Nada de guerra: saiba o que fazem os “navios brancos” da Marinha do Brasil

10/08/2025

Quando o assunto são as “embarcações da Marinha”, não é incomum associá-las aos grandes barcos preparados para guerras, recheados de canhões e mísseis. Entretanto, há uma outra ala das Forças Armadas que opera em missões pacíficas, como pesquisas científicas e monitoramentos ambientais. Esses são os chamados “navios brancos”.

Também conhecidos como navios hidroceanográficos — nome mais técnico — da Marinha do Brasil (MB), essas embarcações atuam na manutenção de rotas marítimas, na salvaguarda da navegação, produção de cartas náuticas e previsões meteorológicas, além da manutenção de boias e faróis.

Navios hidroceanográficos subordinados à DHN atracados em Niterói (RJ). Foto: Diretoria de Hidrografia e Navegação/ Agência Marinha de Notícias/ Reprodução

Atualmente, a Força possui 21 navios brancos, subordinados direta ou indiretamente à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN). Eles são responsáveis por produzir e divulgar informações para a navegação segura e o desenvolvimento da ciência.

Navios que contribuem com a Hidrografia e Navegação. Foto: Terceiro-Sargento Castro/Marinha do Brasil/ Reprodução

Essas embarcações são capazes de operar em locais de difícil acesso, como águas rasas e canais estreitos de rios. Assim, eles descobrem rotas seguras e buscam ampliar o conhecimento sobre a geografia e as características oceanográficas das águas jurisdicionais brasileiras.

Um exemplo é o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico (NPqHo) “Vital de Oliveira”, tido com um dos mais modernos em investigação científica no Hemisfério Sul e que, em janeiro deste ano, localizou no fundo do mar o único navio de guerra brasileiro naufragado no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, também chamado de “Vital de Oliveira”.

Importância além das águas

De acordo com a Marinha, os navios brancos carregam essa cor pela simbologia da paz, visto que a tonalidade é tradicionalmente associada à missões não combativas. Assim, o exército reforça que esses barcos não estão ligados à guerra, e sim à ciência e segurança dos navegantes, bem como possuem relevância estratégica, conforme ressalta o Capitão de Fragata Jorge Luiz.

Círio Fluvial, maior procissão católica do mundo, é realizado anualmente em Belém com apoio da Hidrografia da Marinha
Fonte: Agência Marinha de Notícias. Foto: Marinha do Brasil/ Divulgação

Em situações de conflito, essas embarcações estão aptas a atuar em cenários operacionais complexos, especialmente quando integradas a uma força-tarefa– explica o Capitão

Nesse sentido, esses barcos contribuem para os levantamentos de praias e áreas litorâneas para operações anfíbias, no reconhecimento de áreas marítimas e na caracterização ambiental de regiões de interesse estratégico.

NHi Sirius (H-21), antigo navio-hidrográfico da Marinha do Brasil. Foto: Agência Marinha de Notícias/ Reprodução

Os navios ainda prestam apoio na geração de informações meteorológicas e oceanográficas, com informações essenciais tanto para as operações navais quanto para o seu tráfego marítimo civil. Esses dados, por sua vez, compõem o Banco Nacional de Dados Oceanográficos (BNDO), que integra o Sistema Mundial de Dados Oceanográficos e é acessado por pesquisadores, navegadores e órgãos governamentais.

 

Por fim, os navios da DHN recebem estudantes de oceanografia para estágios obrigatórios a bordo — que exigem pelo menos 100 horas de embarque.

 

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