Tethys 37 HT: como será a sexta lancha do estaleiro gaúcho Tethys Yachts

07/04/2020

O estaleiro gaúcho Tethys Yachts ainda não completou o quinto ano de vida, mas já tem seis modelos de lancha em sua linha de montagem e conquistou uma legião de admiradores. A reputação de construir barcos de acabamento cuidadoso, com o uso de materiais de qualidade e dedicação a cada detalhe do projeto, faz com que cada lançamento do estaleiro seja acompanhado com expectativa.

O próximo deles será este aqui: a lancha Tethys 37 HT, que, pelas imagens em 3D, já chega despertando aquela primeira boa impressão e provocando grandes expectativas no mercado náutico.

A Tethys 37 HT nasceu bonita (repare no design, esportivo e arrojado) e, quando for lançada, apresentará muitos pontos altos, além do hard top com teto solar. Terá cabine dois camarotes (um na proa e outro à meia-nau) com acomodação para quatro pessoas, com cozinha integrada e banheiro fechado de bom tamanho. Além disso, levará até 11 pessoas em passeios diurnos, graças ao aproveitamento máximo da área.

Feito para o sol e muito adequado para reunir a família, o cockpit terá dois sofás em L, uma chaise, posto de comando com banco duplo para piloto e copiloto e uma segunda cozinha. Na proa, solário duplo conta com cabeceira rebatível.

Na popa, destaque para o chamado espaço gourmet, com churrasqueira a carvão. Repare que entre a praça de popa e o salão haverá uma porta de vidro, que quando aberta integrará os dois ambientes, além de um enorme teto solar e de janelas laterais iluminando todo o ambiente com luz natural.

O grande diferencial deste tipo de embarcação é justamente esse: promover o ganho de área interna, sem perder o espaço aberto no cockpit. Interessante também será a plataforma de popa da Tethys 37 HT, que aumentará ainda mais a área útil do cockpit, facilitando assim o contato com o mar e os mergulhos.

Como explica Alexsandro Ferreira, diretor do estaleiro, a nova Tethys 37 HT oferecerá inúmeras possibilidades de customização, para que fique exatamente como seu proprietário sempre desejou. Além disso, cada etapa da produção será acompanhada atentamente.

“Todos os detalhes são importantes para a construção das nossas embarcações. Por isso, construímos nossos barcos artesanalmente, primando sempre pela qualidade e segurança. Prova disso, é que somos membro American Boat and Yacht Council, que atualiza os padrões de segurança para construção e reparos de barcos há 50 anos”, destaca.

O estaleiro Tethys Yachts fica em Venâncio Aires, cidade gaúcha distante 130 quilômetros de Porto Alegre, e começou suas atividades em 2016 com a lancha Tethys 540 Fly, que rapidamente tornou-se um sucesso.

Depois vieram a Tethys 540 HT, a Tethys 41 (versões Targa e HT), a Tethys 31 Targa e, agora, a Tethys 37 HT, que — assim como os demais modelos da marca — virá completa de série, incluindo gerador Onan 7,5kwa, aquecedor de água, ar-condicionado (2 x 16.000 BTU) e plataforma submergível. Motorização: de 300 hp a 350 hp, gasolina, e 320 hp diesel.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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