De Piçarras a Angra: o catarinense Eduardo Wieser dá dicas valiosas para fazer a viagem a bordo de uma lancha

Por: Redação -
25/03/2020

Navegadores cruzando a costa brasileira há muitos. Raros são os que ousam encarar essas travessias no comando de lanchas, já que veleiros exigem apenas ventos, enquanto barcos a motor requerem, obviamente, combustível pelo caminho. Um desses casos raros foi protagonizado no início deste ano — bem antes, portanto, da quarentena provocada pelo COVID-19 —, pelos catarinenses Eduardo Wieser (o capitão da travessia e idealizador da viagem), Paulo Esquelbek e Elinton Biron, que a bordo de uma lancha de 38 pés foram de Balneário Piçarras a Angra dos Reis, e voltaram. O fato de terem estudado o roteiro previamente permitiu uma navegação tranquila, sem sustos.

“A viagem foi inspirada no Guia de Angra, publicado por Náutica. Foram meses de planejamento, marcando todos os pontos nas cartas náuticas de papel, de postos de abastecimento e lugares para pernoites a bordo, que depois foram transferidos para o GPS”, conta o comandante do barco, Eduardo Wieser.

A lancha, de 38 pés, chamada Edalca IV, estava equipada com dois motores a diesel de 320 hp cada. Para evitar surpresas, a tripulação levou de reserva desde óleo para os motores até correias e rotores de bombas. Além disso, fez uma revisão geral no barco, antes de partir. “Checamos tudo, com especial atenção às bombas de porão, às instalações elétricas, a detalhes como abraçadeiras a aos motores”, garante Eduardo.

Ao todo, foram 14 dias de travessia, uma expedição de 890 milhas. E tudo isso pelo simples prazer de realizar um cruzeiro a motor, costeando um dos trechos mais bonito do litoral brasileiro, provando que é possível viajar de lancha pelo Brasil. Mais do que isso, que é muito bom.

A partida foi em Balneário Piçarras. O plano de ir direto até Santos, com uma parada de abastecimento em Pontal do Sul, no Paraná, foi cumprido em 11 horas de navegação, sem nenhum contratempo. “Navegamos com vento Sul, de popa, que nos ajudou em nossa navegação”, explica o comandante da Edalca IV.
No outro dia, foram mais 3 horas de navegação entre Santos e Ilhabela, no litoral Norte de São Paulo, com escala na Ilha Montão de Trigo.

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Ilhabela não é tão pequena assim, mas até pode ser contornada em um único dia de passeio de barco, o que o trio fez, aproveitando para conhecer algumas de suas belas praias, como o Saco do Eustáquio, Praia da Fome e Praia de Jabaquara, com direito a um pernoite a bordo, no Saco da Capela.

Na manhã seguinte, a lancha pegou o rumo do Saco do Mamanguá, um abrigo perfeito, em Paraty. “Exploramos a Enseada de Paraty Mirim, que é um paraíso da calmaria, sossego e proteção. Aproveitamos para comprar peças para resolver um problema técnico no motor do bote de apoio”, registrou Eduardo em seu diário de bordo. O trio pernoitou no Saco do Bom Jardim, a uma milha de Paraty, lugar com boa proteção contra os ventos.

Já em Angra dos Reis, os navegadores catarinenses permaneceram por oito dias explorando a Baia da Ilha Grande. “Tempo suficiente para visitar cerca de 100 lugares mágicos, entre praias e ilhas, apontados pelo Guia de Angra. Uma experiência sem igual num cenário de tirar o fôlego”, descreve Eduardo, que fez com seus amigos quase todas as refeições em terra, aproveitando a riqueza gastronômica da região, especialmente no Saco do Céu.

Na viagem de volta, levando na bagagem planos para um futuro repeteco, o trio aproveitou para conhecer a Praia Almada (com parada para o almoço), a Ilha de Prumirim e a Ilha Anchieta. No Saco da Ribeira, ponto de abastecimento, foi necessário alugar uma poita, por conta do grande número de veleiros.

Saindo de São Sebastião, a lancha explorou o canal de Bertioga, com direito a abastecimento e almoço na Marina Guarujá. De Santos, os rapazes navegaram até Paranaguá, onde depois de encher o tanque de diesel pegaram o caminho de casa, onde colheram olhares de espanto e admiração ao contar sua história. Os instrumentos de navegação da lancha de 38 pés somavam 890 milhas náuticas navegadas. “Ir de Piçarras ou de qualquer outra cidade de Santa Catarina a Angra dos Reis de lancha não é impossível, só precisa de um bom planejamento”, ensina Eduardo.

 

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