As outras águas de Angra: um tour pela Baía de Ilha Grande. Não perca!


Com mais de 100 ilhas, a Baía de Ilha Grande tem muito mais a oferecer para quem tem um barco, do que apenas o agito da Praia do Dentista. A começar por estas outras praias, onde quem dá o espetáculo é a natureza.
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Lagoa Azul
Apesar do nome copiado do filme homônimo (aquele da Brooke Shields ainda menininha…), vale a ressalva: a Lagoa Azul da Ilha Grande não é azul nem tampouco uma lagoa. É verdinha, quase transparente, e uma espécie de canal entre duas ilhotas, onde a água rasa e o fundo de areia branca lembram os dos filmes de Hollywood.
Não por acaso, nove em cada dez barcos que vão passear na Ilha Grande dão pelo menos uma passadinha aqui e muitos ficam o dia inteiro nesse cenário realmente de cinema.

Praia da Feiticeira
Não é por acaso que há sempre um ou outro barco parado diante desta bonita praia da Enseada das Estrelas, no lado de dentro da Ilha Grande. E quem fizer o mesmo e desembarcar nela, entre grandes pedras fincadas na areia, logo descobrirá por quê – basta seguir uma pequena trilha que parte da praia e desemboca numa cachoeira com uns 15 metros de altura, de água fresca e cristalina, no meio da mata. É um passeio completo: mar e cachoeira na mesma praia. Entendeu por que tem sempre alguém por lá?

Praia da Parnaioca
A Parnaioca fica na parte de mar aberto da Ilha Grande, mas nem parece. Suas águas são tão tranquilas para os banhistas e abrigadas para os barcos que a sensação é a de uma gigantesca piscina — até na cor bem clara da água. Principalmente nos cantos.
Tem, também, uma cachoeira não muito distante, uma pequena vila de moradores e (sempre) alguns barcos de pesca na paisagem, já que é uma das mais antigas comunidades da ilha. Um bom lugar para tomar banho de mar e sentar para admirar.

Saco Dois Rios
Linda, não? Pois foi exatamente aqui, nesta cinematográfica praia, do lado de fora da Ilha Grande, que foi erguido, no passado, o famoso e famigerado presídio da Ilha Grande, depois desativado e implodido.
Hoje, não existe mais nada dele para ser visto, mas a sua praia — e que praia! — continua a mesma de antigamente, quando o acesso público era proibido: vazia, fascinante e com dois riozinhos, um em cada extremidade (os tais “dois rios” que batizam a praia), que, se penetrados, levam os visitantes até duas pequenas cachoeiras.

Praia da Camiranga
A praia da Camiranga é mais um dos pequenos segredos da Ilha Grande. Não é grande nem muito frequentada pelos barcos (que preferem parar na vizinha Praia da Feiticeira ou seguir em frente, rumo ao Saco do Céu), mas oferece a deliciosa possibilidade de tomar banho de água salgada e doce quase ao mesmo tempo.
Um cristalino riacho serpenteia a mata até chegar à praia, onde forma poços de água geladinha e doce. Ou seja, você sai do mar, caminha uma dúzia de passos e — tchibum! — mergulha no riacho. Ô coisa boa!

Praia dos Meros
Meros é um dos maiores tesouros da Ilha Grande: uma praia com um mar sempre claro e vazio, porque, como fica dentro de outra reserva ambiental da ilha, o desembarque é proibido. Ancorar o barco também não pode, embora um ou outro mergulho seja tolerado, desde que a pessoa não chegue até a areia — o que exige grande esforço, porque a praia é irresistível.
Mas o mergulho numa das águas mais limpas da ilha já vale o passeio. Ele só exige alguma atenção na entrada e saída, contornando a Ponta dos Meros a uma respeitosa distância das pedras.

Ilhas Botinas
Não tem jeito. Você pode já ter ido lá uma dúzia de vezes, que, sempre que se aproximar com o barco das duas ilhotas gêmeas que formam as Botinas se impressionará com a cor do mar entre elas — como mostra a foto, que nada tem de photoshop.
As Botinas ficam bem pertinho do centro de Angra, quase propositalmente no caminho de quem vai para qualquer canto e, por isso mesmo, costumam ser visitadas por muitos barcos, o que exige certa sorte para ficar assim, com as ilhas só para si.
Mas, de manhã cedinho ou no finalzinho do dia (quando, inclusive, oferecem um por do sol magnífico), suas águas costumam estar vazias. Fica a dica.

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Praias de Leste e Sul
Viu? Pois saiba que olhar (e bem de longe, sem sequer parar o barco para ver melhor) é tudo o que você poderá fazer nestas duas praias ma-ra-vi-lho-sas da parte de fora da Ilha Grande.
Elas fazem parte de uma reserva biológica e, por isso, em nome da preservação, sua visitação é proibida. Não é permitido navegar perto da praia, ancorar, que dirá desembarcar —portanto, só vale a pena ir até lá se o destino for algum local vizinho.
Mas, neste caso, só o visual dos cinco quilômetros de areias imaculadas das praias de Leste e Sul, separadas apenas por uma ilha e um caprichoso riacho, valem como um bônus no passeio.

Praia do Aventureiro
Parece foto de calendário de parede: um gracioso coqueiro caprichosamente debruçado sobre a areia da praia, diante de um mar limpo e claro. A praia do Aventureiro, um pequeno povoado na parte de fora da Ilha Grande, hoje com acesso controlado de visitantes para não encher de gente, não chega a ter uma praia como nenhuma outra, mas o seu conjunto de pedras na beira d´água, que represam o mar e formam piscinas na maré baixa, é algo que não se encontra em qualquer canto – muito menos com um coqueiro desses na paisagem!
Para completar o passeio, quem caminhar até as pedras da costeira do outro lado da praia poderá ver, de longe, o visual das praias Leste e Sul, ambas (ao contrário do Aventureiro) com acesso proibido.

Praia de Lopes Mendes
Pegue esta imagem e a multiplique por três quilômetros de extensão. É, mais ou menos, o que você irá encontrar na grande (nos dois sentidos) praia Lopes Mendes, a última da parte de mar aberto da Ilha Grande.
“Mais ou menos” porque ainda faltaria acrescentar a mata virgem que acompanha toda a extensão desta praia sem construção humana alguma, os três riachinhos que a atravessam para desaguar no mar ao longo disso e a areia, fininha feito farinha, que emite gostosos “ics, ics” sob os pés. Lopes Mendes é tudo de bom.
O único inconveniente é que, para chegar lá de barco, é preciso navegar um bocado. Mas há uma saída: ancorar na bem mais próxima Enseada das Palmas, na parte de dentro da ilha e no lado oposto da praia, e caminhar alguns minutos por uma trilha. Vale qualquer esforço.

Saco do Céu
Eis aqui um ótimo lugar para passear com o barco ou – melhor ainda! – dormir a bordo. O Saco do Céu, uma fechadíssima baía na parte de dentro da Ilha Grande, não tem esse nome por acaso: é quase um presente celestial para quem gosta de tranquilidade, inclusive para ancorar sem nenhum risco, já que ele tem as águas mais abrigadas de toda a ilha.
O mar ali é tão tranquilo que, nas noites de lua, reflete as estrelas na superfície, daí, aliás, o seu nome. E, de dia, oferece algumas prainhas (não muitas, é verdade, mas com água à prova de sustos).

Praia de Itaguaçu
Itaguaçu é uma pequena prainha na parte de mar abrigado da Ilha Grande, com uma faixa de poucos metros de areia amarelada, que contrasta bem com o verde da água e com as pedras escuras que brotam na beira-mar.
Não é grande nem famosa, mas costuma fascinar quem sonha em encontrar uma praia sem viva alma por perto, mas com muita natureza ao redor — a começar por grandes palmeiras que geram generosas sombras na areia. Uma praia do jeito que você gosta e para chamar de sua.

Freguesia de Santana
Olhando assim não dá para ver. Mas, logo atrás da orla de coqueiros que decora esta praia, há uma igreja, de 1802, que é um dos mais antigos monumentos da Ilha Grande.
É a igreja de Santana (contração de “Santa Ana”), nome que complementa o desta praia, a da Freguesia, que fica na parte abrigada da ilha, bem pertinho da Lagoa Azul, o que é outro motivo para esticar o passeio até lá. E há mais um: suas águas são muito tranquilas, ótimas para barcos e crianças.

Ilha de Paquetá
Apesar da aparência de paraíso (uma ilha verdejante dividida ao meio por uma praia de areias branquinhas, que permite banhos de mar dos dois lados dela), Paquetá fica bem perto das principais marinas e condomínios da Baía da Ribeira, em Angra —portanto a um tirico de barco delas.
Mal saiu, você já chegou. Perfeita para quem não quer ir longe. As crianças adoram e os donos de barcos também, porque as águas de Paquetá são bem protegidas. Um passeio rápido e muito gostoso.

Ilhas de Cataguás
Até tempos atrás, a linda praia que se forma entre as duas ilhotas de Cataguás, praticamente em frente ao centro de Angra, era muito frequentada pelos barcos e escunas de passeios, o que lotava suas águas e areias.

Mas, depois que o acesso dos barcos até a praia foi restringido por cordões de isolamento na água, o movimento despencou e a formosa Cataguás voltou a ser o que sempre foi: um idílico banco de areia branquinha, cercado pelo verde do mar de Angra por todos os lados. E como não há mais barcos pertinho da praia, os banhos de mar ficaram ainda mais gostosos. É só parar o barco um pouco distante e ir nadando até a praia.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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