Transat Jacques Vabre volta ao Brasil em 2019

Por: Redação -
12/12/2018

A regata Transat Jacques Vabre é considerada uma das principais regatas do mundo e novamente terá o Brasil como destino final. Assim como em 2017, Salvador (Bahia) receberá os barcos vindos de Le Havre (França) para um percurso de 4 350 milhas náuticas ou mais de 8 mil quilômetros pelo Atlântico.

A largada será em 27 de outubro de 2019. O anúncio oficial da próxima edição da Transat Jacques Vabre foi realizado no tradicional Salão Náutico de Paris, neste sábado (7). As classes convidadas para a regata em duplas são: Class40, Multi50 e IMOCA60.

”A Transat Jacques Vabre é a mais longa regata oceânica disputada em duplas. É uma prova que exige alto nível de desempenho e muito entrosamento. Os participantes precisam superar os próprios limites o tempo inteiro, já que são apenas duas pessoas a bordo conduzindo o barco o mais rápido possível 24 horas por dia”, disse Gildas Gautier, diretor-geral do evento.

A rota entre Le Havre e Salvador da Bahia é uma velha conhecida dos velejadores, já que esta será a sexta vez em que a regata Transat Jacques Vabre terá como destino Salvador (Bahia), a primeira capital do Brasil. A travessia chama a atenção pelas várias condições meteorológicas encontradas pelo caminho.

”A Transat Jacques Vabre oferece aos participantes e ao público um evento festivo, mais acima de tudo esportivo, que demanda um alto nível de engajamento”, completou Gildas Gautier.

O primeiro desafio a ser vencido é o perigoso golfo da Biscaia, entre a França e a Espanha. Em seguida, é preciso superar o anticiclone das Ilhas Canárias e a potência dos ventos alísios até a passagem pela linha do Equador.

Por fim, ainda conta com uma rápida descida pela costa do Nordeste brasileiro. Tudo isso, antes de entrar na movimentada Baía de Todos-os-Santos, segunda maior baía natural do mundo.

LEIA TAMBÉM

>>Robert Scheidt decide até fevereiro se inicia mais um ciclo olímpico na Laser
>>Volvo Penta confirma participação no Rio Boat Show 2019
>>Benetti entrega superiate de mais de 48 metros na Itália

Vila da Regata: Uma festa brasileira

A Vila da Regata na França abre suas portas no dia 18 de outubro com uma programação inspirada na cultura brasileira. Ao longo de 10 dias, o público será espectador, mas também ator do evento graças às atrações inéditas que serão propostas para a edição de 2019. Além de muito entretenimento, um centro dedicado ao desenvolvimento sustentável e à responsabilidade ecológica e social serão uma marca registrada da organização.

A chegada na baía de Todos-os-Santos

Salvador, na Bahia, é uma cidade com a cara e o jeito do Brasil. Suas características culturais e históricas fazem da primeira capital brasileira a cidade ideal para celebrar a chegada de um grande evento internacional.

Além disso, a capital baiana tem seu centro histórico inscrito no Patrimônio mundial da humanidade reconhecido pela UNESCO, mesmo título também concedido ao centro da cidade de Le Havre, na França.

“Eu tenho orgulho de renovar o compromisso do grupo JDE, dono da marca de café Jacques Vabre, com o mundo da vela e com estes homens e mulheres que incorporam tantos valores importantes para nós: comprometimento, superação, solidariedade, empreendedorismo e amor pelo que fazem. Estou ansioso para esta nova edição que começa em Le Havre no mês de outubro”, Juan Amat, presidente do grupo JDE France.

Para o prefeito de Le Havre, Luc Lemonnier, “receber a Transat Jacques Vabre já é um acontecimento em si. A mais longa regata oceânica disputada em duplas faz parte do DNA da nossa cidade, já que desde a sua criação, a regata parte de Le Havre, o que nos posiciona entre uma das mais importantes cidades náuticas e o primeiro porto francês importador de café. Nossa cidade celebra e vibra junto com os velejadores e com os visitantes a cada edição deste que é um dos principais eventos náuticos do cenário mundial”.

Quer conferir mais conteúdo de NÁUTICA?
A edição deste mês já está disponível nas bancas, no nosso app
e também na Loja Virtual. Baixe agora!
App Revista Náutica
Loja Virtual
Disponível para tablets e smartphones

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Contagem regressiva! Salvador Boat Show chega à 3ª edição

    Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!

    Pirelli 44 Ducati Edition: nova lancha de alta performance tem DNA de MotoGP

    Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades

    NX Boats e Suassuna Fernandes conectam os universos náutico e imobiliário através da Pininfarina

    Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina