Barcos de pesca no São Paulo Boat Show: veja as marcas que estarão no evento

Quase 10 estaleiros apresentarão barcos que vão cada vez mais além da atividade. Salão ocorre de 24 a 29 de setembro, no São Paulo Expo

12/09/2026
Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A pesca esportiva é um setor que não para de crescer. Segundo o Boletim de Inteligência de Mercado no Turismo – Turismo de Pesca, publicado pelo Ministério do Turismo em 2025, cerca de 8 milhões de pessoas praticam a atividade no país. Os barcos procurados por esse público, por sua vez, estão cada vez mais modernos, como mostrará o São Paulo Boat Show 2026.

O maior salão náutico da América Latina ocorre de 24 a 29 de setembro, no São Paulo Expo. Por lá, quase 10 estaleiros vão expor embarcações voltadas à pesca esportiva com recursos que vão muito além do porta-varas e da caixa de iscas.

 

Isso porque o país ultrapassou 370 mil licenças de pesca amadora e esportiva em 2025, chegando ao maior volume da série histórica iniciada em 2020. No mesmo período, foram realizados 150 torneios, distribuídos em 266 etapas pelo território nacional, conforme dados do Ministério da Pesca e Aquicultura. Com tamanha demanda, os barcos procurados por esse público deixaram de atender apenas à pescaria.

 

Projetos atuais combinam áreas livres de circulação, recursos específicos para pesca e motorização de alto desempenho com bancos, banheiros, cabines e espaços de convivência. Veja a seguir as marcas que estarão no São Paulo Boat Show 2026.

Barcos de pesca no São Paulo Boat Show

Drakkar Boats: 255CC e 300CC

Com proposta para pesca e lazer, o modelo de 25 pés da Drakkar Boats estará entre as embarcações apresentadas pela primeira vez no evento. A 255CC tem preço a partir de R$ 650 mil e representa a faixa intermediária do portfólio do estaleiro.

Drakkar 255CC. Foto: Regatta Yachts / Divulgação

Outro modelo será o Drakkar 300CC que chega ao São Paulo Boat Show com preço a partir de R$ 850 mil, desenvolvido para combinar espaço a bordo, navegação e uso tanto em pescarias quanto em passeios.

Drakkar 300CC. Foto: Regatta Yachts / Divulgação

Fishing Raptor: Fishing 410 Solarium

Com mais de 300 unidades comercializadas no Brasil e no exterior, o modelo da Fishing Raptor custa cerca de R$ 2,7 milhões e pode receber três motores de 300 hp ou até quatro de 400 hp, configuração capaz de levá-lo a mais de 115 km/h.

Foto: Fishing Raptor / Divulgação

São duas portas hidráulicas laterais na popa, banheiro fechado, cabine a meia-nau e casco em V profundo assinado pelo engenheiro naval norte-americano Donald Blount. A construção utiliza poliuretano expandido, tecnologia que torna a embarcação insubmergível.

Flexboat: Flexboat SR760

Com 8,45 metros de comprimento, 3,15 metros de largura e tanque de combustível de 400 litros, o inflável de grande porte SR760, da Flexboat, aposta em estabilidade e versatilidade para mar aberto, travessias e diferentes aplicações.

Foto: Flexboat / Divulgação

O modelo pode receber um motor de 300 a 400 hp ou configuração dupla e está disponível em versões para lazer, turismo, mergulho e uso misto. Dependendo da configuração, pode transportar até 28 pessoas.

Ross Mariner: Ross C250 Ryder

Com 25 pés, o modelo da Ross Mariner foi desenvolvido para combinar a robustez exigida na pesca com soluções de conforto para passeios em família. O casco recebe poliuretano injetado, que torna a embarcação insubmergível e também contribui para o conforto na navegação, enquanto o bordo alto amplia a segurança a bordo. Tem banheiro fechado e pode receber motor de popa único de 150 a 300 hp ou motorização em parelha de 115 a 150 hp cada.

Foto: Rivo Biehl/ Revista Náutica

Schaefer Yachts: V34

Com 10,33 metros de comprimento e 3,35 metros de largura (boca), a Schaefer V34, da catarinense Schaefer Yachts, tem capacidade para dez pessoas durante o dia e duas para pernoite. O tanque de combustível comporta 700 litros e o de água doce, 150 litros. A proposta combina as áreas abertas características do segmento com estrutura para permanências mais prolongadas a bordo.

Foto: Francisco Cepeda / Revista Náutica

 

Victory Yachts: Victory 348 Open Sea

A embarcação da Victory Yachts foi desenvolvida para conciliar pesca oceânica, passeio e conforto. Pode receber motorização de até 800 hp e comporta 1.100 litros de combustível. Para pesca, oferece cinco urnas térmicas para peixe e gelo, com cerca de 1.200 litros de capacidade total.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O Sistema Modular de Customização permite adaptar o layout entre configurações mais dedicadas ao passeio ou à pesca oceânica. Na área interna há sofá em U conversível em cama, banheiro fechado e pia.

 

Wellcraft: Wellcraft 320

Com 32 pés e proposta voltada tanto à pesca quanto ao lazer, o modelo da Wellcraft tem 9,84 metros de comprimento, 3,26 metros de boca e capacidade para 12 passageiros mais um tripulante. O amplo convés facilita a circulação e o acesso às áreas de pesca, enquanto a cabine conta com banheiro privado e uma cama que acomoda duas pessoas com conforto.

Wellcraft 320. Foto: Divulgação

A embarcação é construída pelo processo de infusão a vácuo e pode receber 2 motores de 300 hp a até 425 hp cada. O tanque de combustível comporta de 975 a 1.200 litros.

Sedna Yachts: Sedna CC 320 e Cat 370

Em 9,4 m de comprimento total (fora os motores), a Sedna CC 320 pode receber 12 pessoas a bordo graças ao center console e ao conceito walk-around. Como prova do aproveitamento de espaços, o pé direito tanto da cabine quanto do banheiro é de 1,8 m. O modelo foi projetado pelo arquiteto naval americano Donald L. Blount e possui ângulo “V” da popa de 16°.

Sedna CC 320. Foto: Candy filmes / Divulgação Sedna Yachts

A Sedna Cat 370 tem estrutura de catamarã — que justifica o apelido Cat — aliada à performance voltada para pesca oceânica. São 11 m de comprimento que permitem até 16 pessoas a bordo. Na cabine, o pé direito ostenta 2,18 m de altura. Outro destaque fica por conta da motorização que leva quatro motores de popa, que podem ter de 300 a 400 hp cada. O conjunto permite potência total de 1.200 a 1.600 hp.

Sedna Cat 370. Foto: Candy filmes / Divulgação Sedna Yachts

Tank Boats: T36

Inédita no salão náutico, a marca fará sua estreia com outro novato, o T36, que terá sua primeira unidade exposta no evento. O barco center console de 36 pés de comprimento traz casco construído por infusão a vácuo, motorização de popa e uma cabine considerada entre as maiores da categoria pelo estaleiro.

Foto: Instagram @tankboats / Reprodução

A lancha promete segurança, performance e conforto no mar sob respaldo da especialista sueca Profjord, especializada em hidrodinâmica.

Fluvimar

Embora o barco de pesca oficial da Fluvimar — o pontoon Fboat 6500 Fishing — não vá estar presente no evento, a fabricante afirma que seus demais modelos também podem ser utilizados na atividade. Durante o evento, estarão expostos os pontoons Fboat 9500, Fboat X e Fboat Duplo Deck.

Fboat 9500. Foto: Fluvimar / Divulgação

São Paulo Boat Show 2026

O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, incluindo botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.


Desconto para leitores NÁUTICA

Você sabia que leitores NÁUTICA têm vantagem na hora de comprar ingresso para o São Paulo Boat Show? Para isso, basta inserir o código promocional NAUTICA30 na hora de selecionar as entradas e, assim, garantir 30% de desconto no valor. Os ingressos estão disponíveis no site oficial da Sympla.

Anote aí!

SÃO PAULO BOAT SHOW 2026

Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Iate Custom Line Saetta, de 128 pés, é lançado na Itália

    Embarcação de luxo com casco planante foi construída pelo Grupo Ferretti e lançada ao mar em Ancona

    Conesul e Vale do Ivinhema: o novo horizonte do turismo náutico brasileiro

    Com planejamento e cooperação regional, rios do Mato Grosso do Sul abrem caminho para novos destinos náuticos e oportunidades de desenvolvimento sustentável

    Contagem regressiva! Salvador Boat Show chega à 3ª edição

    Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!