Atrações turísticas subaquáticas pelo mundo incluem até agência dos Correios

Por: Redação -
09/01/2022

O fundo do mar abriga tantos mistérios e segredos que a humanidade ainda não descobriu tudo o que existe sobre ele. Nos últimos anos, pontos turísticos submersos foram descobertos ou até mesmo criados para atrair turistas para este mundo. Confira alguns dos destinos submersos inusitados:

Molinere Underwater Sculpture Park, no Caribe

O Molinere Underwater Sculpture Park foi inaugurado em 2006 na baía de Moliner, em Granada, país da região do Caribe. Trata-se de uma área com 16 esculturas submersas que retratam a vida naquela região, bem como a sensação de solidão.

As obras foram esculpidas pelo artista britânico Jason de Caires Taylor e todas foram feitas com cimento e uma superfície texturizada que permite o crescimento de corais sobre elas. Por esse motivo, as estátuas são sustentáveis e criam cenários submersos esplendorosos.

Agência de Correio Subaquática, em Vanuatu

É possível enviar cartões postais debaixo d'água na Agência de Correio Subaquática da Hideaway island, em Vanuatu. Foto: Divulgação
Quando um funcionário está no posto de correio, uma bóia flutua na região em que ele está submerso. Foto: Divulgação

Já imaginou como seria enviar um cartão postal diretamente do fundo do mar? Essa é a proposta da agência de correios localizada na Hideaway Island, uma das ilhas de Vanuatu, país da Oceania que fica a 1 600 km da Austrália.

O posto fica a 3 metros da superfície e a 50 metros da costa da ilha. O horário de funcionamento é todo detalhado para os turistas e locais em uma placa à beira-mar. Além disso, sempre existe uma boia flutuante bem em cima do local do posto de correio quando um funcionário está presente.

Porto Real, na Jamaica

Porto Real ficou submersa devido a um terremoto e um tsunami. Foto: Divulgação
Estruturas de Porto Real sobreviveram à inundação. Foto: Divulgação
A cidade de Porto Real, na Jamaica, era um importante polo econômico e comercial. Foto: Divulgação

Porto Real não é apenas a cidade fictícia da série “Game Of Thrones”, mas é também uma das cidades mais importantes da história da Jamaica. No século 17, o local era conhecido como a cidade mais rica e próspera do país, mas ao mesmo tempo tinha fama de ter uma aura de perversão, já que atraía piratas e negócios considerados obscuros.

Em 1692, a região sofreu um terremoto que abalou a estrutura abaixo da cidade e, depois, foi totalmente inundada por um tsunami. No entanto, diversas estruturas e até mesmo navios inteiros estão preservados, alguns praticamente intactos.

Porto Real está a 12 metros abaixo do mar da região chamada hoje de Sunken Pirate City. Por se tratar de uma cidade histórica de grande valor arqueológico, os turistas que desejam visitar a localidade precisam de uma autorização governamental.

Prisão Rummu, na Estônia

A prisão Rummu era um campo soviético usado nos anos 1930, mas evacuado quando foi inundado por um lago. Foto: Divulgação
A estrutura da prisão, bem como celas e labirintos, ainda estão intactos. Foto: Divulgação
Parte da prisão Rummu pode ser vista na superfície. Foto: Divulgação
Mergulhadores não recomendam o mergulho nos arredores da Prisão Rummu. Foto: Divulgação

Quem curte incluir no roteiro lugares mais sinistros pode gostar da ideia de mergulhar debaixo da prisão Rummu, no município de Vasalemma Parish, na Estônia. O local foi um campo soviético que funcionou na década de 1930, mas foi inundado por um lago e precisou ser desativado. Boa parte da torre onde funcionava o quartel ainda é visível fora d’água, mas a parte submersa preserva celas e labirintos.

A prisão Rummu está dentro de uma propriedade privada, o que por si só já dificulta o acesso. Mergulhadores profissionais afirmaram que a área não é segura para explorar devido aos pedaços de concreto, metal e árvores, que podem causar danos ao turista. Por esse motivo, o lago possui um histórico de afogamentos e pessoas que se lesionaram.

Poseidon Undersea Resort, em Fiji

Primeiro hotel submerso tem 12 metros de profundidade e está em ilha privada em Fiji. Foto: Divulgação
São 48 bangalôs 24 suítes que têm vidro 70% transparente, permitindo uma visão exclusiva do fundo do Oceano Pacífico. Foto: Divulgação
Local tinha inauguração marcada para 2008, mas pode nunca ter funcionado. Foto: Divulgação

Luxo, aventura e deslumbre se unem nas acomodações e áreas comuns do Poseidon Undersea, resort cinco estrelas submerso a 12 metros de profundidade no Oceano Pacífico, em uma ilha particular no Fiji. O local é o primeiro hotel subaquático do mundo e despertou interesse e curiosidade por proporcionar uma experiência única aos turistas amantes do universo subaquático.

Neste que é um dos pontos turísticos submersos mais curiosos do mundo, é possível acordar e dormir com a visão dos passeios de cardume, corais e rochas marinhas, já que a cobertura de acrílico dos 48 bangalôs 24 suítes têm transparência de 70%. As opções de lazer também impressionam, já que o local conta com spa, um luxuoso restaurante, sala de estudo e até mesmo capela!

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A Cidade do Leão ou Shi Cheng, na China

Shi Cheng foi afundada de propósito para a construção de uma usina hidrelétrica. Foto: Divulgação
Hoje, a cidade está afundada no lago artificial de Qiandao, a 400 km de Shanghai . Foto: Divulgação
Estruturas de palácios imperiais intactos, túmulos de imperadores e sedes imperiais estão intactas. Foto: Divulgação

Uma das cidades mais antigas da China, Shi Cheng, localizada na província de Zhejiang, foi propositalmente inundada. Conhecida como Cidade do Leão, foi construída no primeiro século depois de Cristo e era o centro político e econômico mais importante da província. A inundação aconteceu muito tempo depois, em 1959, para a construção de uma usina hidrelétrica chamada Xinanjiang.

Em 2002, foi descoberto que muito da arquitetura e da estrutura da cidade ficaram preservados debaixo do lago artificial que foi criado. Lá, é possível ver esculturas, palácios imperiais intactos, túmulos de imperadores e sedes imperiais. Nos detalhes e ornamentos, estão esculturas de leões, considerados os guardiões das entradas desses locais; daí vem o apelido da cidade.

Red Sea Star Restaurant, em Israel

Restaurante está submerso no Mar Vermelho e possui janelões para que turistas apreciem vista. Foto: Divulgação
Estrutura do Red Sea Star Restaurant é em formato de estrela. Foto: Divulgação
O cardápio do Red Sea Star Restaurant contra com diversidade de frutos do mar. Foto: Divulgação

Um dos pontos turísticos submersos mais românticos do mundo está localizado na cidade de Eilat, no sul de Israel e bem no Mar Vermelho. Trata-se do Red Sea Star Restaurant, um  restaurante e bar no fundo do mar que permite se deslumbrar com a vista subaquática e se deliciar com um cardápio exclusivamente selecionado. A estrutura em formato de estrela, inaugurada em 1998, está localizada em meio aos corais a 5 metros de profundidade.

Lá dentro, estão disponíveis 62 janelões que dão direto para o fundo do mar, onde é possível contemplar as profundezas do Mar Vermelho enquanto se degusta um cardápio variado de frutos do mar. No período da noite, existe uma iluminação fraca que acende os corais sem agredi-los, deixando o ambiente ainda mais apaixonante.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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