Navio afundado na Primeira Guerra Mundial é encontrado mais de um século depois

Atingido por três torpedos alemães, cruzador de 437 pés da Marinha Britânica foi naufragado em agosto de 1916

29/07/2025
Foto: Steffen Scholz/ Divulgação

Há 109 anos, o navio HMS Nottingham, pertencente à Marinha Real Britânica durante a Primeira Guerra Mundial, foi afundado por três torpedos alemães e, desde então, ficou esquecido no fundo do mar. Entretanto, mais de um século depois, uma equipe de mergulhadores internacionais finalmente localizou os restos do barco naufragado.

Em expedição realizada pela ProjetctXplore (iniciativa que localiza naufrágios históricos no Reino Unido), os destroços da embarcação foram encontrados no Mar do Norte, a cerca de 100 km de distância da costa da Escócia, numa profundidade de 82 metros.

Foto: Steffen Scholz/ Divulgação

As buscas pelo navio começaram ainda em setembro de 2024, com o apoio de diários de bordo, telegramas e cartas náuticas da época. No entanto, apenas em abril de 2025 os pesquisadores conseguiram delimitar a possível área do conflito — ou seja, onde era mais provável do barco estar.

 

Após exames feitos com câmeras de sonar (tecnologia que utiliza ondas sonoras para “enxergar” em ambientes com pouca luz), a ProjectXplore encontrou evidências de um naufrágio com características e até posicionamento semelhantes ao do HMS Nottingham.

Foto: Steffen Scholz/ Divulgação

Com isso, os mergulhadores foram até lá para examinar o local e encontrar o suposto naufrágio. Dito e feito: o carimbo de identificação, dimensões, equipamentos a bordo e as ruínas da embarcação batiam exatamente com o navio afundado da Marinha Britânica.

 

Outra evidência de que o navio se tratava do HMS Nottingham, naufragado na Primeira Guerra Mundial, estava nos pratos brancos, que levavam o emblema da coroa azul da Marinha Real, além da escrita “Nottingham” em relevo na parte superior da popa.

Embora mais estudos no local do naufrágio sejam necessários, os mergulhadores estão confiantes que identificaram uma ruptura à frente da ponte, ao lado de uma porta. Essa descoberta corresponde aos relatos de que houveram duas explosões naquela área do barco.

Vítima da Guerra

Definitivamente, o HMS Nottingham não merecia ter ficado esquecido no fundo das águas por tanto tempo. Afinal, segundo informações da Sky News, o navio é um cruzador de guerra leve da classe Town, com 457 pés (quase 140 metros de comprimento).

Foto: Steffen Scholz/ Divulgação

Os cruzadores da classe Town tinham como objetivo proteger a navegação mercante britânica de ataques de cruzadores inimigos, e segundo registros, o HMS possuía nove canhões BL 6, considerados grandes e destrutivos para as embarcações adversárias.

 

No entanto, seu fim não demorou para chegar. Com pouco mais de três anos na ativa, o barco foi atingido por três torpedos alemães a bombordo, afundando em 19 de agosto de 1916. O bombardeio foi feito pelo submarino U-52, parte da frota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial.

Foto: Steffen Scholz/ Divulgação

O capitão, 20 oficiais e 357 tripulantes foram resgatados por dois destroyers (navio de guerra que escolta barcos maiores) da Marinha Real e sobrevieram. Porém, outros 38 soldados britânicos perderam a vida — sendo que, entre os mortos, alguns eram apenas adolescentes.

Relativamente bem

Por incrível que pareça, mesmo sendo bombardeado três vezes, o HMS Nottingham segue sendo considerado o cruzador da classe Town mais bem preservado do mundo. Isso acontece devido ao estado das outras embarcações que, em grande maioria, foram vendidas para desmantelamento entre 1920 e 1940.

Foto: Steffen Scholz/ Divulgação

Os pesquisadores que realizaram a expedição até o local relatam que grande parte da superestrutura do naufrágio ainda está no lugar acima do navio — que pode estar de 8 a 10 metros de altura elevado no fundo do mar.

 

Mesmo com inúmeras tentativas ao longo do século passado para localizar o HMS Nottingham, o seu destino continuava um mistério. Até essa descoberta, este era o último cruzador desaparecido da Marina Real da Primeira Guerra Mundial. Não é mais.

 

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