Teste jet Sea-Doo 170 Wake 2020: maior, mais potente e cheio de novos recursos


Feito para quem gosta de esportes náuticos de reboque, o Wake 170 oferece os recursos necessários para a prática de wakesurf, esqui e wakeboard, pelo preço bem mais acessível do que uma lancha própria para a atividade. Bem, mas isso já era possível com a versão anterior, a Wake 155, que trazia torre retrátil para esqui (pode ser embutida quando não estiver em uso), suporte removível para pranchas, alça no assento, manoplas de apoio e descanso para os pés do garupa. O Wake 170 dá um bom salto à frente.
Redesenhada e com cores novas (azul e amarelo), a versão 2020 da linha Wake — assim como os modelos GTI — ganhou recursos como uma plataforma de popa maior, mais plana, estável e confortável (ideal para embarque, descanso e preparação para a prática de esportes), assento de três lugares mais confortável (e com formato que permite ao observador acompanhar o esportista em suas manobras), novo painel, compartimento estanque para telefone celular, porta usb, compartimento frontal ampliado (agora com capacidade de 161 litros), espelhos grande angular, suporte para a prancha, gancho de reboque e escada de embarque dobrável.


O casco também é de Polytech GEN2, leve e resistente, embora — no caso do Wake 170 — o peso tenha aumentado de 335 quilos para 339 quilos, por conta dos acessórios. Além disso, este jet pode ser equipado com sistema de áudio Bluetooth de 100 watts à prova d’água, engate rápido LinQ, torre de esqui e suporte removível para wakeboard com ponto alto de reboque, que mantém o cabo fora da água. Sem contar o controle de trim variável (que permite abaixar ou elevar a proa, de acordo com a superfície do mar) e o sistema de aceleração progressiva.


O tanque de combustível tem 60 litros, ao contrário do irmão maior deste jet, o Wake Pro 230, que ganhou o tão desejado tanque de 70 litros. Já o pacote de som está disponível para as duas máquinas. Vale a pena solicitá-lo como item de fábrica, pois custará menos do que instalá-lo depois. O coração desta máquina é um motor Rotax 1630 ACE tricilíndrico com 170 hp, que garante 20% a mais de aceleração, comparado ao motor anterior de 155 hp. Daí o nome Sea-Doo Wake 170.
O novo motor de 170 hp garante cerca de 20% a mais de aceleração, comparado ao motor anterior de 155 hp
De acordo com o fabricante, o modo de pilotagem ski permite selecionar perfis de aceleração e velocidade pré-programados. São cinco perfis para a prática de esqui e wakeboard, além do benefício de outros dois modos de pilotagem (esportivo e econômico).
Para avaliar este e os demais recursos dessa moto aquática, aceleramos a Sea-Doo Wake 170 nas águas calmas da Represa de Bragança, em um dia de vento de 15 nós.


De cara, chama atenção o já conhecido sistema de freio iBR, fácil, simples e muito intuitivo de ser acionado. Não é novidade, mas chega aperfeiçoado na linha 2020. Assim que o motor é ligado, automaticamente o jet fica na posição “neutro”, equivalente ao ponto morto. Para avançar, basta dar um toque no acelerador, com a mão direita. Para voltar ao neutro ou passar à ré, é só acionar a alavanca de freio, com a mão esquerda. Esse sistema torna a atracação mais rápida, tranquila e segura.


No nosso teste, a velocidade máxima foi de 53,4 mph (46,4 nós), ou 86 km/h. Porém, como o objetivo desse jet é rebocar wake ou de esqui (slalon), a velocidade final fica em segundo plano. O mais importante é o torque, ou seja, a força do motor para tirar o atleta da água e manter uma velocidade adequada para a prática do esporte. E isso esse Wake 170 tem de sobra.
O novo motor do Wake 170 tem torque de sobra para tirar o esquiador da água e manter a velocidade adequada
É claro que a motorização não é tão poderosa quanto a de uma lancha projetada para esportes de prancha. Não espere também encontrar todos os recursos de um barco próprio para wake. Afinal, trata-se de um jet. Mas, não tem como negar, é uma moto aquática bastante diferenciada para praticar wake ou esqui — e que pode ser guardada tanto na marina quanto em casa. Além disso, tem muita potência, boa capacidade de manobra, casco muito estável (por conta do centro de gravidade mais baixo) e um sistema de ré e de freio elétricos que permite parar antes, comparado com jets de sistema mecânico. Para quem gosta de brincar na água, o Wake 170 é fácil e divertido de pilotar.

Características técnicas
Velocidade máxima: 53,4 mph (46,4 nós)
Capacidade: três pessoas (272 kg)
Comprimento: 331,8 cm
Boca: 125 cm
Peso: 339 kg
Combustível: 60 litros
Compartimento frontal: 161 litros
Motor: Rotax 1630 ACE
Potência: 170 hp (hidrojato)
Cilindrada: 1630 cc
Funções do painel: Velocímetro, RPM, Relógio, Display do VTS™, Horímetro, Modo Sport, Modo ECO, Modo Slow, Limitador de Velocidade, Modo Esqui.
Recursos: sistema de Engate Rápido LinQ e Torre de Esqui, Sistema de Áudio Bluetooth (opcional) e compartimento estanque para telefone celular, assento Ergolock, sistema Inteligente de Freio e Reverso (iBR), casco Polytec GEN 2 e suporte removível para prancha de wakeboard. Mais informações, clique aqui.
Preço: a partir de R$ 74,5 mil
Mais detalhes do Sea-Doo Wake 170 2020
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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