Pelo Instagram, Martine Grael anuncia saída do time Brasil no SailGP: “Oficialmente desempregada”
Bicampeã olímpica foi a primeira capitã da história da disputa pelo Mubadala Brazil, primeira equipe sul-americana do campeonato


A história de Martine Grael com o Mubadala Brazil, time brasileiro no SailGP, terminou. O anúncio, discreto, foi feito por ela mesma nesta sexta-feira (11), através do Instagram. Na postagem, a bicampeã olímpica de vela escreveu: “Oficialmente desempregada. Obrigada por todo apoio!”.
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Em comunicado, o Mubadala Brazil SailGP Team informou que a velejadora optou por não concluir a temporada de 2026 com a equipe, que contará com uma nova formação nas últimas três etapas da temporada 2026. Segundo o documento, compartilhado com NÁUTICA, a mudança já vinha sendo planejada de forma profissional e estruturada para este momento do torneio.
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A organização revelou que o britânico Paul Goodison, campeão olímpico e mundial da classe Laser, assume o leme do F50, ao passo que a brasileira Marina Arndt passa a ocupar a posição de Estrategista. Vale lembrar que, neste ano, durante a 7ª etapa da disputa, em Halifax, no Canadá, o time já havia testado uma nova configuração. Na ocasião, Goodison também assumiu o lugar de Martine, que atuou como Estrategista.
Martine esteve com a gente desde a criação do projeto e teve um papel muito importante nessa trajetória, contribuindo para a construção e o desenvolvimento do time ao longo desses dois anos. Agradecemos por toda essa parceria e pelo trabalho realizado juntos– destacou o comunicado
Martine Grael fez história no SailGP
Criado em 2019, o SailGP é uma liga internacional de vela de alta velocidade, que reúne equipes de diferentes países para etapas ao redor do mundo. A competição utiliza os F50, catamarãs de 50 pés (cerca de 15 metros) capazes de atingir velocidades próximas de 100 km/h e “voar” sobre a água graças aos foils.


A entrada brasileira na competição com o Mubadala Brazil foi anunciada em junho de 2024. Em setembro, Martine Grael foi anunciada como driver. Com isso, além de ser a primeira equipe sul-americana da competição, o Brasil teria a primeira mulher a comandar um F50 na história do SailGP.


A estreia oficial da equipe aconteceu em novembro do mesmo ano, durante o Dubai Sail Grand Prix, abertura da temporada 2024/25. As etapas seguintes foram marcadas pelo processo de adaptação do time à categoria. A primeira vitória em uma regata veio durante a sexta etapa da disputa, em Nova York.
A estreia do SailGP em águas brasileiras, por sua vez, aconteceu em abril de 2026, quando o Rio de Janeiro recebeu o Enel Rio Sail Grand Prix, quarta etapa da temporada 2026. Na ocasião, o time australiano Bonds Flying Roos se sagrou campeão, ao passo que a equipe brasileira terminou na 10ª colocação.
Martine deixa a equipe na 13ª colocação, com 8 pontos. Os australianos lideram a disputa, com 85 pontos. Os espanhóis do Los Gallos são os segundos colocados, com 68. A equipe estadunidense U.S SailGP Team está em terceiro, com 56.
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Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
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