21 dicas para tornar seu barco mais seguro para o verão

Por: Redação -
09/12/2020
Foto: Shutterstock

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O verão está chegando e, com ele, o aumento de embarcações nas águas brasileiras. Pensando nisso, o Fórum Náutico Paulista reuniu 21 dicas de como tornar seu barco mais seguro. Confira:

Revisão dos motores, geradores e maquinário

Seguir à risca a determinação do fabricante, lembrando que, para cada equipamento, há normas específicas em relação ao período das revisões, por número de horas ou meses, sempre o que ocorrer primeiro. É aconselhável ter esses registros no diário de bordo.

Revisão no sistema elétrico

Tal como ocorre nos motores, é importante que um eletricista náutico revise toda instalação elétrica do barco, no mínimo, uma vez por ano. Além do cabeamento elétrico, deve ser verificado o funcionamento de todos os equipamentos eletrônicos, como: rádio VHF, luzes de navegação e luzes internas da embarcação. É aconselhável ter esses registros no diário de bordo.

Revisão no sistema hidráulico

Verificar as condições dos registros (válvulas) abaixo da linha d´água, reaperto de todas abraçadeiras de aço inox, condição das mangueiras de combustível e água e limpeza anual do(s) tanque(s) de óleo diesel. Inspecionar e testar, sempre antes da saída, todas bombas de porão, com os respectivos dispositivos automáticos de acionamento. É aconselhável ter esses registros no diário de bordo.

Medidas para evitar incêndios

1. Não deixar o barco conectado ao cais se não houver um
responsável a bordo;

2. Manter o carregador de baterias em local bem ventilado;

3. Fixar bem as baterias para não se soltarem com o balanço do
barco;

4. Nunca cobrir as baterias com caixas sem ventilação, devido à
emissão de gases inflamáveis durante a fase de carregamento;

5. Fixar todo o cabeamento elétrico com prendedores espaçados no
máximo a cada 25 centímetros;

6. Prensar, e nunca soldar, os terminais dos cabos das baterias;

7. Utilizar cabos elétricos e conexões certificados para uso aquático;

8. Usar proteção nos pontos de passagem do cabeamento elétrico
nas anteparas, para evitar curto-circuito;

9. Utilizar dispositivos de corte de energia junto às churrasqueiras

10. Usar exaustores no compartimento dos motores;

11. Usar detector de gases inflamáveis no compartimento dos
motores em lanchas com propulsores a gasolina;

12. Ter dispositivos mecânicos ou automáticos para detonação dos
extintores no compartimento dos motores;

13. No compartimento de motores, em barcos acima de 15 metros (50
pés), usar câmeras com imagens exibidas no posto de comando;

14. Sempre verificar o sistema de combustível a bordo após o
abastecimento, no caso de lanchas com motorização a gasolina;

15. Instalar um quadro de fusíveis ou disjuntores específicos para as
bombas de porão;

16. Para barcos com fogão a gás, recomenda-se ter dispositivo cortachamas e válvula acoplada ao sistema detector de gás;

17. O proprietário assume a responsabilidade por qualquer
modificação na estrutura, motorização e equipamentos do barco,
caso esses serviços não sejam feitos pelo estaleiro ou fabricante
dos motores;

18. As chaves gerais de corte da energia elétrica devem ser as
especificadas para uso naval.

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    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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