eCycle+Realizado larga na frente da Classe C30 na Ilhabela Cup

Por: Redação -
25/07/2018

Com o cancelamento da Regata Toque-Toque no último sábado por excesso de vento, Classe C30 correu pela primeira vez nesta segunda-feira (23). O barco eCycle+Realizado venceu a prova de percurso com 15 milhas após duelo acirrado com Caballo Loco junto à costa de Ilhabela. O vento sudoeste, fraco, não ultrapassou oito nós (15 km/h), em dia de céu azul e temperatura em torno de 23°C durante a regata.

A prova abriu a Ilhabela Cup, competição criada para movimentar os barcos antes das regatas da Semana de Vela (SVI), a partir de quarta-feira (25), até sábado. Nesta terça, as regatas que encerram a Ilhabela Cup, para a Classe C30 serão válidas também para o Campeonato Brasileiro.

“A decisão sobre a tática antes da largada foi super difícil. Percebemos que junto à ilha tinha mais vento, mas também, mais correnteza. Arriscamos e deu certo. Velejamos no limite, com menos de um metro para a quilha em relação ao baixio”, contou o timoneiro do +Realizado, Carlos Biekarck. O barco do comandante José Luiz Apud superou o Caballo Loco no último bordo e conseguiu segurar o adversário em popa até a linha de chegada.

Caballo Loco marcou o +Realizado durante a maior parte da regata, evitando a ultrapassagem até quando pode. “A flotilha se dividiu na largada. Nós e o +Realizados optamos pela ilha, os demais partiram no rumo do continente. Foi uma briga boa”, afirmou o tático do Caballo Loco George Nehm, o Dodão. 

A exemplo dos dois primeiros colocados, Loyal Red Nose logo depois também optou por velejar rente a ilha e se deu bem, conquistando o terceiro lugar. O atual campeão da SVI, Caiçara UV.Line chegou na quarta posição, seguido por Zeus, de Florianópolis; Kaikias e Barracuda. A primeira largada desta terça (24) está prevista para meio-dia.      

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Media Day C30 – Caballo Loco, eCycle+Realizado, Caiçara UV.Line, Barracuda e Zeus, de Florianópolis, aproveitaram o domingo sem regatas para mostrar a 15 profissionais da mídia como é o trabalho a bordo durante uma regata. Os convidados se revezaram a bordo dos cinco barcos em duas provas. Zeus venceu a primeira; Caballo Loco, a segunda.  

“Fizemos uma ação que me deixou muito feliz como comandante da Classe C30. Foi um dia especial porque, apesar do vento fraco, havia muita correnteza no canal e pudemos explicar aos jornalistas como a natureza determina a tática a ser adotada em uma regata. As tripulações foram muito receptivas e todos se divertiram”, enalteceu o comandante do Caballo Loco, Mauro Dottori, também diretor de Vela do Yacht Club Ilhabela.   

Primeira regata da Ilhabela Cup – Classe C30

1 – eCycle +Realizado – José Luiz Apud

2 – Caballo Loco – Mauro Dottori

3 – Loyal Red Nose – Marcelo Massa 

4 – Caiçara UV.Line – Marcos de Oliveira Cesar

5 – Zeus – Inácio Vandresem 

6 – Kaikias – José Roberto de Jesus 

7 – Barracuda – Humberto Diniz 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.