Regatas encerram calendário de vela oceânica de 2019


O próximo fim de semana será o último da vela oceânica no Brasil, com importantes eventos no Rio de Janeiro e Porto Alegre, contando com presença de medalhistas olímpicos.
No sábado, dia 14, o Rio Yacht Sailing, em Niterói (RJ), sedia a 24ª edição da Preben Schmidt, regata que homenageia o precursor da Família Grael, a maior vencedora da Vela brasileira em Olimpíadas, avô de Lars e Torben Grael.
A expectativa é de mais de 100 veleiros nas classes ORC, IRC, BRA-RGS, Clássicos, Bico de Proa e Monotipos Clássicos de Madeira com destaques para a presença do Aileen, barco de Preben, com mais de 100 anos de história e medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Estocolmo em 1912.
Entre os medalhistas olímpicos estarão Torben Grael, com duas Medalhas de Ouro, Martine Grael, Ouro nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016, além de Lars Grael, membro do Conselho Técnico da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano e duas vezes Bronze em Olimpíadas, estará no Marga, barco construído na Finlândia em 1933.
A largada está prevista para às 11h e as inscrições podem ser feitas clicando aqui.
No domingo, dia 15, será realizada a 25ª edição da Regata Neptunus, com sede no Iate Clube do Rio de Janeiro, na Urca, com pontos na Copa Brasil da ABVO que define o melhor barco do ano e os melhores em cada categoria.
A Regata homenageia Sergio Mirsky, outro nome histórico da Vela nacional que velejou em várias edições do barco Neptunus durante 60 anos por várias regatas nacionais e internacionais sendo um dos precursores do crescimento da vela nacional na década de 70 e 80.
Filho de Sérgio, André Mirsky é um dos organizadores da competição junto com o ICRJ e tem três vice-campeonatos Mundiais de Vela de Oceano, títulos do campeonato italiano, mar Egeu e participação no Brasil I em 2005 na Volvo Ocean Race.
A expectativa é de mais de 30 barcos na raia com largada a partir das 12h nas classes ORC, IRC, BRA-RGS e Bico de Proa. A partir das 17h será realizada a festa de encerramento no Salão Nobre do Iate Clube do Rio de Janeiro.
O evento terá presenças do barco Duma com presença do medalhista de Bronze olímpico, Kiko Pelicano, comandado por Haakon Lorentzen, membro da família Real da Noruega, e presença do Medalhista de Ouro nos Jogos de Moscou em 1980, Eduardo Penido, que competirá´no Tahiti Nui ou no Sorsa. As inscrições podem ser feitas neste link.
O domingo também será de disputa em Porto Alegre, com a Regata de Aniversário do Veleiros do Sul. Acontecerão disputas das classes IRC e BRA-RGS também com pontuação para o ranking da Copa Brasil ABVO. O Veleiros do Sul celebra o 85º aniversário com festividades desde sexta-feira e, no domingo, serão realizadas as regatas Oceano Almirante Tamandaré e Veleiraço Marinha do Brasil. A partir das 17h30, ocorre a premiação acompanhada de música de Luciano Lemanski.
“Temos a expectativa de 50 barcos na raia entre IRC, BRA RGS e bico de proa. É uma regata festiva, entre aspas pois haverá uma grande disputa no Guaíba, Teremos como novidade o percurso que irá até o Centro de Porto Alegre e o prêmio Amazônia Azul ao campeão da IRC oferecido pela Marinha do Brasil. A vela oceânica gaúcha vem se fortalecendo principalmente nesse ultimo ano tivemos mutirão, adesão forte na IRC e teremos para 2020 mais dois ou três barcos correndo a Semana de Vela de Ilhabela, Circuito de Sannta Catarina e representante em Punta del Este”, disse Kadu Bergenthal, vice-comodoro esportivo do Veleiros do Sul. As inscrições podem ser feitas aqui.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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