No Havaí, plástico retirado do oceano está sendo transformado em asfalto
Alternativa para o combate à poluição plástica integra itens como potes de iogurte e redes de pesca ao material utilizado para pavimentar estradas


Combater a poluição plástica é mais urgente do que nunca. Esse processo, além de mudanças na sociedade, passa por inovações como a que vem sendo aplicada no Havaí — território dos EUA no Pacífico —, em que o plástico do oceano está sendo transformado em material para a pavimentação de estradas.
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De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a produção global de plástico ultrapassa 400 milhões de toneladas anuais. O material, por sua vez, pode ultrapassar 400 anos no ambiente, sendo essa uma das principais razões para seu acúmulo nos ecossistemas.


No Havaí, um exemplo prático da situação que vive o planeta é a famosa Grande Mancha de Lixo do Pacífico, que ultrapassa os resíduos de pesca e turísticos comuns descartados nas ilhas, se estendendo a uma mancha de acúmulo massivo de que move toneladas de lixo por correntes marinhas ente o arquipélago e a Califórnia.
Nesse sentido, transformar o plástico oceânico em estradas para combater a poluição chega como uma alternativa promissora. No projeto, tido como o primeiro a utilizar detritos marinhos, itens como potes de iogurte e redes de pesca — todos contendo polietileno, um tipo de plástico durável — são integrados ao material que vai pavimentar uma estrada em Ewa Beach, na capital Honolulu.


A coleta é feita pelo programa Nets-to-Roads (“Redes-para-Estradas”, em português), do Centro de Pesquisa de Detritos Marinhos da Universidade Hawaii Pacific. Ao Science News, Jennifer Lynch, diretora do centro de pesquisa, destacou a preocupação com o desprendimento de plásticos ou outros produtos químicos no meio ambiente, “porque isso pode expor humanos e animais a aditivos tóxicos, levando a distúrbios hormonais, inflamações crônicas e problemas reprodutivos”.
Como o lixo oceânico vira asfalto
Após a coleta, o material é enviado ao continente, onde passa por um processo de trituração. Depois, é devolvido à ilha de Oahu para finalmente se juntar à mistura do asfalto. Ainda quente, o material é carregado por caminhões até o local onde será aplicado — atualmente, os trechos rodoviários de Ewa Beach. Veja na prática:
O programa avaliou o risco de liberação de microplásticos pelo desgaste do asfalto, mas testes após 11 meses indicaram que não houve emissão significativa em comparação ao pavimento convencional.
Estamos transformando um grande problema ambiental em uma solução tangível– Mafalda de Freitas, diretora do Programa de Megaplásticos, em comunicado
Após o sucesso da primeira fase, em 2022, o projeto segue em expansão, com mais trechos pavimentados e novos tipos de misturas sendo testados.
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