Entenda por que a Fibrafort atualizou toda a linha de lanchas Focker em 2024
Além de inovações nos barcos, estaleiro lançou dois modelos na versão Chrome, que deve ser estendida a pedido de clientes


A linha de lanchas Focker, da Fibrafort, é composta por nada menos que 13 embarcações. Cada uma delas esteve no São Paulo Boat Show 2024, onde Bárbara Martendal, gerente comercial e de marketing do estaleiro, falou tanto sobre a atualização dos modelos neste ano, quanto sobre o processo criterioso da marca para garantir a qualidade de seus barcos.
Comerciante paulista ganha lancha da Fibrafort avaliada em mais de R$ 200 mil no São Paulo Boat Show
Seguindo tendências mundiais, Fibrafort exibe Focker 262 GTO com tons monocromáticos
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Em um papo comandado por Pedro Dias, o Pedrinho, a porta-voz da Fibrafort esteve no Estúdio NÁUTICA, espaço que recebeu grandes nomes do setor durante o maior evento náutico da América Latina. Em seus mais de 30 anos no mercado, a marca já produziu mais de 18 mil embarcações.


O São Paulo Boat Show é um evento superimportante para a gente porque, além dos clientes que vão comprar, tem os que vão nos visitar, que já são da marca– destacou a gerente comercial
Durante a conversa, Bárbara ressaltou que a linha Focker vai dos 18 aos 42 pés, para que o estaleiro catarinense consiga “trazer o consumidor do primeiro barco para subir de categoria” junto com a marca.
Temos muitos clientes com quatro, cinco, seis barcos nossos– revelou Bárbara


Com um futuro upgrade na embarcação já previsto pelo estaleiro entre os clientes da marca — que costumam se fidelizar à empresa desde o primeiro barco –, a Fibrafort decidiu dedicar o ano de 2024 para atualizar toda a linha.
Temos muitos consumidores de todos os modelos, então a ideia foi atualizá-los com o que tem de mais moderno no mercado. Trocamos painel, estofamento… uma série de coisas– garantiu Bárbara
O upgrade, além de mais espaço, garante ao consumidor mais estrutura para navegar. Essa parte, inclusive, se mostra como uma das mais importantes entre os clientes Fibrafort na hora de trocar de Focker.
Isso porque, conforme explicou Bárbara, existe um público grande do estaleiro que não quer um barco maior, “porque não há estrutura em sua região”.
Essas atualizações são importantes porque não necessariamente ele precisa de um barco maior, mas sim do tamanho que já tem, só que com modernidade, com diferenciais de acabamento e estética– explica
“A gente vai buscando o que o nosso consumidor pede e colocando nos barcos. Um dos nossos valores na fábrica é que o cliente é a nossa razão. Então pegamos muito do que vem deles e colocamos em linha”, completa.
Lanchas Fibrafort na versão Chrome
Seguindo tendências mundiais, a Fibrafort lançou, em julho deste ano, durante o Boat Show de Itajaí, a nova Focker 262 GTO, na versão Chrome Edition.


O projeto visual do barco foi uma das grandes apostas do estaleiro. Pela primeira vez, uma lancha Focker nasceu no tom cinza, sempre muito solicitado pelos clientes. Na Chrome Edition, os interiores combinam nuances da cor principal com azul, buscando uma harmonização que envolve desde o EVA do piso até o estofamento.


No São Paulo Boat Show, outro modelo chegou com a nova cor: a Focker 212. Questionada se a linha Chrome vai se estender, Bárbara responde que “essa é uma demanda”, e o estaleiro está “trabalhando internamente para poder estender”.


O que prorroga o prazo para que a ideia saia do papel é o criterioso processo pelo qual passam as lanchas Focker antes de chegarem às mãos dos clientes. Bárbara conta que o que o estaleiro “solta para o mercado” é o que a marca “entende e tem certeza de que vai chegar com qualidade”.
A gente não entrega protótipo para clientes. Tudo passa por um processo de qualidade, de stress test– revela Bárbara
O stress test é uma metodologia que simula condições extremas para avaliar a capacidade de adaptação e resistência de sistemas e aplicações. De acordo com Bárbara, “até o primeiro barco ser entregue, ele passa por 200 horas de stress test, para que o estaleiro entregue um barco com a “certeza de que não vai dar problema na mão do consumidor”.
Em média, um dono de embarcação navega cerca de 50 a 100 horas por ano, segundo dados de pesquisas informais de fontes do setor náutico.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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