Tohatsu apresenta novo motor 150 hp pela 1ª vez no Brasil e destaca economia do equipamento

Modelo é destaque da empresa no São Paulo Boat Show 2026 junto à Kamell, representante da marca no país. Opções de diferentes potências estão disponíveis

27/09/2026
Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A Tohatsu participa do São Paulo Boat Show 2026 em parceria com a Kamell, distribuidora da marca em grande parte do território brasileiro. No estande, nove motores representam diferentes faixas de potência da fabricante, incluindo o novo 150 hp, que faz sua primeira exposição no Brasil.

Segundo Davi Fernando Novak, gerente de pós-vendas e serviços da Tohatsu, a seleção apresentada no salão, com nove motores, corresponde a aproximadamente metade da linha disponível pela marca no país. Entre os modelos estão versões quatro tempos de baixa cilindrada, destinados a aplicações como botes infláveis e caiaques, além de opções de maior potência.

O carro-chefe é o 18 hp, além do 5 hp, bastante utilizado em caiaques. Também trouxemos motores quatro tempos maiores, inclusive o nosso 150 hp, lançado em agosto na Europa– destacou Novak

Tohatsu 150 hp estreia no Brasil

Lançado mundialmente em agosto, o Tohatsu 150 hp é apresentado pela marca no São Paulo Boat Show pela primeira vez no Brasil. O modelo tem como principais características, segundo a fabricante, o peso reduzido e a eficiência no consumo de combustível.

Foto: Palla / Revista Náutica

De acordo com Novak, o motor é atualmente o 150 hp mais leve do mercado e pode apresentar economia de combustível entre 15% e 20%, dependendo do modelo utilizado como referência. Na comparação interna da marca, o novo propulsor também seria cerca de 15% mais econômico que o 140 hp antecessor.

Foto: Palla / Revista Náutica

A relação entre peso e potência é outro aspecto destacado pela Tohatsu. Para Novak, a redução de peso pode representar maior flexibilidade na distribuição de carga a bordo.

É uma pessoa a mais que dá pra colocar no barco ou uma bateria, por exemplo. Quando você tem um motor muito pesado na popa, acaba tendo limitações por causa do centro de gravidade– detalhou

A economia de combustível é apontada pelo gerente como um dos fatores de interesse do modelo para o mercado brasileiro. “Quem navega quer economizar um pouco mais de combustível”, disse.

Linha vai de 5 a 150 hp

Além do novo 150 hp, a Tohatsu utiliza o São Paulo Boat Show para apresentar a variedade de sua linha. Entre os motores expostos estão modelos de baixa cilindrada, como o 5 hp, voltado também a aplicações em caiaques, e o 18 hp, apontado pela marca como carro-chefe. A proposta é mostrar diferentes possibilidades de aplicação dos motores, atendendo desde pequenas embarcações até barcos que demandam propulsores de maior potência.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Para Novak, qualidade, durabilidade e confiabilidade estão entre os principais diferenciais associados à marca. Ele também destaca o reconhecimento de clientes que já utilizam motores Tohatsu e a expansão do público que passa a conhecer os produtos. Segundo o gerente, a divulgação entre usuários tem contribuído para esse movimento.

A divulgação boca a boca está sendo muito forte e o negócio está crescendo bastante– afirmou

Kamell amplia atuação para embarcações menores

A participação da Tohatsu no salão também marca a atuação conjunta com a Kamell, responsável pela distribuição dos motores da fabricante em grande parte do Brasil. A parceria acompanha uma ampliação do mercado atendido pela Kamell, tradicionalmente associada ao fornecimento de acessórios e produtos para grandes estaleiros e embarcações maiores, que passa a explorar de forma mais ampla o segmento de motores e barcos menores, como detalhou Novak.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Vale ressaltar que a Kamell Comércio Global soma mais de 12 anos de mercado, mantendo um portfólio diversificado, com produtos destinados aos mercados industrial, náutico, naval offshore, metalmecânico, construção civil e ferragens, entre outros.

São Paulo Boat Show 2026

O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, incluindo botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.


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SÃO PAULO BOAT SHOW 2026

Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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