
- 17h30: Coquetel de boas-vindas (todas as classes);
- 19h: Abertura oficial da SIVI 52.
20 de julho (domingo)
- Das 8h às 16h: Credenciamento (todas as classes);
- 10h30: Desfile dos barcos (todas as classes);
- 11h20: Apresentação da esquadrilha da fumaça (todas as classes);
- 12h20: Largada da Regata de Alcatrazes por Boreste – Marinha do Brasil (classe ORC);
- 12h30: Largada da Regata Ilha de Toque-Toque por Boreste (classe C30);
- 12h40: Largada da Regata de Alcatrazes por Boreste – Marinha do Brasil (classes RGS A e B);
- 12h40: Largada da Regata Ilha de Toque-Toque por Boreste (classes BRA-RGS C; RGS CRUISER A, B e C; CLÁSSICOS A, B E C).
21 de julho (segunda-feira)
- Dia livre.
22 de julho (terça-feira)
- 12h: Regata Mitsubishi – Eduardo de Souza Ramos (todas as classes);
- 17h: Premiação da regata do dia.
23 de julho (quarta-feira)
- 12h: Regatas (todas as classes);
- 17h: Premiações das Regatas de Alcatrazes, Toque-Toque e do desfile.
24 de julho (quinta-feira)
- 12h: Regatas (todas as classes);
- 17h: Confraternizações no Yacht Club de Ilhabela (todas as classes).
25 de julho (sexta-feira)
- 12h: Regatas (todas as classes);
- 20h: Premiações do Campeonato Brasileiro de Classes C30;
- 20h20: Premiação da regata por equipe;
- 20h30: Premiação da Classe Soto 40.
26 de julho (sábado)
- 12h: Regatas (todas as classes);
- 19h: Premiação da SIVI 52.
O evento é apresentado pelo Banco Daycoval e realizado pelo Yacht Club de Ilhabela em parceria com a Prefeitura de Ilhabela. Conta ainda com o apoio da Marinha do Brasil e o patrocínio de empresas privadas.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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