Sem saber velejar e distante do mar, mineiro realiza sonho de construir o próprio veleiro

Por: Redação -
22/02/2021
Na foto, Moacir ao lado do sonho - Imagem: Acervo pessoal

Fortuna de Minas é uma pequeno município no estado de Minas Gerais que contém pouco mais de 3 500 habitantes, próximo a cidade de Sete Lagoas. Lá, além da típica beleza natural, há um tesouro: a fortuna pessoal de Moacir Fonseca, de 69 anos, que vive com a esposa em um sítio na cidade desde 2012. 

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Antes de se mudar, Moacir tinha um sonho antigo que acumulava poeira dentro de uma gaveta, mas que nunca perdeu o brilho em seu imaginário: um Multichine 23. Quando se mudou, ele enxergou no sítio a oportunidade de, enfim, iniciar a construção do projeto adquirido em um longínquo ano de 1993. 

“Os percalços da vida me impediram de construir o veleiro. Sempre trabalhando ou viajando, não tinha tempo. Além do tempo, o sítio meu deu espaço. Eu não tinha espaço para construir”, conta Moacir que fez de seu quintal uma oficina, carinhosamente chamada de estaleiro. 

No estaleiro de Moacir, aos poucos, o veleiro passou a ganhar forma – Imagem: Acervo pessoal

Sendo assim, 20 anos depois de comprar o projeto do escritório Roberto Barros Yacht Design, a construção pôde ser iniciada. No começo, ela aconteceu apenas aos finais de semana. Apesar da idade, Moacir ainda não estava completamente desligado do trabalho. Entretanto, em 2019, ele se aposentou e focou apenas na produção do veleiro. 

Devido a uma certa experiência, Moacir, que é engenheiro elétrico, realizou toda a construção sozinho, do casco ao guarda mancebo, sendo ajudado apenas na laminação e pintura.

“Cada corte e cada erro que tem no barco é meu. Se der problema, não posso culpar ninguém”, brinca.

A “demora” para consolidar a construção do projeto fez bem ao resultado final. O mineiro nascido em Vespasiano, na grande Belo Horizonte, pensou tanto no seu veleiro que já sabia como otimizar cada detalhe do barco. Por dentro, ele nem parece ter 23 pés.

Além de uma cama de casal na proa, há também duas camas de solteiro na popa: uma a boreste, outra a bombordo. Fora isso, existe até um espaço exclusivo para guardar cerveja, logo na popa, próximo ao cockpit. 

Ao fundo, o camarote de proa – Imagem: Acervo pessoal

Portanto, depois de sete anos de construção e 20 de espera, o veleiro “Bizuka” está quase finalizado, faltando apenas uma revisão no motor — um Volvo Penta 23 hp usado — e a parte elétrica do barco.

“É IGUAL AQUELE DITADO: CASA DE FERREIRO, ESPETO DE PAU. EU SOU ENGENHEIRO ELETRICISTA E O QUE FALTA É A PARTE ELÉTRICA”. 

Esse dia foi o mais emocionante: amigos e familiares ajudaram a virar o casco – Imagem: Acervo pessoal

Ainda assim, mesmo vivendo a 500 quilômetros do litoral mais próximo, não é a distância do mar que preocupa o construtor. “Eu nunca velejei. Só tinha entrado uma vez num veleiro”, disse Moacir e ainda detalha que fez a quilha com um leme mais curto, para navegar como se fosse um barco a motor. 

“Sem uma preparação adequada eu fico receoso. Ainda farei um curso de vela para aproveitar 100% do barco. Mas, por enquanto, o motor que vai me levar”. 

Bizuka quase pronto para cair na água – Imagem: Acervo pessoal

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Além disso, o plano de Moacir é não deixar o Bizuka em um lugar fixo. “Marina é caro e me deixa amarrado em um único lugar”. Como o Multichine 23 pode ser facilmente transportado, a ideia é de velejar onde der vontade.

“A vela em Minas ainda é incipiente. Mas, estou a poucas horas de represas como Três Marias e Furnas. Posso ir a Brasília velejar no Lago Paranoá, para o litoral de São Paulo… Não faltam opções”. 

Paciência e perseverança, duas palavras-chave para o resultado final – Imagem: Acervo pessoal

Desde que adquiriu o projeto do Bizuka, que se chama assim em uma homenagem aos seus pais, que se chamavam carinhosamente por “Bizuka”, Moacir não tinha nada para construir o veleiro. Nem tempo, nem espaço. Do mesmo modo, nunca parou de sonhar. “Nunca saiu da minha cabeça construí-lo, esse sonho tinha que ser realizado. Agora é curtir meu veleiro. Acabando essa pandemia eu quero cair na água”, finaliza Moacir.

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