Angra dos Reis anuncia ampliação de aeroporto e vive a expectativa da criação de complexo náutico


Nesta sexta-feira, 24 de julho, o prefeito de Angra dos Reis, Fernando Jordão, recebeu uma comitiva que trabalha pelo desenvolvimento do turismo da região — formada pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas; pelo senador Flávio Bolsonaro; pelo presidente do Grupo Náutica, Ernani Paciornik, grande incentivador do mercado náutico e de infraestruturas náuticas no Brasil; e por Marco Aurélio Gravatá, da concessionária Angra Aero-Porto, administradora do aeroporto da cidade — para anunciar a concretização de um grande empreendimento: a ampliação de aeroporto de Angra dos Reis.


No encontro, que também contou com a presença de Fábio Wajngarten, secretário de Comunicação da Presidência da República, e do ex-senador Wilder Morais, o ministro da Infraestrutura afirmou que já estão garantidos R$ 29 milhões, pelo Fundo Nacional de Aviação Civil, para a ampliação do aeroporto. “Vamos sair de uma limitação que só nos permite operar aviões executivos e começar a operar com o ATR 42, bimotor com capacidade para transportar 50 passageiros”, destacou Tarcísio de Freitas.
As obras, que serão licitadas já no mês de agosto, cobrem a ampliação da pista do aeroporto de 1.015 metros para 1.180 metros e a criação de um novo pátio para o estacionamento de aeronaves.
Tarcísio de Freitas ressaltou que a obra é uma promessa do presidente Jair Bolsonaro. “Nós temos um presidente da República que gosta de cumprir promessas e compromissos de campanha”, disse.
Ao lado do senador Flávio Bolsonaro, o prefeito de Angra dos Reis acrescentou que o projeto prevê ainda a construção de um centro de formação de mão de obra.
“Uma coisa importante é pegar toda a população da Japuíba (bairro onde está localizado o aeroporto) para formar e trabalhar no aeroporto. Se a gente quiser falar de turismo, a gente tem que cuidar primeiro da nossa gente”, defendeu Fernando Jordão. “São várias mãos trabalhando para que o projeto de expansão do turismo de Angra saia do papel”, finalizou o senador Flávio Bolsonaro.


O turismo de Angra também vive a expectativa de outro grande investimento: a construção de um complexo turístico náutico onde existe hoje a Marina do São Bento.
No local — que passará a se chamar Marina Porto São Bento — está prevista a construção de um terminal internacional para a parada de navios transatlânticos, além de uma marina com vagas secas e molhadas, de um hotel e de um centro de convenções.
Para que isso aconteça, será necessário ampliar o canal de acesso, permitindo a entrada de transatlânticos, além da construção de um píer de atracação de navios e de um terminal de passageiros com a oferta de serviços ao turista. Só de empregos diretos, seriam criadas quatro mil vagas.
O objetivo, segundo o prefeito Fernando Jordão, é requalificar o centro de Angra, tanto para seus habitantes quanto para o turismo, tornando a cidade em si um atrativo e não apenas um ponto de chegada e partida para o mar. “O que estamos fazendo aqui é dando luz ao que o presidente Bolsonaro prega: transformar essa região em um campo de progresso e desenvolvimento”, disse Fernando Jordão.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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