Amante das águas e vencedor da Fórmula Indy, ex-piloto André Ribeiro morre aos 55 anos


Notícia triste para o esporte brasileiro. O ex-piloto de Fórmula Indy André Ribeiro morreu neste sábado (22). Aos 55 anos, o ex-atleta foi vítima de um câncer no intestino. Ele deixa três filhas e uma bonita história no automobilismo brasileiro.
Nas pistas, ele fez história na Fórmula Indy, uma das principais competições do mundo. Após se aposentar das corridas, André Ribeiro virou empresário. Ele se associou a Roger Penske, dono da equipes da Indy, e abriu concessionárias no Brasil com bandeiras Honda, Lexus, Toyota e Chevrolet. Além disso, foi sócio de Pedro Paulo Diniz na organização do Renault Speed Show no início dos anos 2000.

Capa de NÁUTICA em 1997
No auge da carreira de piloto, quando enfrentava as mais velozes pistas do mundo, a fera André Ribeiro, amante do mar e da velocidade, protagonizou, a convite da Revista Náutica, uma reportagem especial de capa no fim da década de 1990 (edição 104), na qual navegou e avaliou as lanchas mais rápidas do Brasil. Veja abaixo:

Durante a reportagem, André Ribeiro (que, aos 30 anos, tornou-se o homem mais rápido do mundo em um autódromo ao acelerar impressionantes 405 km/h) embarcou em uma Magnum 29 pés, equipada com dois motores de popa Johnson V6 de 225 hp cada, uma Excalibur 45 e uma Spirit 48 Hard Top.


Carro x barco no Rio Tietê
André Ribeiro também vivenciou um momento náutico histórico durante a segunda edição do projeto Por Uma Cidade Navegável, idealizado por Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, como forma de mostrar a viabilidade do uso de embarcações dentro da maior cidade do país.
O desafio: uma disputa de carro contra lancha, em plena Marginal do Rio Tietê, em São Paulo! O feito, com a presença de André Ribeiro, aconteceu em outubro de 2012. A dúvida: quem chegaria à frente? Carro ou barco?
Cada veículo teve de enfrentar desafios próprios. O do automóvel, encarar o trânsito travado da maior cidade do país. O das lanchas, algo ainda mais complicado: enfrentar a sujeira absurda do rio, no trecho que cruza a capital paulista.

Ao contrário da primeira edição do projeto, em 2011, quando a lancha usada no curioso desafio não resistiu à imundice do rio, no ano seguinte deu barco! E com folga. O barco não só cumpriu todo o percurso, de 12,5 quilômetros, no coração da metrópole, como o fez em menos da metade do tempo do automóvel — que precisou encarar o trânsito permanentemente travado da cidade. O evento virou notícia até no Jornal Nacional.
Na largada, o carro, um Mercedes ML 350 CDI, guiado por André Ribeiro, até abriu vantagem, porque a pista estava milagrosamente livre para aquele horário, primeiras horas de uma manhã de uma terça-feira. Mas, na metade do percurso, travou no congestionamento e por lá ficou, se arrastando no asfalto.

Já a lancha, um modelo Force One, de 27 pés, equipada com dois motores de popa de 200 hp e comandada pelo experiente piloto Denísio Casarini Filho, começou cautelosa, por conta do risco dos detritos no rio, mas em seguida deslizou sem parar pelo Tietê, completando o percurso em 12 minutos e 28 segundos — 17 minutos e 30 segundos a menos que o carro, que gastou longos 29 minutos e 58 segundos para percorrer o mesmo trecho.


Na ocasião, André Ribeiro declarou: “É uma pena que, no trecho paulistano, o Tietê seja um rio morto. E os moradores de São Paulo já se acostumaram tanto com esse quadro que não cobram as autoridades. Isso prova que navegar na cidade é possível, desde que os rios ofereçam condições mínima”. E concluiu: “Ações como a Por uma Cidade Navegável ajudam a chamar a atenção, tanto da população quanto das autoridades, para este desperdício de oportunidade”.
André Ribeiro não se importou nem um pouco em perder o desafio para a lancha: “Apesar de o barco ter sido vitorioso, me sinto um vitorioso, pois perder para um rio limpo é uma grande vitória”, declarou na época.
O Grupo Náutica lamenta a perda e presta condolências aos familiares e amigos de André Ribeiro.
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