Angra lança campanha para salvar traineira usada para transportar presos políticos na ditadura

Por: Redação -
20/01/2021

O município de Angra dos Reis lançou a campanha “Salvemos a Loretti”, traineira que é reconhecida como patrimônio da história do sistema penal, da navegação e da Ilha Grande. Com 110 anos, sem manutenção adequada nos motores, a Loretti acabou afundando, em março de 2014, no cais Santa Luzia, no Centro de Angra dos Reis e desde em tão está guardada na Marina Verolme.

Inscreva-se no canal de NÁUTICA no YouTube e ATIVE as notificações

A embarcação também serviu à Defesa Civil para salvamentos marítimos e à população da Ilha Grande depois que o presídio foi implodido por ordem do então governador Leonel Brizola. A proposta de recuperar a traineira começou pelo seu mestre, Constantino Cocotós, que também comandava a Defesa Civil na Ilha Grande. Ele morreu, em 2013, sem realizar o sonho de ver a Loretti num museu a céu aberto na Vila do Abraão. A pedido da comunidade, o nome de Cocotós foi eternizado no Centro Cultural da Ilha Grande. Há oito anos, a então prefeita Conceição Rabha prometeu recuperar a embarcação, a mesma promessa feita no ano passado por Fernando Jordão, que foi reeleito e é o atual prefeito de Angra dos Reis.

Sem solução à vista, o fundador da Associação de Canoagem Oceânica de Angra dos Reis (ACOAR), Marcelo Lopes lançou a campanha “Salvemos a Loretti”, com apoio de moradores da Ilha Grande, de empresários e de parentes do falecido Constantino. “A Loretti teve uma importância fundamental para o transporte de presos e depois para salvamentos na Ilha Grande. Era uma embarcação moderna para a época por causa do seu modelo, com proa alta, extremamente segura para enfrentar as ondas em mar aberto. Somente ela entrava em Dois Rios, onde ficava o presídio. É preciso recuperar o madeiramento e partes de metal. Estamos buscando emendas parlamentares e ajuda de um pool de empresas para recuperar a traineira e transformá-la num museu na Vila do Abraão, como era o sonho de Cocotós”, explica a relevância da medida.

Em março de 2019, a vereadora Titi Brasil fez o primeiro pedido à prefeitura para recuperar a Tenente Loretti “para manter a história viva”. O Presidente da Associação dos Condomínios da Costa Verde, Manoel Francisco de Oliveira informou que há um grupo de empresários dispostos a transformar a Loretti em museu. Mas para que isso aconteça, a prefeitura de Angra precisa apresentar um projeto de recuperação, a titularidade e o destino que pretende dar à traineira após a reforma.

Lopes recorda que além de trazer presos do Rio, na época da ditadura, a traineira também levava os detentos para audiências em Angra dos Reis. Transportava mantimentos para o presídio e, após a implosão, além de atuar em salvamentos, ia imponente na frente da procissão marítima do padroeiro da Ilha Grande, São Sebastião”.

Gostou desse artigo? Clique aqui para assinar o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e receba mais conteúdos.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Mais de 3 mil moedas: maior tesouro viking da história da Noruega é encontrado

    De acordo com os arqueólogos, as peças são datadas de 980 a 1040 d.C. e originárias de vários países da Europa

    Correio por barco: mulher mantém viva tradição centenária na Alemanha

    Andrea Bunar entrega correspondências pelos rios e canais ao redor de Lehde, em um percurso de 8 km por dia

    Cada vez mais potentes: conheça os destaques entre os motores elétricos no mercado náutico

    De 3 hp a 1200 hp, confira mais de 10 modelos que prometem atender aos mais variados tipos de embarcação

    Novas Lanchas de Busca e Salvamento da Marinha do Brasil foram importadas da Turquia

    Embarcações encomendadas para as Capitanias dos Portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo prometem resistência, durabilidade e tecnologias integradas

    Los Muertitos: águas de praia no México guardam silhueta de uma caveira

    Registros do fotógrafo e pesquisador Rafael Mesquita na última sexta-feira (8) reascenderam dúvidas sobre o destino — que de assustador não tem nada