De Salvador a Ilhabela: amigos rebocam veleiro por 2 mil km para a Semana de Vela
Planejamento começou há dois meses e envolveu a compra de um barco, reforma de um carro e um reboque emprestado; evento segue até 1º de agosto


De início, sem saber todos os detalhes, pode parecer inusitado. No entanto, quando se descobre as particularidades por trás dos bastidores, fica mais surpreendente ainda. Assim pode ser descrita a introdução de uma história que tinha tudo para dar errado, mas que graças a cinco amigos e um sonho, encontrou o seu rumo e agora navega na 53ª Semana de Vela de Ilhabela (SIVI), que segue até 1º de agosto.
Veleiro será rebocado da Bahia até São Paulo para participar da Semana de Vela de Ilhabela
Vai à 53ª SIVI? Confira um roteiro completo por Ilhabela
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Tudo começou há dois meses, quando Adriano Quintella, velejador baiano conhecido como “Aranha”, idealizou o projeto de trazer o veleiro, lá de Salvador (BA), direto até São Paulo para participar da SIVI. Porém, faltavam “alguns detalhes”, como o barco, o carro e o reboque. Mas ele tinha o que mais importava: amigos.


Quem embarcou com Aranha nessa aventura foram Wallace “Lalau” Wicks, responsável pela manutenção; Marcus Bona; o “coringa” da equipe; José Nigro (Pepe), focado na logística; e Roberto Santiago, velejador experiente com 50 anos de navegação. O time estava escalado, mas restava ainda um turbilhão de detalhes.
Eu aceitei porque na minha cabeça seria de 2027, porque 2026 a regata já era logo ali em julho– ressaltou Wicks em entrevista à NÁUTICA
Quando a equipe estava formada, faltavam apenas dois meses para levar o barco até São Paulo. Porém, eles ainda não haviam adquirido um. “A gente teria praticamente esse tempo para achar um barco, comprar, reformar e levar essa embarcação”, relembrou Lalau. Ele tinha razão, pois o tempo era curtíssimo.


O primeiro passo foi dado: compraram um veleiro J24, de 24 pés, chamado Biga. Depois, o desmontaram completamente. “Foram 45 dias de trabalho intenso para trocar tudo. Ele estava há 4 anos parado, cheio de craca, com cabos e velas vencidos”, disse Quintella.
Com tão pouco tempo, ir pelo mar já não seria uma opção. Ou seja, o plano era rebocá-lo até Ilhabela. Como? Com um velho carro — uma Hilux 1993, sendo mais exato — , parado há quatro anos na garagem, sem bateria e sem ar-condicionado. Contudo, onde muitos veriam um problema, Wallace enxergou uma chance.
Eu pensei: essa é a oportunidade de fazermos a reforma no barco, reformar o carro e levar puxando– contou ele


Detalhe: o time não tinha ainda a carreta para fazer o transporte do veleiro Biga. Depois de muita procura, conseguiram um reboque emprestado, que também precisou de adaptações. Aos poucos, as peças do quebra-cabeça começavam a se encaixar.
Estávamos juntos para o que der e vier. Nunca abandonar o navio– declarou Bona


Uma jornada fora d’água
Mesmo com o barco, o carro e o reboque, nada prometia que a viagem seria fácil. Foram 2 mil km de viagem até chegarem em seu destino. Conforme contaram em entrevista, eles enfrentaram buracos e o pneu rasgou — isso sem contar a suspensão da carreta, que deslocou. A solução?
Tivemos que usar o macaco do carro como marreta e pedir ajuda em uma borracharia na estrada para desempenar a carreta– revelou Quintella


Chegando em Taubaté (SP), o guarda-mancebo do barco ainda bateu em uma placa de sinalização. “Agora está certo, está autorizado. Não tem placa. Pode deixar o carro”, brincou Aranha sobre a situação.


Apesar de terem testado o modelo apenas uma vez em Salvador, a equipe estreou na Semana de Vela de Ilhabela conquistando um quarto lugar em uma regata marcada por ventos fortes de 25 nós e frio intenso.
Nós saímos com vento médio, um dia ensolarado, mas por enganação. No final da tarde o frio bateu forte e tivemos que se virar para se aquecer– detalhou Santiago
Mesmo em condições adversas, o veleiro Biga saiu firme e forte. “Provou que a reforma funcionou, que o barco aguentou bem”, contou Roberto.


Segundo eles, o sucesso da empreitada é atribuído à amizade e à experiência dos cinco tripulantes, que dividiram tarefas de manutenção e logística para realizar o sonho de competir com o próprio barco.
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