Livro reúne naufrágios da Baía de Ilha Grande


Foi para praticar a caça submarina que o carioca José Eduardo Galindo começou a mergulhar. E, por algum tempo, esse foi seu único propósito debaixo d’água. Mas, ao se deparar com naufrágios, principalmente na Baía de Ilha Grande, em Angra, terra natal de Galindo, o mergulhador desenvolveu uma paixão por barcos (e aeronaves) afundados e, também, pela flora e fauna marinha. Membro fundador da Sociedade Angrense de Pesquisa Subaquática e atual dirigente da instituição, Galindo é, hoje, o maior especialista em naufrágios naquela região. Foi ele, inclusive, o responsável pela descoberta do naufrágio Vapor Califórnia, que se tornou um dos mais famosos do Brasil, e por pesquisas minuciosas em outros campos relacionados à área náutica. “Troquei o arpão pela câmera fotográfica e comecei um trabalho de identificação de naufrágios na Baía de Ilha Grande. Isso mudou completamente a minha maneira de ver o mar”, conta Galindo, que acaba de lançar o livro Naufrágios da Baía de Ilha Grande, que serve como guia e leitura de cabeceira, pois, além de trazer localização e dicas preciosas de mergulho, conta as histórias e mostra fotos destes verdadeiros museus do fundo do mar.
Galindo lista mais de 20 naufrágios em seu livro, incluindo os de um helicóptero e de uma aeronave, esta última conhecida como a Aeronave das Barras de Ouro, afundada em 1958. Mas, para o autor, há dois naufrágios especiais, o Vapor Califórnia, descoberto pelo próprio Galindo, e o Navio Encouraçado Aquidabã, desastre amplamente documentado. “O Vapor Califórnia é o único no Brasil com caldeiras de baixa pressão e dois cilindros com pistões. Apesar de ter sido muito saqueado durante os anos, essas peças tão importantes ainda estão debaixo d’água”, comenta Galindo. Já o Aquidabã era a mais poderosa unidade da Marinha do Brasil e veio a pique em 1906, após explosões até hoje não explicadas. Resultado: 212 homens, muitos deles heróis da Guerra do Paraguai (1864-1870), morreram no desastre. A Marinha ainda presta homenagens às vítimas do Aquidabã, que, com 85,40 m, é um verdadeiro tesouro arqueológico — e um dos naufrágios mais visitados da Baía de Ilha Grande.
Galindo foi o responsável, também, pelo resgate de moedas datadas da época do Império Romano, que, para ele e diversos estudiosos, provam que a costa brasileira já era uma rota marítima muito antes do Descobrimento, em 1500. Ex-professor de educação física, ele ainda faz diversos mergulhos, mesmo aos 71 anos, e pretende continuar com a atividade. “Infelizmente, a maioria dos meus amigos não mergulha mais e eu não quero parar. Por isso, tento sempre manter a saúde em dia, com boa alimentação e muitos exercícios. As paixões pelo mar e pelos naufrágios tratam de alimentar minha alma”, diz o mergulhador, que não esquece da ajuda que prestou ao oceanógrafo francês Jacques Cousteau (1910-1997), em 1985, quando esteve desenvolvendo pesquisas em Angra.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Empresa brasileira especializada em limpeza náutica alerta para os riscos da maresia e reforça a importância de produtos próprios para barcos
Segundo ranking do Tripadvisor, oito dos 10 lugares mais bem avaliados para viagens a dois são conhecidos por suas praias paradisíacas
Para o Kiribati, participar do torneio em 2030 simboliza, também, voltar os olhos do mundo à crise climática e ao aumento do nível do mar
Embarcação voltada ao público infantil para troca de figurinhas passa a receber visitantes neste sábado (13), das 10h às 12h, no lago do Parque do Paço
Nesta quinta-feira (11) é comemorado o Dia da Marinha do Brasil e, na terça (9), o Serviço Militar Inicial Feminino teve as primeiras mulheres incorporadas




