Center consoles ganham espaço entre os barcos do São Paulo Boat Show
Com comando centralizado e áreas livres ao redor do console, embarcações apostam na versatilidade para pesca, passeios e lazer


Como o nome já diz, embarcações center console têm o posto de comando no centro do barco. Essa disposição deixa espaço nas laterais e permite a circulação livre, que aproveita especialmente as áreas externas do convés. O modelo é bastante associado à pesca, já que favorece a movimentação a bordo, mas também aparece em opções voltadas para passeios, esportes e lazer.
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Durante o São Paulo Boat Show 2026, que ocorre entre os dias 24 e 29 de setembro, no São Paulo Expo, os visitantes poderão conferir de perto modelos de barco center console de marcas como Drakkar, Fishing, Ross Mariner, Sedna, Schaefer, Tank Boats, Victory e Wellcraft.
Lançamento no São Paulo Boat Show
O São Paulo Boat Show será palco da estreia oficial da Tank Boats. O primeiro modelo da marca, T36, terá sua primeira unidade exposta no evento. A lancha center console de 36 pés tem casco construído por infusão a vácuo, motorização de popa e uma cabine considerada pelo estaleiro uma das maiores da categoria. O projeto combina desempenho e conforto a bordo.


Comando central amplia circulação
Uma das principais características dos center consoles é a possibilidade de circular ao redor do posto de comando, deixando boa parte do convés livre. A configuração é especialmente útil na pesca, mas também favorece atividades ao ar livre.


A Drakkar Boats tem entre seus modelos as Drakkar 255CC e 300CC, ambas para até dez passageiros. A 255CC pode receber motorização de até 300 hp e custa a partir de R$ 650 mil. Já a 300CC pode chegar a 600 hp, com preço inicial de R$ 850 mil.
Pesca esportiva e oceânica
A facilidade de movimentação faz com que o conceito center console tenha forte presença entre barcos destinados à pesca esportiva e oceânica. A Sedna CC 320, por exemplo, combina comando central e conceito walk-around. Assinado pelo arquiteto naval Donald L. Blount, o modelo tem 9,4 metros de comprimento e capacidade para 12 pessoas.


Na Victory, a 348 conta com o sistema CMS (Customization Modular System), que permite diferentes configurações de acordo com o uso. Entre elas está a Open Sea, direcionada à pesca oceânica. Com 10,84 metros de comprimento, a embarcação pode receber até 800 hp.


A Fishing 410 Solarium também aposta no desempenho aliado à pesca esportiva. Com casco em V profundo, segundo a marca, pode receber três motores de 300 hp ou quatro de 400 hp, configuração capaz de superar os 115 km/h. O modelo custa cerca de R$ 2,7 milhões.


Espaços de lazer
O comando central, porém, não precisa significar um barco dedicado exclusivamente à pesca. Os mesmos espaços livres que facilitam a atividade também podem ser aproveitados para circulação, mergulho, esportes náuticos e passeios.


Com 25 pés, a Ross Mariner C250 Ryder exemplifica essa combinação ao reunir características voltadas à pesca com soluções para passeios em família. O modelo tem banheiro fechado e pode receber um motor de popa de 150 a 300 hp ou dois de 115 a 150 hp cada.


A Wellcraft 320 segue proposta semelhante ao unir recursos para pesca e lazer. Com 9,85 metros de comprimento e capacidade para 12 passageiros além do tripulante, conta com cabine equipada com cama e banheiro privativo. A motorização pode chegar a três motores de 300 hp.
Conforto a bordo
A busca por versatilidade também faz com que características tradicionalmente associadas a barcos de passeio apareçam em embarcações com grandes áreas externas. A Schaefer V34, por exemplo, tem 10,33 metros de comprimento e capacidade para dez pessoas durante o dia e duas no pernoite.


As diferentes propostas mostram como a lógica dos center consoles e das embarcações com amplas áreas externas pode atender perfis variados.
De modelos voltados à pesca oceânica a opções que privilegiam passeios e convivência a bordo, a configuração permite que desempenho, circulação e conforto se unam em diferentes combinações. Essa versatilidade nos barcos center console poderá ser vista pelos visitantes do São Paulo Boat Show 2026.
São Paulo Boat Show 2026
O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, passando por botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.


O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.
Anote aí!
SÃO PAULO BOAT SHOW 2026
Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!

