Evento anual premia empresas em 25 categorias na Ásia

Por: Redação -
12/04/2019

A premiação anual Asia Boating Awards anual aconteceu nesta semana, em Cingapura. Os prêmios foram apresentados em 25 categorias, apresentando construtores asiáticos e marcas internacionais, bem como regatas e marinas asiáticas. A lista de indicados veio da pesquisa on-line de leitores da revista Asia-Pacific Boating, com os vencedores determinados por um grupo de juízes.

“Parabéns a todos os vencedores do Asia Boating Awards de 2019 e a todos os indicados”, disse Andrew Dembina, editor-chefe da revista Asia-Pacific Boating. “Estas são as marcas atuais de marcas, construtores, clubes náuticos, marinas e empresas associadas e pessoas que afetam diretamente o rápido crescimento da popularidade da navegação em toda a região. Claro, muitos outros por aí merecem reconhecimento e elogios por seus esforços”.

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Os vencedores do Asia Boating Awards de 2019 são:

  • Melhor construtor de iates asiático – Horizon Yachts (Taiwan, China)
  • Melhor iate asiático – Aquila 32 (China)
  • Melhor iate personalizado – Benetti Spectre (Itália)
  • Melhor iate semi-personalizado (acima de 120 pés) – Amels Volpini 2 (Holanda)
  • Melhor sportscruiser (até 55 pés) – Prestige 520S (França)
  • Melhor sportscruiser (acima de 55 pés) – Sunseeker 74 Sport Yacht (Reino Unido)
  • Melhor iate com flybridge (até 55 pés) – Absolute Navetta 48 (Itália)
  • Melhor iate com flybridge (acima de 55 a 80 pés) – MCY 70 (Itália)
  • Melhor iate com flybridge (acima de 80 pés para 110 pés) – Riva 110 Dolcevita (Itália)
  • Melhor iate com flybridge (acima de 110 pés) – Custom Line 120 (Itália)
  • Melhor iate explorador – Sanlorenzo 500EXP (Itália)
  • Melhor barco de recreio (até 45ft) – Fjord 44 Coupe (Germany)
  • Melhor multicasco a motor (até 50 pés) – Fountaine Pajot MY 40 (França)
  • Melhor multicasco a motor (acima de 50 pés) – Moana 56 (China)
  • Melhor multicasco à vela – Lagoon 46 (França)
  • Melhor multicasco à vela (até 55 pés) – Solaris 47 (Itália)
  • Melhor multicasco à vela (acima de 55 pés) – CNB 66 (França)
  • Melhor inovação em design de iates – Princesa R35 (Reino Unido)
  • Melhor marina asiática – ONE ° 15 Marina Sentosa Cove, Singapura
  • Melhor iate clube asiático – Royal Hong Kong Yacht Club (Hong Kong, China)
  • Melhor regata asiática – China Coast Regatta (Hong Kong, China)
  • Melhor corretora de iates na Ásia – Simpson Marine (Hong Kong, China)
  • Melhor presença de marca na China – Beneteau
  • Melhor presença de marca na Ásia – Azimut Yachts
  • Melhor contribuição para a indústria de marina asiática – Arthur Tay

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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