Conheça os campeões do 33º Circuito Oceânico em Santa Catarina

Por: Redação -
07/02/2022
Fotos: Gabriel Heusi/Heusi Action

O Katana/Portobello, do Veleiros da Ilha, conquistou o título do 33º Circuito Oceânico, realizado desde terça-feira (1º), em Jurerê, Florianópolis (SC). Com duas vitórias nas três regatas da sexta, os catarinenses não podem mais ser alcançados na classificação geral. São 11 pontos contra 16 do Caballo Loco, vice-líder.

Com uma tripulação formada por atletas experientes, a equipe do Katana contou com o reforça de dois velejadores olímpicos do Iate Clube de Santa Catarina: Bruno Fontes e André “Bochecha” Fonseca. “O Campeonato teve muita emoção. Montamos uma bela tripulação e arrumamos o barco para poder competir. Muito contente em vencer”, disse Bochecha. “Muito bom estar do lado do Bochecha e de toda equipe. Unimos a mesma equipe do ano passado, trabalhamos a madrugada toda no barco e o título foi sofrido, mas muito valoroso”, completou Bruno.

O título tem ainda mais importância para o Katana, comandado por Cesar Gomes Neto, pois o Circuito Oceânico vale também como primeira etapa do Campeonato Brasileiro de C30. A decisão será em Ilhabela, no mês de julho.

Na classe ORC, também valendo como Campeonato Brasileiro, o título foi para o Crioula 52, de Porto Alegre. Com vitórias em todas as regatas do Circuito, a tripulação do Veleiros do Sul. Comandados por Eduardo Plass, a tripulação mostrou que a experiência faz toda diferença. Entre os velejadores, o atleta olímpico Samuel Albrecht exerceu a função de tático.

“Velejar em Florianópolis é sempre incrível. A raia é uma das melhores do Brasil e a equipe conseguiu exercer um ótimo trabalho. Estamos contentes com os desempenhos em Punta e agora em Florianópolis”, disse Samuel, que permanece no Veleiros da Ilha treinando com Gabriela Nicolino, sua parceira na classe Nacra 17, visando os Jogos Olímpicos em 2024.

Com cinco vitórias em seis regatas, o Garrotilho, do Veleiros da llha, comemorou o título da RGS Geral por antecipação. A equipe catarinense contou com o velejador Julio Jordani, como atleta mirim. Julio é atleta de Optimist do Iate Clube de Santa Catarina e gostou muito da oportunidade de velejar em uma embarcação de Oceano.

Com 14 anos, Julio faz parte do projeto social do clube.”Difícil, barco bem rápido. Começamos ganhando, foi só manter, foi divertido”, disse o jovem que correu pela terceira vez de Vela de Oceano: “Aprendendo muito, faz muita diferença, aprendi tática, olhar para fora”. O menino agora foca na disputa da Seletiva de Optimist, a classe de entrada da Vela, onde tentará vaga no Campeonato Europeu.

Pela Classe HPE30, O Ximango, embarcação do Veleiros do Sul comandada por Paulo César Gonçalves, já garantiu o título da competição. Mesma situação do Sossegado, do Comandante Marco Hidalgo – GVI (SP) , na classe RGS Cruzeiro A, Mako IV na RGS Cruzeiro B, comandado por Alex Fazzini – Veleiros da Ilha (SC), e ArCaFer, de Jair Dutra, na Bico de Proa Cruzeiro.

Na classe Bico de Proa, a disputa será na última regata, entre Livre e Mokai. Entre os Multicascos, o Dadu, do Comandante George Lima – Aratu Iate Clube (BA), foi o vencedor e na classe Star a dupla 7 Admar Gonzaga e Ronald Seifert levou o título.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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