Dumar 499 leva até seis pessoas e navega como uma lanchinha


Com mais de 1 300 unidades produzidas desde o seu lançamento, em 1996, o Dumar 499 é a menor e mais vendida embarcação do estaleiro Dumar Wellcraft, de São Paulo. Afinal, por cerca de R$ 10 mil, pode-se comprar um casco de fibra versátil, de 5 m (16,5 pés), com a possibilidade de ser rebocado pelas estradas por qualquer automóvel com motor 1.6 e que, pronto para navegar, não custa muito mais que R$ 30 mil, já com uma carreta rodoviária.
É verdade que, para passear, um bote oferece bem menos conforto que uma lancha, mas trata-se de uma embarcação muito prática para cobrir pequenos trechos na água com cargas diversas a bordo, já que o cockpit espartano facilita a acomodação de pessoas ou objetos. Além disso, um bote deste tamanho é muito usado por pescadores e mergulhadores, tanto pelo baixo custo quanto pela facilidade na movimentação a bordo e a capacidade de abrigar equipamentos.
O Dumar 499, de 180 kg e boca de 1,53 m, tem três bancos transversais para acomodar até seis pessoas sentadas, caixa para âncora, paióis sob os bancos e opção de instalar uma capota. Testamos o Dumar 499 em duas etapas nas águas do Canal de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Na primeira, o vento leste soprou a mais de 15 nós, condição difícil para avaliar qualquer barco deste porte. Nesta situação, com muitas ondas baixas e sequenciais, tivemos que navegar em velocidade reduzida, em torno de 7 nós, contra as vagas e, mesmo assim, de vez em quando o casco batia mais duro contra as ondas — apenas lanchas com casco em V profundo (o Dumar 499, como a maioria dos botes, possui a proa em V, mas o fundo do casco é quase chato para garantir a estabilidade, que é boa neste barco) teriam condições de navegar com certo conforto contra as ondas.
Já com as vagas de través e pela popa, o Dumar 499 foi muito bem nas águas agitadas, impulsionado por um Evinrude de 25 hp. A medição da velocidade máxima só foi possível uma semana depois, com as águas do Canal de São Sebastião mais calmas: registramos a média de 24,4 nós, com uma pessoa a bordo, 20 litros de combustível no tanque portátil e a capota esticada. Um bom resultado, considerando o porte do barco, a potência do motor e o fato de que algumas lanchas de 19 pés com motor de popa de 90 hp navegam apenas 5 nós mais rápido que o conjunto testado.
No modelo avaliado, sentimos falta de uma proteção na parte interna do espelho de popa, para evitar que a água proveniente das ondas e da própria marola do barco entre a bordo, o que aconteceu navegando em mar agitado. Além disso, falta também uma grelha de ventilação no compartimento de popa, usado para acomodar o tanque de combustível portátil, revestimento de EVA no compartimento da âncora (para diminuir o barulho das correntes e da própria âncora em contato com a fibra) e criar porta-objetos nas extremidades dos bancos, o que é sempre muito útil. Nada, porém, que tire os méritos do parrudo Dumar 499, que disputa o mercado com os botes de alumínio, líderes disparados neste tipo de embarcação, mas leva vantagem no acabamento e não sofre problemas de infiltração de água, desconforto quase presente em barcos de alumínio rebitado.
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