Do outro lado do mundo: conheça os expositores internacionais do São Paulo Boat Show
Três expositores chineses apresentaram soluções elétricos no São Paulo Expo, de 24 a 29 de setembro


Eles atravessaram o mundo para atracarem no maior evento náutico da América Latina. No São Paulo Boat Show 2026, um mar de marcas vieram de muito longe para dar as caras no salão paulista, que aconteceu de 24 a 29 de setembro.
Além do universo náutico: Boat Show em SP teve queijos premiados e almofadas térmicas
São Paulo Boat Show 2026 expõe marcas para quem busca adrenalina e diversão em água e terra
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A gama atende, principalmente, soluções elétricas que prometem expandir as possibilidades de navegação. Confira abaixo os expositores que partiram do outro lado do planeta para apresentar seus produtos no São Paulo Expo:
Sea Walker by Electro
A Sea Walker Brasil by Electro Náutica levou ao São Paulo Boat Show 2026 uma linha de motores a combustão e elétricos da fabricante chinesa, cuja representação no país e na América do Sul é feita pela empresa.


Segundo Filipe Moreira, diretor da Sea Walker, o portfólio reúne motores a combustão de 2,5 hp a 60 hp, além de opções elétricas voltadas à pesca, a caiaques e botes de apoio.
Entre os destaques do estande estavam motores de dois tempos de 15 hp e 40 hp, um modelo de posicionamento trolling de 105 libras com GPS e motores de popa elétricos equivalentes a 9,9 e 18 HP. A marca também apresentou acessórios como jackplates e sistemas de ancoragem em águas rasas.


Moreira afirma que a participação no salão também serviu para prospectar distribuidores e revendedores, já que a Sea Walker trabalha no modelo B2B. Segundo ele, o estande recebeu interessados nos produtos e nas tecnologias apresentadas pela marca.
Taizhou
A Taizhou Yuelang Power Technology apresentou uma linha de motores de popa que reúne opções de dois tempos, quatro tempos e elétricas. O portfólio apresentado inclui modelos de dois tempos entre 6 hp e 14 hp, motores elétricos de até 9,8 hp e versões quatro tempos de até 20 hp.


Fundada em 2004 em Huangyan, na China, a empresa atua no desenvolvimento e na produção de componentes para motores de popa e passou a contar, a partir de 2015, com uma equipe própria de pesquisa e desenvolvimento. A participação no salão também marcou um avanço nas negociações para a chegada da marca ao Brasil.
Anqidi
No salão náutico, a Zhejiang Anqidi Power Machinery exibiu sua linha de motores de popa, produzidos na fábrica localizada em Taizhou, na província chinesa de Zhejiang. A empresa atua há mais de 20 anos no desenvolvimento de motores e também fabrica máquinas para jardinagem, equipamentos agrícolas e produtos plásticos.


Entre os diferenciais da fabricante está a tecnologia de proteção contra corrosão, aplicada aos motores para aumentar a durabilidade dos equipamentos em contato com a água. Além disso, a Anqidi também trabalha com projetos personalizados e integra tecnologia, produção e comércio em sua operação.
São Paulo Boat Show 2026
O maior salão náutico da América Latina levou seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, passando por botes, lanchas e jets, tomaram conta do pavilhão do São Paulo Expo e puderam ser vistas de perto.


O público ainda encontrou uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementaram o evento, que trouxe o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõs carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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