Flórida Marine apresenta a segunda geração de sua bem-sucedida lancha 34 pés

21/09/2025

Família e pesca podem parecer coisas muito distantes. Mas, na nova Flórida 340, elas podem navegar bem juntinhas. Exibida no São Paulo Boat Show, maior evento náutico da América Latina, a lancha de console central e casco cortador de ondas, com V profundo, é fabricada pelo estaleiro paulista Flórida Marine.

O  estaleiro faz parte do Grupo Wakoku, que distribui e comercializa equipamentos de pesca. A lancha foi feita prioritariamente para quem quer desfrutar as delícias das pescarias em qualquer lugar da nossa costa. Ou seja, é antes de tudo uma legítima pesqueira.

Nova Flórida 340. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Ao mesmo tempo, porém, oferece acomodações, conforto e espaço (tanto na proa como na cabine) para eventuais passeios em família.

Nova Flórida 340. Foto: Francisco Cepeda / Revista Náutica

Lançada em 2022, e já com 14 unidades nas águas (tanto do Brasil como do exterior), a lancha, de construção caprichada, ganhou uma segunda geração, cuja primeira unidade deveria ser apresentada durante o São Paulo Boat Show 2025, junto com outro sucesso da marca: a Flórida 290.

 

Como não deu tempo de exibi-la ao vivo, o estaleiro teve uma grande sacada: levou para o salão uma Flórida 340 de primeira geração já com quase 600 horas de mar, num período de três anos.

Nova Flórida 340. Foto: Francisco Cepeda / Revista Náutica

“Nossa intenção é mostrar a qualidade da construção desse barco”, explica Marcelo Ferrari, Diretor Comercial da Flórida Marine.

 

“Se você olhar o espelho de popa, a estrutural do barco, as fixações de inox… você não vê nenhum pé de galinha. O barco está perfeito, como se fosse zero”, enfatiza.

Nova Flórida 340. Foto: Francisco Cepeda / Revista Náutica

Ferrari conta que a nova Flórida 340 terá todas as qualidades das lanchas de primeira geração.

É um barco qualificado para entrar nos Estados Unidos. Por isso, conta com todas as certificações de segurança exigidas pelas leis americanas, caixas de águas negras, etc.-Marcelo Ferrari, Diretor Comercial da Flórida Marine

“Isso já diz muito sobre os nossos cascos”, acrescenta.

Nova Flórida 340. Foto: Francisco Cepeda / Revista Náutica

De fato, basta dar uma olhada nas instalações elétricas da lancha exposta no salão náutico paulista para ter uma ideia do que isso significa. A fiação estanhada e precisamente codificada. Tudo é de excelente qualidade.

 

“O mesmo produto que vendemos nos Estados Unidos o comprador encontra aqui, com o mesmo padrão de qualidade”, garante o Diretor Comercial da empresa.

Em relação à lancha de primeira geração, Ferrari explica que a nova Flórida 340 terá para-brisa fechado (para que os sprays de água não atinjam o piloto) e hard-top de fibra.

 

Além disso, sua praça de popa vem (é claro) com tudo o que se pode esperar de uma boa lancha de pesca, como viveiro de iscas, caixa de peixe, geleira, etc. Só de porta-varas, há espaço para a instalação de mais de 20!

Nova Flórida 340. Foto: Francisco Cepeda / Revista Náutica

Para os passeios em família, o projetista instalou na proa da 34 pés um solário para duas pessoas e um sofá em “U”, com porta-copos ao lado. Por sua vez, a cabine, com 1,97 m de altura, conta com duas camas de casal (uma na proa, outra na meia-nau) e banheiro com box fechado, com pé-direito de 1,90 m.

 

Originalmente, a Flórida 340, que tem 3,40 m de boca, vem com um tanque de combustível de 950 litros; mas, opcionalmente, é possível encomendá-la com um tanque de 1250 litros.

Nova Flórida 340. Foto: Francisco Cepeda / Revista Náutica

A motorização é exclusivamente de popa: 2 x 300 a 400 hp cada. O preço? A partir de R$ 1.170.000, com dois motores de 300 hp.


São Paulo Boat Show 2025

A edição de 2025 do São Paulo Boat Show ocupa o São Paulo Expo com mais de 170 embarcações em exposição — com direito a lançamentos de peso. Cerca de 120 marcas reúnem lanchas de todos os portes, motos aquáticas, motores, equipamentos e acessórios indispensáveis para quem vive — ou sonha viver — no mundo náutico.

 

O público encontra pranchas motorizadas, veículos off-road, a inusitada “Kombi Boat” e até o projeto de um barco voador. E tem mais: durante o evento, será sorteada uma lancha Focker 188 Joy equipada com motor de popa Yamaha F90.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

O NÁUTICA Talks também marca presença. O circuito de palestras reúne mais de 50 especialistas ao longo dos seis dias, trazendo histórias inspiradoras e dicas valiosas de gente do mar.

 

Luxo e cultura completam o pacote. No Espaço dos Desejos, marcas de alto padrão exibem objetos exclusivos e carrões como Aston Martin e McLaren. Duas Lamborghinis também são exibidas no evento, onde os visitantes podem ver ainda a Pole Position, lancha que pertenceu a Ayrton Senna, de pertinho.

 

Anote aí!

SÃO PAULO BOAT SHOW 2025

Quando: De 18 a 23 de setembro de 2025
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: Dia 18, das 15h às 22h; de 19 a 22, das 13h às 22h; e no dia 23, das 13h às 21h.
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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