Compostos marinhos contra câncer: cientista da Marinha ganha prêmio por pesquisa

Pesquisadora Giselle Pinto conquistou a honraria do "Prêmio Soberania pela Ciência" pela segunda vez

16/05/2025
Giselle Pinto recebe prêmio "Soberania Pela Ciência" das mãos de Luciana Santos, Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação. Foto: Marinha do Brasil/ Divulgação

Se for depender das próprias competências, a Dra. Giselle Pinto terá que aumentar sua estante de honrarias. Na última edição do “Soberania pela Ciência”, a cientista da Marinha conquistou o prêmio máximo, pela segunda vez na carreira — dessa vez, com direito à presença da Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.

O prêmio da cientista da Marinha veio pela autoria do artigo “Percepção Pública das Algas Marinhas e suas Aplicações em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação”, estudo que busca compostos marinhos que ajudam na luta contra o câncer. Para a pesquisadora, o reconhecimento mostra que ela está no “caminho certo”.

Giselle Pinto. Foto: Marinha do Brasil/ Divulgação

Não pesquiso vislumbrando tal reconhecimento, mas quando acontece, não tenho como não ficar extremamente agradecida. São momentos marcantes que só a Marinha promove– contou Dra. Giselle

Com o grande propósito de encontrar a cura para o câncer, a cientista encontrou na Marinha do Brasil uma extensão do seu sonho. Desde que entrou no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), em 2018, ela mantém a linha de pesquisa em produtos naturais anticâncer, com modelos pré-clínicos.

 

De acordo com a especialista, seu próximo passo é desenvolver um projeto mais completo de bioprospecção oncológica (buscar na natureza os recursos genéticos para o desenvolvimento de produtos que ajudam na cura do câncer), inspirada nos tipos mais incidentes na família naval.


Giselle admite que o objetivo de “curar o câncer” não é uma tarefa fácil, mas aponta que o estímulo e a certa “ingenuidade” ou até mesmo “ousadia” dessa intenção permanece.

Podemos ajudar com um tijolinho nessa construção que é o conhecimento científico e tecnológico, e, quem sabe no futuro, ajudar a humanidade– disse a cientista

Mais projetos pela ciência

Pesquisadora Titular do IEAPM — cuja missão é realizar atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) no ambiente marinho –, Giselle atua em dois grandes projetos na linha de “Produtos Naturais Marinhos”: o Superalimento e o Antídoto Natural Marinho.

Foto: Marinha do Brasil/ Divulgação

O primeiro tem como objetivo utilizar tecnologia de algas e células para suplementação alimentar, enquanto o segundo “considera estratégias de fontes naturais marinhas contra diferentes ameaças químicas e biológicas”. Ambos, segundo a doutora, estão resultando em diferentes desdobramentos.

 

A premiada cientista da Marinha também conta que enfrentou dificuldades em adaptar seus conhecimentos técnicos da área da saúde para os projetos relacionados ao estabelecimento de parâmetros de diagnóstico ambiental para o derramamento de óleo.

Quando cheguei aqui, não tinha nem a metade do conhecimento das atividades da área de ciências do mar, que é imensa– comentou Giselle

Por um futuro mais científico

Desde 1999 na biomedicina, Giselle Pinto conta que sempre quis ser cientista — e seu currículo de 20 anos no Instituto Nacional de Câncer (INCA) não deixa a desejar. Entretanto, ela ressalta que, no Brasil, seguir essa carreira não é fácil.

Homenagem dos alunos do grupo de Bioprodutos Marinhos à Giselle Pinto. Foto: Marinha do Brasil/ Acervo Pessoal/ Divulgação

O Brasil está cheio de doutores muito qualificados, mas o mercado não consegue absorver todo mundo– revelou à Agência da Marinha

A cientista da Marinha que levou o prêmio também destaca a força e o crescimento das mulheres no mundo científico, em diversas áreas. Segundo a pesquisadora, há cada vez mais oportunidades de financiamento para projetos voltados ao empoderamento feminino, com abordagens multidisciplinares.

Que continuemos resilientes e curiosos, pois a solução está no mar– finaliza a doutora

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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