Conheça os vencedores da primeira etapa do festival de esportes aquáticos Aloha Spirit

Por: Redação -
15/04/2019

O final da 1ª etapa do 11º Aloha Spirit não poderia ser melhor. As provas técnicas de Stand Up Paddle (SUP) fecharam a vasta programação esportiva do final de semana com grandes apresentações. No masculino, Luiz Guida, o “Animal”, voltou a vencer e entre as mulheres, a norte-americana Fiona Wylde fez valer o favoritismo e a atual campeã do evento, Lena Ribeiro teve uma performance de recuperação, da oitava para a segunda posição.

Na canoagem, a dupla formada para este evento, com Rafael Santacreu e Pedro Henrique Weichert, remou o tempo todo na frente e foi a primeira canoa a completar os 10 km. Outro grande destaque ficou para Rafael Leão, um dos mais experientes da modalidade no País, e sua aluna Luciana Furlan, nas duplas mistas, chegando em terceiro no geral.

O campeão sul-americano Cadu Zeidan levou a melhor na canoa havaiana individual, enquanto que Felipe Neumann, outro veterano das remadas, venceu entre as canoas polinésias. Já no surfski, com 15 km o primeiro lugar ficou com Cadu Oliveira.

E o dia começou logo cedo com a natação em águas abertas, de 1 500 metros, com Artur Pedroza, invertendo o resultado com Luiz Felipe Lebeis, vencedor dos 3 800 metros. Na feminina, vitória de Thaís Santana. Outra atração do domingo foi a prova de apneia estática. Em paralelo, houve aula de yoga e durante o final de semana o que se viu foi uma grande celebração do esporte vinculada com a defesa do meio ambiente, incluindo a gestão de plástico zero em toda a área do evento.

Foram várias atividades e ações nos três dias, incluindo o Festival de Cinema, mutirão de limpeza de rios e trechos de mangues próximos, com alunos de escolas de Ilhabela, rodas de conversas, conscientização, corrida de montanha, e outras e emocionantes provas de SUP, paddleboard, canoas, waterman (reunindo natação, SUP e paddleboard), reunindo cerca de 1 500 atletas de 18 estados e outros países como Estados Unidos, Argentina e Peru, para ratificar ao Aloha Spirit o título de um dos três maiores festivais de esportes aquáticos do Mundo.

Na canoagem, Pedro e Rafael contaram sobre a vitória. “Somos da mesma equipe (Tahoe) e decidimos competir juntos. É uma energia única remar com ele, um irmão que a canoa me deu. Queríamos nos divertir e manter esse ritmo”, contou Pedro. Na mista, Rafael Leão, que já foi campeão em todas as categorias, agora experimentou as duplas mistas. “Foi uma provinha boa, a Luciana está remando super bem, estávamos com uma remada encaixada e conseguimos fluir bem. Pegamos o ritmo das masculinas e fomos juntos”, disse.

Na OC1, Cadu fez uma prova de recuperação para alcançar a segunda vitória no evento (também estava na equipe Brucutus, que venceu de forma emocionante a prova overall no sábado). “Foi alucinante! Comecei mal, pesado, entrou uma ondinha milagrosa e me levou para frente. Depois tivemos uma disputa acirrada e consegui levar a melhor”, resumiu o vencedor que ainda viu sua mulher, Priscila, levar a melhor na OC1 open, para a festa em família.

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Para Felipe que levou na V1, o primeiro lugar foi até uma surpresa. “Apesar de saber do meu potencial, da minha história. Estou treinando para me adaptar, porque é uma categoria que vem crescendo”, comentou.

No Sup Técnico, valendo pelo ranking mundial, uma prova que o nome já resume bem, com várias boias a serem superadas, Animal largou mal e teve uma recuperação rápida, chegou a cair na segunda boia, mas depois imprimiu um ritmo forte, abriu vantagem e não deixou os rivais, entre eles, o campeão mundial de Sprint, Artur Santacreu, chegar perto.

Ele garantiu o primeiro lugar e a briga ficou para o segundo lugar entre Artur e o jovem talento Guilherme Cunha. “Foi um final de semana perfeito. Fiz uma prova ótima sábado, estou com a família, consegui descansar e vim focado. Fiz uma largada ruim, fiquei enroscado, saí recuperando, consegui pegar uma marolinha e assumi a ponta. É bom saber jogar quando dá certo e quando dá errado”, contou o tetracampeão brasileiro de SUP.

“Estou amarradão de estar na atividade com 35 para 36 anos, com filha, contas para pagar, essa molecada começando a vida agora. Só de estar andando junto e ganhando, estou muito feliz, ainda mais no Aloha, esse evento que é o melhor do País”, vibrou.

Na feminina, também contando pontos para a Paddle League, Aline Adisaka saiu na frente, mas logo Fiona Wylde passou na frente e manteve uma certa distância. Lena Ribeiro não fez uma boa largada, chegou a estar em oitavo, mas foi recuperando e terminou em segundo lugar. “Estou muito feliz. É minha primeira vez aqui no Brasil. Tudo aqui é maravilhoso, as pessoas são muito legais, é um lugar lindo. O evento é sensacional e o fato de ter essa preocupação ambiental, zero plástico é fantástico. Mal posso esperar para estar de volta em novembro”, falou Fiona, lembrando que na última etapa do Aloha, em Cabo Frio, o evento será válido pelo ranking mundial da Paddle League e também da APP World Tour.

Agora, o Aloha Spirit 2019 se prepara para a segunda etapa, nos dias 21 a 23 de junho, no Pontão do Lago Sul, em Brasília. A final está marcada para 22 a 24 de novembro, na Praia do Forte, em Cabo Frio/RJ. Todos os detalhes para a participação pelo site alohaspirit.com.br.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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