Entenda como o gerenciamento costeiro pode ser um pilar estratégico para destinos turísticos

Para Bianca Colepicolo, um litoral bem gerido impacta diretamente a decisão de viagem de milhões de turistas

02/10/2025
Foto: APchannel / Envato

O gerenciamento costeiro é uma ferramenta essencial para o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e qualidade de vida das comunidades de zonas costeiras. No Brasil, onde 8.500 km de litoral concentram uma significativa parcela da população e da atividade turística, a adoção de políticas integradas de gestão é decisiva para manter a atratividade dos destinos e evitar a degradação dos ecossistemas.

A gestão integrada da zona costeira (GIZC) envolve o planejamento e a regulação de usos do solo, das águas e das atividades produtivas. Ela considera os impactos cumulativos de obras de infraestrutura, ocupação urbana, turismo, pesca, transporte marítimo e mudanças climáticas, propondo soluções que minimizam conflitos e garantem sustentabilidade.

 

Exemplos práticos incluem o ordenamento de praias para evitar superlotação, a definição de áreas para esportes náuticos, zonas de exclusão para proteção de recifes e manguezais, e o monitoramento da balneabilidade da água.

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Para o turismo, os benefícios são diretos: um litoral bem gerido significa praias limpas, paisagens preservadas e infraestrutura adequada — fatores que impactam a decisão de viagem de milhões de turistas.

 

Segundo dados do Ministério do Turismo, 44% das viagens domésticas têm o sol e praia como principal motivação. Isso torna indispensável que municípios costeiros implementem planos de gerenciamento que considerem não apenas o presente, mas a resiliência futura diante de eventos extremos, como ressacas e elevação do nível do mar.

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Além de preservar o meio ambiente, o gerenciamento costeiro favorece o desenvolvimento econômico local ao organizar usos para atividades náuticas, construir marinas seguras, incentivar investimentos em turismo de experiência e fortalecer a imagem do destino como sustentável.

 

Cidades que adotam modelos de governança costeira participativa — envolvendo comunidade, setor privado e poder público — obtêm melhores resultados na captação de recursos e na certificação de qualidade, como o selo Bandeira Azul.


Portanto, o gerenciamento costeiro não é apenas uma questão ambiental: é um pilar estratégico para a competitividade dos destinos turísticos. Municípios que planejam e ordenam suas zonas costeiras se posicionam à frente na atração de visitantes, na geração de emprego e renda e na preservação de seu patrimônio natural e cultural.

 

Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

 

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